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Choque Cultural: um mal necessário ?

09/04/2014

Resolvi fazer um post sobre um assunto que pode interessar a todos, viajantes temporários ou de mudança definitiva para um outro país . Um assunto meio doido, que muitas pessoas vêem como tabú ou se envergonham de falar a respeito. Não sou psicóloga, nem antropóloga, mas já vi e li muito a respeito. Também participei no passado de fóruns de discussão pela internet e acho que posso levantar o tema por aqui.

O que é o choque cultural ? De maneira muito superficial podemos dizer que se define por:

  • Um cansaço físico associado a disconforto psicológico e cultural.
  • Uma crise de identidade + ansiedade e mal estar quando num país estrangeiro.
  • Um “piripaque” momentâneo durante uma visita turística. Um “apagão”.

Tudo isso são manifestações de choque cultural, uma tema muito estudado em países que recebem um número muito grande de turistas e emigrantes provenientes de culturas muito diversas.

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Nesses 15 anos fora do Brasil já vi turista em Israel que do dia para a noite se achou a encarnação de Cristo, amiguinha brasileira que desmaiou durante uma promoção relâmpago de bolsas de grife na Galeria Lafayette,  holandês que se perdeu sozinho na Floresta da Tijuca… A lista é bem mais longa que isso, claro. E o sofrimento físico e mental acontece basicamente porque as pessoas sofreram um choque cultural, geralmente não premeditado. Ou seja: julgaram uma situação a partir de seu próprio ponto de vista cultural, sem levar em consideração a geografia / costumes / tradições / clima locais.

Para ilustrar, um exemplo bobo: Os bosquezinhos na Holanda tem caminho para os pedestres e caminhos bem marcados para os ciclistas. A intervalos regulares você vê marcadores com indicação da distância já percorrida e entre as árvores você vê à distância outros grupos de pessoas (ou até mesmo onde você estacionou o carro). Aí acontece de uma pessoa que nasceu num país assim querer visitar uma “floresta urbana” no Brasil e achar que é molinho. Proque justamente é “urbana”. Que vai ter cerquinha, plaquinha e informação a cada 100 metros. Leva um choque quando descobre que não é bem assim.  Há muitos europeus que nunca saíram da sua gaiolinha dourada e quando vão à Ásia, Amercia Latina ou cantos remotos do mundo (Alasca, Montanhas Rochosas, deserto australiano) acham que vão dominar a situação com o preparo que tem de fazer barraquinha de camping no quintal de casa. Aí já viu. É um tal de moça que cai do abismo na Turquia, casalzinho que achou hotel na zona sul do Rio muito caro e acaba dormindo na favela, garotão que se perdeu atrás da primeira duna no Sahara, marido que foi fazer a barba ali na beira do lago na Australia do lado da caravan e jacaré engoliu até as botas.  

O choque cultural não acontece apenas com pessoas provincianas, ou “fracas da cabeça”. Longe disso ! Eu já li relatos em blogs sobre garotas cosmopolitas que moravam em Amsterdam e acabaram tendo uma deprê séria. O caso que mais me marcou foi de uma canadense que veio acompanhar o namorado transferido à trabalho para Amsterdam. Veja bem: eles tinham dinheiro para gastar com turismo e bens materiais (tv, internet, celular, apartamento amplo e bem localizado), ela tinha a companhia dele que fala a mesma língua, ela nasceu num país ocidental, ela tinha inclusive uma parte da genética holandesa (um dos avós era holandês). Ainda assim caiu em depressão após um ano.  Terminou o namoro e voltou para o Canadá onde concluiu o mestrado, arrumou outro namorado e hoje vive sorrindo no blog pessoal. Acho que a depressão  no ano que viveu na Holanda foi porque tinha uma vidinha bem confortável  e independente por lá (Canadá) e por aqui (Holanda)  era… uma simples desconhecida, apenas mais uma loura no meio de tantas outras. No Canadá ela tinha uma vasta rede social de parentes e amigos. Aqui os coleguinhas da faculdades já tinham seus próprios amigos e não a incluíram (demora tempo mesmo). Depois dos meses iniciais fazendo turismo o entusiasmo murchou, amizade nova não rolou, o mestrado mixou e o namoro acabou.   

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Não há maneira 100% segura de evitar totalmente o choque cultural. Todo mundo vivendo no exterior tem numa certa medida um pouco de choque.  No entanto, se você planeja se mudar para um outro país, para reduzir o impacto do choque cultural seria bom levar em consideração os seguintes pontos:

Busque informação sobre o país que irá visitar. Informações grandes e pequenas. O transporte público é organizado e seguro ou você vai ter que fazer tudo de carro (e voce de-tes-ta dirigir) ? É um país machista ? Ou é uma país individualista (“cada um por si”) e você é do tipo que “vai para a galera”? Dá para beber água direto da torneira ? Você suporta bem a solidão ?

