Metrô, Metro Ligero e trens: todos conectados
Roberto Sena, que está morando em Madrid há 3 meses, quis dividir com o Brasil com Z suas experiências com o transporte público local. Seguem suas impressões e algumas dicas.
Na primeira vez que tive que me virar sozinho do Metrô de Madrid confesso que fiquei um pouco assustado, diante de um mapa que considerava pra lá de complexo, ou seja, impossível de entender.
Depois de utilizá-lo por mais de três vezes, tanto o medo de errar, quanto as dúvidas que existiam sumiram. Como muita coisa na vida, no início é complicado, e achamos que não conseguiremos resolver, mas nada que uma dose de força de vontade e paciência ajude.
Com cerca de 270 estações, o Metrô de Madrid, Metrô de superfície (Metro Ligero) e os trens Renfe, formam uma rede que serve muito bem a toda a capital. As tarifas são variadas. Por exemplo, um bilhete único custa 1 euro, mas se tiver o Abono de Transporte, que custa 60 euros (no caso das áreas A, B1 e B2), pode utilizar sem limite no prazo de um mês. Enfim, existem diversos tipos de bilhete de Abono, e consequentemente preços. Para saber mais sobre valores pode visitar o site da CTM – Consorcio Transportes Madrid.
Quanto a limpeza, todas as estações por onde andei até hoje, que aliás já foram muitas, estavam impecáveis. Todos os funcionários que abordei para solucionar minhas dúvidas foram prestativos e claros em suas explicações, no entanto, se falar espanhol ajuda muito, pois senti a falta de pessoas que falassem outro idioma, coisa falha num transporte de uma cidade onde trafegam pessoas das mais variadas nacionalidades, e o número de turistas por todos os cantos é algo muito claro de se notar.
1 comment Dezembro 22, 2009
Hollywood em Sevilla
Durante o último mês de dezembro, Sevilla foi cenário de uma superprodução de Hollywood. Cameron Díaz e Tom Cruise agitaram as ruas cidade com as filmagens do longa “Knight & Day”, com direito a perseguições de moto, tiroteios, corrida de touros e tudo mais.
Mas esta não é a primeira vez que a cidade histórica é invadida por grandes equipes de filmagem estrangeiras. A primeira foi em 1962, quando foi gravado um filme épico chamado “Lawrence da Arabia“, dirigido por David Lean. Logo Sevilla deu um toque de realidade histórica ao cine bélico, com “La batalla de Inglaterra” (1969) de Guy Hamilton, e “El viento y el león” (1975) de John Milius. Alguns anos depois, os Reales Alcázares, em concreto o Palacio Del Rey Don Pedro, serviram a Ridley Scott para rodar cenas de “1942: a conquista do paraíso” (1992), e algumas cenas do “Cruzada” (2005), dando maior veracidade, respectivamente, aos aposentos da rainha Isabel “la Católica” e aos do rei cristão de Jerusalém do século XII. Até mesmo George Lucas conseguiu ver na maravilhosa e histórica Plaza de España um palácio alienígena para o filme “O ataque dos clones” (2002), que até então era a maior superprodução que Sevilla tinha presenciado.
Certamente toda a equipe de “Knight & Day”, e principalmente Tom e Cameron, abalaram as estruturas da cidade, afinal de contas não é sempre que se consegue conciliar a vida cotidiana com perseguições impossíveis, touros e famosos, principalmente nesta época do ano que antecede o Natal e todo mundo fica meio agitado demais. Mas ninguém parece reclamar muito, já que todo o “alvoroço” tem enchido o bolso de muita gente. Calcula-se que foram gastos entre 4 e 6 milhões de euros em hospedagem, comida, aluguel de equipamentos e veículos, contratação de pessoal local e “otras cositas más”. Inclusive os comerciantes afetados pela bagunça causada nas filmagens foram compensados economicamente com 7,5 euros por metro quatro de loja ao dia. Ainda assim, o prefeito pediu paciência à população pelos inúmeros cortes de ruas, atrasos de ônibus e mudança nas rotinas, e está apostando no aumento do turismo que tudo isso pode acarretar.