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Use sua sabedoria e paciência. Procure ter uma visão a longo prazo. Alguns países tem uma burocracia insuportável e tudo demora muito tempo para ser resolvido. Muito. Outros países são eficientes na burocracia sim, mas são ríspidos e desconfiados dos estrangeiros. Nem todo país é aberto e flexível como o Brasil.  

Procure ver o humor nas situações sem precisar usar de sarcasmo. Não deboche dos locais, dos costumes, da comida, do sotaque  ou da religão.  

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Tenha confiança em você mesmo. Pense que vai dominar a língua, conhecer pessoas e fazer amizades, descolar endereços de cursos e passatempos legais. Se nada disso acontecer na velocidade que você esperava, tudo bem.

Tome riscos calculados. Prepare-se em dobro se for fazer aventuras radicais, esportes extremos ou visitar lugares isolados sozinho (a). Coloque-se no lugar dos locais e pense se faz sentido o que você está planejando, se a logística está adequada. Comente com os locais seus planos e escute a opinião deles.

Não tenha pena de você mesmo, caso os locais o critiquem muito ou o isolem. Simplesmente ria do seu próprio sotaque e faça uma auto-análise.  Será que você está ouvindo bem, com atenção  ? Será que precisa fazer um curso de imersão em fonética ?  Veja se não é hora de usar outras roupas e sapatos, outro corte de cabelo, questionar seus próprios dogmas e opiniões, falar menos e falar mais baixo – ou não falar nada em várias situações.   

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Não compense as frustrações (com a nova língua, novos hábitos, incompreensão dos locais, etc.) com COMIDA. Muito estrangeiro cai de boca em todas as delícias locais como maneira de anestesiar o sofrimento. Fique de olho aberto e consciente desse perigo !

Descanse bastante à noite. O estímulo mental para um estrangeiro é muito grande. Não use as horas da madrugada para longos papos com o país de origem via internet  por causa do fuso horário. Se você tiver que trabalhar no dia seguinte vai ficar acabado.

Durante o dia tenha intervalos para comer. Isso vale para quem está fazendo turismo tanto para quem mora definitivamente em outro país. É muito comum estrangeiros que começam num novo emprego pularem o almoço para demonstrarem “serviço”. Tolice. Ou turistas que entusiasmados por tudo que estão vendo vão empurrando o almoço para mais tarde, mais tarde, mais tarde… até que desmaiam no meio da rua / loja de departamentos / museu, etc.  

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Beba água a intervalos regulares. Parece um conselho inútil mas não é não. Há pessoas que se mudam para países frios e desde então param de beber água (?!?) porque acham que não precisam mais. Come on people !  Isso provoca dor de cabeça e altera o metabolismo – que já tem que se acostumar a um novo clima.  

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Não idealize o Brasil. Algumas pessoas que se mudam para um outro país, passada a fase de lua-de-mel começam a sofrer com diferenças culturais. Nesse momento exato começam a idealizar o Brasil. Que o tempo é sempre bom no Brasil (não é ). A comida é sempre maravilhosa no Brasil (não é). As pessoas são sempre amigas, ajudam, são abertas, riem (não, não, não).  Que no Brasil há liberdade para se fazer o que se quer, sempre (oi ?!). Que o Brasil é sempre divertido, não tem preconceito… Ai, ai. Caia na real. Nenhum país é perfeito.  Nem países muito ricos e desenvolvidos são perfeitos.

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Peça ajuda emocional a familiares e amigos. A manutenção do contato social é importante para a saúde mental. Releve e perdoe se alguns familiares no Brasil começarem a agir de forma “diferente” ou não ter muito tempo para você. Releve e perdoe as pessoas do país que você adotou para morar se elas não entendem seu desabafo, não tem tempo ou jogam na sua cara: “Não está gostando daqui ? Então volte para seu país de origem !” Procure ajuda especializada psicológica se for o caso. Ouça o seu corpo e não ignore sinais (mudanças repentinas de humor, grande perda ou ganho de peso, profunda irritablidade e tédio…).  Não adie tratamento até que ser tarde demais !  

*****

Você  já passou por um choque cultural ? Como foi sua experiência ? Por quais fases voce passou (lua-de-mel / negociação / ajustamento / mestria) ?  Desabafe aqui com a gente !

Algo mais a crescentar à minha lista acima ? Concorda, discorda ? Compartilhe conosco !  

Itália e a crise. É o momento de vir, de ficar ou voltar pra “casa”?

24/03/2014

  Carla   Roma, Itália

A crise! A maledetta crise!

Pois é, ela existe, e ainda é forte.