O filme tem estréia prevista para o próximo julho (nos Estados Unidos)… Aguardemos…
Veja cena do Star Wars na Plaza de España
Add comment Dezembro 21, 2009
A Brasileira e sua Índia de Contrastes
Meu nome é Jarid Arraes Singh, nasci no interior do Ceará, em Juazeiro do Norte, e vim parar na Índia, me aventurando por Delhi (capital do país, onde moro) e sua realidade contrastante.
A loucura toda começou quando conheci um indiano pela internet, através do site de idiomas Livemocha.com; algum tempo de conversa, muita inconsequência e uma viagem definitiva, de mudança. Vim para a Índia de mala e cuia, certa de morar aqui, casar e construir toda e qualquer coisa que se tem para construir na vida. Casei, cá estou.
Posso dizer que a Índia é o lugar mais fascinante e irritante desse mundo, mesmo que eu não tenha ido muito longe pelo planeta. Não tenho medo de dizer que é o país mais intrigante, onde extremos opostos convivem na mesma rua, onde o luxo absurdo e colorido bate de frente com ruas imundas e seres humanos que são tratados como excremento. Essa é a Índia: incrível, como o Governo Indiano faz questão de frisar em seus slogans.
Pra começo de conversa, estou no meio da 2ª maior população da humanidade, misturada em dezenas de línguas diferentes que se encontram no hindi, idioma oficial. Minha família indiana fala hindi e punjabi, meus vizinhos da esquerda falam rajasthani e hindi, os da frente falam telugu, hindi e marati… e assim vou ficando louca, perdida em meios a centenas de sotaques e palavras ás vezes incompreensíveis, ás vezes familiares. Tenho aprendido hindi aos poucos, já entendo certas coisas em punjabi e vou parando por aqui, visto que já faço um esforço tremendo para compreender o inglês dos indianos: gramaticalmente errado até o absurdo e com o sotaque bem característico, ambos os detalhes que já adquiri em meu inglês (que já não era lá essas coisas todas).
Índia, religião é o teu nome. Sua posição na sociedade é determinada por sua casta, uma espécie de categoria da qual você faz parte de acordo com seu karma. Difícil de entender? Mais difícil é aceitar. Quem é da casta X não cozinha, quem é da casta Y não limpa banheiro, já quem é dálit (chamados de intocáveis) vive no meio do esgoto e lixo e não tem direito sequer de entrar nos templos. Tolerância? Desculpem, mas não existe. Em certos estados é mais que normal queimar casas de cristãos, minoria absoluta da Índia. Sikhs são discriminados e marginalizados, leis só existem para hindus e muçulmanos e eu, pobre firangi (estrangeira em hindi) já fui cuspida em pleno mercado, por ser cristã. A Índia é assim, conflituosa.
Casamentos arranjados, pagamento de dotes altíssimos, machismo, hipocrisia, muitas cores, dança, música, esculturas e monumentos deslumbrantes, elefantes, vacas, macacos e cobras pelas ruas. Os porcos comem lixo, os ratos são alimentados com leite e doce no Templo dos Ratos e NÃO, a Índia NÃO é toda de vegetarianos. Aqui tem carne de todos os tipos, e gostosa, aliás. A diferença é que todos os produtos são categorizados por “veg” ou “non-veg”. Fast food, comida tradicional de rua, requinte, sujeira… tudo junto, tudo ao mesmo tempo. Amor e revolta, essa é a minha Índia.
Vou amar e me jogar aqui no Brasil com Z, prometo muitas fotos, vídeos e tudo de melhor e pior que se pode encontrar aqui nas Indiocas. Sou brasileira, meu povo, não desisto nunca! =)
Sat sri akal! (saudação do Sikhismo, já que meu marido é sikh. Aliás, podem chamá-lo de Turban Boy).
* A Jarid e é a nova colaboradora do Brasil com Z e vai contar as suas experiências direto da Índia. Visite também o seu blog pessoal From Brazil to India
3 comments Dezembro 17, 2009
Horários Espanha&Brasil
Sempre que comento com alguém sobre a hora do almoço na Espanha a pessoa se apavora. No Brasil, normalmente estamos acostumados a comer entre meio dia e duas da tarde. Pois na Espanha o horário de almoço começa as duas e vai até as quatro, cinco horas…
Em muitas regiões do país existe a famosa “siesta”, que nada mais é que alguns minutinhos de descanso depois de comer, um tempinho para repor as energias para a jornada da tarde. Sentir aquele sono logo após o almoço não é nada de outro mundo, mas os espanhóis (principalmente os do sul, que sofrem também com o calor do verão) sabem melhor do que ninguém como aproveitar a sonolência e unir o útil ao agradável. Dizem os especialistas que este tempo de repouso é ótimo para a saúde, mas não deve ultrapassar os 30 minutos.
O fato de almoçar tão tarde faz a manhã ficar interminável. Quem começa a trabalhar as oito, nove horas da manhã logicamente não agüenta ficar só com o café no estômago até as duas. Ai vem outra curiosidade espanhola: o pessoal toma dois cafés da manhã!!! Um quando sai de casa cedo (mais leve) e outro no meio da manhã (com direito a tostadas* e tudo mais). Obviamente, isto não é regra geral, mas a grande maioria faz isso sim!!!
Em Sevilla, a hora da “siesta” é sa-gra-da. Tudo, exceto bares e restaurantes (claro), fecham entre duas e cinco da tarde. Somente as grandes lojas multinacionais mantêm as portas abertas. Não adiante espernear, ou se acostuma, ou se acostuma. No inicio é bastante complicado, mas é assim: supermercado, farmácia, ferragem, papelaria… tudo fechado até depois das cinco horas, fazendo a jornada de trabalho se estender até as oito, nove horas.
Uma longa manhã, uma paradinha de 3 horas para comer e dormir e, é claro, uma longa tarde. Juro que me impressionava quando alguém marcava comigo as oito, nove horas da tarde!!! Não seria oito horas da noite? Para os espanhóis não.
E lojas 24 horas? Existem em Sevilla? Poucas, dá para contar nos dedos. Hoje em dia a cidade está lotada de “chinos” (como são chamados os pequenos mercados dos imigrantes chineses) que não cumprem os horários estabelecidos para o comércio. São os salvadores da pátria porque ficam abertos durante todos os dias da semana (ah, supermercado também não abre no domingo) até as 23 horas, às vezes até mais tarde. Uma loja de conveniência da rede do famoso Corte Inglés, chamada “OpenCor” também diz que funciona 356 dias ao ano até as duas da manhã. As farmácias da cidade fazem uma espécie de revezamento durante o mês (são as chamadas “farmácias de guardia”) e para saber qual delas estará aberta durante a madrugada ou nos domingos devemos consultar uma lista (ainda bem que é disponibilizada na internet). As lojas de roupas e os centros comerciais só funcionam aos domingos em temporada de Natal ou nos primeiros dias das liquidações.
Enfim, é tudo bastante diferente do Brasil. No inicio é complicado se acostumar com a confusão de horários, não só da hora do almoço, mas principalmente do comércio. Mas pouco a pouco o ritmo é absorvido e já não parece coisa de outro mundo almoçar na hora no café da tarde ou esperar até depois da cinco para comprar qualquer coisa.
*sobre as famosas tostadas eu prometo escrever um post especial!1 comment Dezembro 16, 2009
Natal

Espero que ninguém diga para você (como eu ouvi alguém dizer outro dia): “Você não tem uma sorte de estar viajando no meu caso morando no exterior na época do Natal? “
Natal é antes de tudo uma festividade com cunho religioso e um tempo de reunir a família, enfeitar a casa, montar a árvore de Natal. Embora cada vez mais tudo seja de plástico e falso e sempre com uma etiquetinha made in China.
Uma coisa é fato, parece que a cada ano o natal chega mais cedo, aqui nos EUA desde que cheguei em outubro vejo coisas de Natal pelas lojas.
Cresci acostumado a decorar a casa de acordo com as tradições do advento, ou seja 4 finais de semana antes do natal, em cada uma das quatro velas vermelhas e ligada em um final de semana que antecede o Natal.
Mas para quem pensa que esta pressa e este lado tão comercial do Natal e uma coisa apenas dos EUA, em Cingapura por exemplo em minha última semana naquele pais asiático antes de mudar para os EUA a Orchard Road, principal rua de compras do pais já começava a se enfeitar para o natal. Mas Natal em Cingapura???
Sim!! E por ser um pais tropical poderíamos por um momento pensar será que a decoração usa palmeira de natal ao inves de pinheiros?? Errado!!! Confesso que chega a ser um despropósito ver replicas de bonecos de neve, flocos de neve gigante no meio da rua num lugar onde a temperatura mínima nunca é menos que os 20ºC.
Mas afinal respondendo a pergunta que lancei será que temos sorte? Essa e uma pergunta difícil uma vez que estando longe de casa talvez não possamos celebrar o Natal na forma tradicional em que fomos acostumados a celebrar, por outro lado a experiência de vivenciar o Natal em outra cultura nos faz aprender muitas coisas e ainda a valorizar as coisas mais simples. O que vocês pensam sobre isso?
Add comment Dezembro 15, 2009
Tall poppy syndrom
A tradução para poppy é papoula e os “tall poppy” na visão dos neozelandeses são aquelas pessoas que tentam se mostrar, aparecer. O termo se origina de dois textos em “Aristotle´s Politics“e Livy´s History of Rome. No texto de Aristóteles, Periander aconselha Thrasybulus a cortar o topo das espigas de milhos mais altas de uma plantação, significando que ele deveria sempre se livrar dos cidadãos que tentassem se sobressair aos outros. Já na história contada por Livys, o tirano Roman King, Tarquin the Proud, recebeu uma mensagem de seu filho Sextus Tarquinius pergutando o que ele deveria fazer a seguir em Gabii, uma vez que ele tinha se tornado o todo poderoso por lá. Ao invés de responder a mensagem verbalmente, Tarquinius foi ao seu jardim e cortou o topo das papoulas mais altas que cresciam lá. Sextus percebeu que seu pai desejava que ele matasse todos as pessoas mais eminentes de Gabii o que ele fez prontamente.
Felizmente os neozelandeses ainda não estão sendo tão radicais
Mas por aqui é inaceitável que uma pessoa tente se mostrar melhor do que qualquer outra. O que acontece é que para nós brasileiros, isso é quase uma questão de sobrevivência. A competição no Brasil é tão grande que sempre temos que mostrar que somos melhores que os outros para garantirmos o nosso emprego. E ao aplicarmos esta estratégia aqui, mais uma vez sentimos o impacto da diferença cultural, quando ao invés de recebermos um elogio ou reconhecimento, temos o nosso esforço no mínimo ignorado.
Isso pode ser muito legal em muitos aspectos, principalmente no que se refere ao não estímulo à competição desenfreada. Por outro lado, pode ser extremamente frustante quando você coloca sua alma em um trabalho, tentando dar o seu máximo e têm o seu esforço desprezado e enxerga até olhares de condenação.
Mais uma vez, o ideal seria um equilíbrio entre os extremos. Mas não faço a menor idéia em como alcançar este esquilíbrio.
Apesar de ter me sentido frustrada muitas vezes, e ter descobrido o que significa a tal da síndrome de Tall Poppy à duras penas, ainda acho mais saudável o extremo daqui. Isso entretanto, exige uma dose bem grande de humildade e pode não ser muito motivador em termos de aspirações profissionais.
O interessante é que a síndrome de Tall Poppy não se aplica apenas à Nova Zelândia. Outros países como o Canadá, a Austrália, a Irlanda também seguem este pensamento/idéia.
Mais informações:
http://www.nytimes.com/2007/02/26/opinion/26iht-edbowring.html
Add comment Dezembro 15, 2009
As quatro estações de Londres
Flor do Exílio
Londres, Inglaterra
Eu acho o verão em Londres sensacional. Muitos podem discordar pois tem ano que chove direto ou faz um calor muito úmido, mas é a única estação em que o céu perde a tradicional cor acinzentada. Os dias são longos e há milhares de eventos interessantes acontecendo pela cidade. As pessoas parecem mais bonitas e felizes. Quando a previsão é de calor, famílias e amigos organizam churrascadas ou faz-se um passeio para fora da cidade. Diferente dos países no continente europeu, a temperatura nas ilhas britânicas é geralmente agradável e raramente passa dos 30 graus. Londres é tomada por turistas vindos de toda parte do mundo e ao mesmo tempo muita gente viaja para fora do país em busca de sol e praia.
Em contraste, uma época que eu não recomendo ninguém vir para Londres é essa que acabou de passar: o outono. Dias ensolarados são raros, chove e venta muito e os dias vão se tornando cada vez mais curtos de uma maneira deprimente. Ah, mas ver as folhas caindo das árvores é lindo, alguém pode argumentar. Nem mesmo os fogos de artifício em Novembro para celebrar Guy Faulkes Day, uma antiga tradicao britânica, salvam essa estação patética. O prospecto de saber que o inverno está chegando, a ausência de feriados até o Natal e as lembranças das últimas férias de verão padecendo na memória fazem com que muitos brasileiros resolvam voltar pro Brasil.
O inverno chega oficialmente no dia 21 de Dezembro mas o frio chega bem antes disso. Começa a clarear somente depois das sete da manhã e as três da tarde já escureceu. Para quem quer saber como é a época de Natal em Londres, clique aqui pra ler o texto que escrevi a respeito no ano passado.
Após a euforia das festas de fim de ano, os três primeiros meses do ano praticamente se arrastam sem muita motivação. Assim como o verão, o inverno na Inglaterra não é tão rigoroso como no continente europeu. É possível sobreviver a essa estação com um bom casaco e uma casa bem aquecida. Quase todo ano neva em Londres, mas geralmente a neve derrete em poucas horas ou dias e causa mais disrupção nos transportes do que neve suficiente para poder brincar na rua. Nunca se sabe quando ao certo vai nevar e a quantidade de neve que vai cair, portanto nem é bom criar expectativas. Quem gosta de patinar no gelo tem várias opções de rínques espalhadas pela cidade.
Talvez a melhor época para vir a Londres seja mesmo a primavera. A temperatura começa a subir devagarinho, o sol reaparece e as flores desabrocham nos canteiros. É importante notar que ainda faz frio sendo que às vezes até neva em pleno mês de Abril. Eu cheguei em Londres no final de Abril achando que já estaria quente, mas mal sabia como o tempo é instável nessa época. Com um pouco de sorte, algumas heatwaves (ondas de calor) podem dar o ar da graça para a alegria geral. Há o feriado da Páscoa e dois feriados em Maio. Também é uma época boa para fazer viagens pela Europa: as temperaturas ainda não estão escaldantes, as atrações turísticas não são superlotadas e os preços de vôos e hotéis ainda são acessíveis.
1 comment Dezembro 14, 2009
Curiosidades
Ingrid Mantovani
Paris, França
Você sabia que no Japão as ruas não têm nomes?
Encontrei esse vídeo bem interessante sobre diferenças culturais no site de Derek Sivers .
Esta em inglês, mas é bem fácil de entender:
1 comment Dezembro 12, 2009
Como revalidar meu diploma estrangeiro no Brasil?
Fiz um curso no exterior, mas e agora? Ele vale no Brasil também?
Toda semana alguém me escreve perguntando isso e resolvi então tentar esclarecer algumas coisas sobre a revalidação do diploma estrangeiro no Brasil.
A idéia de estudar no exterior é muito legal, pode contar pontos no currículo, mas sempre devemos ter em conta que o diploma não é aceito automaticamente fora do país de expedição. Um longo processo burocrático separa a obtenção do documento estrangeiro e o direito de ostentar um título válido no Brasil.
Existe uma diferença entre revalidar um curso de graduação e um de pós graduação (mestrado e doutorado). No primeiro caso, o processo pode ser um pouco mais complicado, rigoroso, demorado e o pior de tudo, sem garantias de que a resposta será positiva. O segundo também é longo, mas as chances de ser aceito são bem maiores.
Cursos de graduação
A revalidação de diploma de graduação expedido por instituições de ensino superior (IES) estrangeiras é regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 01, de 28 de janeiro de 2002, alterada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 4 de outubro de 2007’.
O processo de revalidação é realizado por qualquer universidade pública brasileira que ministre o mesmo curso de graduação realizado no exterior (na mesma área de conhecimento ou em áreas afins). Por isso, antes de viajar de “mala e cuia”, é importantíssimo que o estudante avalie a grade curricular do curso internacional que escolheu e compare com os conteúdos ministrados pelas universidades públicas reconhecidas pelo MEC (disciplinas e principalmente carga horária). Isso ajudará a futura revalidação, pois é muito difícil que a universidade simplesmente aceite o diploma estrangeiro sem solicitar que o aluno curse algumas disciplinas e realize provas e exames, com o objetivo de caracterizar a equivalência, verificar os conhecimentos ou simplesmente complementar a formação (quanto maior o número de disciplinas semelhantes, menores as chances de ter que cursar outras).
Antes de voltar ao Brasil de vez, tenha em mãos além do diploma, a grade curricular do curso com a descrição de todas as matérias e as respectivas cargas horárias que você cursou, o histórico, as notas e todo documento que julgar importante. Para que estes documentos tenham efeitos no Brasil, eles devem estar devidamente legalizados pelas autoridades estrangeiras, e isso nada mais é que outro processo burocrático de reconhecimento de firmas. Por isso, todos os documentos devem ser oficiais e assinados por alguma autoridade da universidade e posteriormente enviados, normalmente, ao Ministério de Educação e posteriormente ao de Assuntos Exteriores do país estrangeiro (cada país tem o seu próprio procedimento, tenho mais conhecimento do caso da Espanha). Como o Brasil não assinou o convenio de Haya (que permite a reciprocidade entre documentos oficiais emitidos em diversos países) os documentos depois de reconhecidas as firmas devem ser enviados ao Consulado Oficial do Brasil no país em questão para finalmente terminar o processo de legalização.
Depois desta etapa, os documentos estrangeiros estão prontos para serem apresentados a qualquer autoridade brasileira e enfim, começar o processo de revalidação no Brasil. Em alguns casos é solicitada a tradução juramentada dos certificados (O Brasil tem acordos com alguns países, como a França, e, portanto dispensam essa exigência de traduzir).
Já no Brasil, o primeiro passo é entrar em contato com o Departamento de Relações Internacionais de uma universidade pública reconhecida pelo MEC (preferivelmente a mesma que antes de viajar você comparou os currículos). Cada universidade tem autonomia para realizar o seu protocolo de revalidação, mas normalmente os documentos solicitados são bastante parecidos: diploma, histórico escolar, conteúdo programático, bibliografia… e óbvio, o pagamento de certas taxas.
Depois disso é sentar e esperar a resposta, já que até sair um parecer, nada mais depende de você e não há um prazo estabelecido para a conclusão. O processo é longo porque é avaliado por uma comissão de professores que analisa detalhadamente todas as disciplinas cursadas no exterior e define se estão de acordo com o conteúdo ministrado pelas disciplinas equivalentes oferecidas pela mesma universidade. Em muitos casos, não apenas as matérias cursadas e as notas obtidas são levadas em conta, mas a reputação e o histórico da universidade de origem do diploma.
Cursos de pós graduação
Neste caso, a revalidação é bem menos problemática, complexa e demorada, já que normalmente os cursos são bastante específicos e geram uma dissertação ou tese mais fácil e rápida de ser avaliada.
Mas nem por isso a burocracia é menor. O processo é praticamente o mesmo: para facilitar a revalidação, antes de viajar escolha um curso que também exista no Brasil; antes de voltar legalize todos os documentos (diplomas, históricos, notas…) nos Ministérios de Educação e Assuntos Internacionais e leve até o Consulado Geral do Brasil no país de origem; procure uma universidade pública que ofereça um mestrado ou doutorado na sua mesma área de conhecimento, em área afim ou superior; uma cópia da dissertação ou da tese é solicitada e, dependendo da universidade, não precisa ser traduzida para o português.
A idéia de realizar um curso que não existe no Brasil pode ser tentadora em um primeiro momento, mas lembre-se que logo se não existem profissionais capacitados aqui para dizer se o seu diploma é válido ou não, ele não será revalidado.
Resumindo: se você quer evitar dor de cabeça, escolha um curso no exterior (seja de graduação ou de pós) que já tenha algum equivalente no Brasil; não volte para o Brasil sem a documentação (diplomas e tudo mais)legalizada pelos ministérios e logo no Consulado do Brasil; considere que cada universidade tem autonomia para estabelecer o seu padrão de revalidação, ou seja, os documentos a serem apresentados podem variar, bem como as taxas, prazos, comissões, etc., e isso também significa que se o seu processo não for aceito em uma universidade ou você não concorda com a resolução, pode tentar outra vez em outra.
Enfim, tudo que envolve burocracia é demorado e muita vez independe da nossa vontade. Como eu disse ao principio, a idéia de estudar no exterior e engordar o currículo pode ser o máximo, mas lembre-se, a pressa é inimiga se você optou por este caminho.
Mais informações:
Documentação padrão (graduação) Informações gerais (pós graduação) - Informações gerais – Caminho tortuoso – Brasil e Portugal
4 comments Dezembro 11, 2009