Essa é uma das minhas respostas às dezenas de emails que recebo semanalmente. Emails de brasileiros que têm uma ligação com a Itália ou apenas a vontade e curiosidade de morar neste lindo país.

A crise é evidente e os reflexos são aqueles: alta taxa de desemprego (12,9%), aumento do índice de suicídios (sim, infelizmente é o que se vê nos jornais, famílias destruídas pelo desespero, dívidas, falta de esperança num futuro…).

Ah! A partir de amanhã se volta a sonhar.  A partir de hoje estou de novo desempregado.

“Ah! A partir de amanhã se volta a sonhar. A partir de hoje estou de novo desempregado.”

Emprego escasso e mal pago. Sim, porque na realidade emprego tem mas, ou são os que exigem alta qualificação e experiência ou são aqueles que pagam pouquíssimo, digno de piada (alguns não chegam a 3,50 euros a hora, absurdo)!

Fora que está tudo cada vez mais caro. Alimentação, moradia, gasolina, etc.

Aí é que tá! É o momento de vir para a Itália? Para quem já tá aqui, ficar ou voltar pro Brasil?

Mamma mia! É um dilema.

italia

Para os que querem vir eu pergunto primeiramente: tem cidadania italiana?

E por que faço essa pergunta? Porque sem um documento deste tipo (que permite a residência e permanência legal na Itália), as opções ficam restritas.
Pra quem não tem cidadania italiana ou de outro país europeu, residir na Itália legalmente dependerá de um Permesso di Soggiorno, possível de se obter só por motivos de Família, Trabalho ou Estudos.
Aqui também são outros 500! Esses documentos só são emitidos quando se parte do Brasil já com um visto.
- estudos: quando se tem o aceite de uma universidade, ou escola, e documentos desta para obtenção do visto no consulado italiano. O detalhe importante é que raramente um curso de italiano dá direito ao visto de estudos, então pensar em vir estudar italiano não é a opção ideal.
- trabalho – quando já se sai empregado do Brasil, com o visto emitido pelo consulado através da documentação fornecida pelo empregador.
- Família – quando se tem um familiar próximo, o qual possa dar direito ao compartilhamento do documento de permanência.

Fora isso, brasileiro só pode ficar 3 meses como turista.

E ponto.

Jamais pensar em vir e ficar ilegalmente. Não é indicado para ninguém uma vida dessas!

Agora, se tem cidadania ou tem a possibilidade de vir já com um visto,  é essencial falar o mínimo de italiano, chegar e procurar um curso, fazer contatos, porque senão fica muito difícil mesmo. Falar italiano é essencial para se arrumar qualquer tipo de emprego.
E outra coisa que ajuda: saber fazer alguma coisa, não digo nem que precise ter profissão, mas no começo ajuda se sabe fazer as unhas, sabe fazer trabalho de eletricista, de hidráulico, pintor, construção, se sabe fazer limpeza, costurar, seja o que for, já aumenta o leque de opções na hora de arrumar emprego.

Quando eu vim já se falava em crise. Mas com certeza não era como agora.

Nós arriscamos, viemos e graças à Deus deu tudo certo. Mas sinceramente, se eu não estivesse estudando, já teria voltado ou ido para outro país.

 Sou sempre a que apoia os sonhos dos outros. Por isso, se quer, se é seu sonho e tem condições de realizá-lo, batalhe para realizá-lo, mas fique ciente da situação e dos riscos.

Bem, é isso.

In bocca al lupo e baci a tutti!

Pão-pão-pão !

19/03/2014

Holandês gosta MUITO de pão. Fato. Faz parte da cultura gastonômica deles, é barato, é variado, é versátil, é pratico. E engorda.

O pão deles (brood) vai pular pra cima de você em todas as partes. Nas estaçoes de trens, nas cantinas do trabalho, em várias prateleiras do supermercado, nas festinhas de escritório e de amigos, nos churrascos.

O nosso pão francês tão popular no Brasil aqui é desconhecido. Existe uma versão plastificada, pré cozida, que deve ser umedecida e levada ao forno. No geral holandês gosta de pães bem escuros, com sementes (girassol, gergelim – bem popular) ou nozes, passas, etc.

Eu no Brasil detestava pão, desde criança. Resisti quando cheguei  aqui. Não existia fruta tropical fresca para bater com no liquidificador antes de ir para o trabalho então fazia (ainda faço) uma papa de aveia.  Eu amava papaya com iogurte no Brasil, e com frequencia esse era meu café da manhã. Apesar de hoje em dia já ter descoberto abacaxi maduro fresco, abacate e melão, papaya mesmo eu nunca vi.

Com o tempo passei a adotar pão. Aqui a cultura geral é de se comer no café da manhã e também durante o almoço, na forma de sanduíche (broodje).Isso vale tanto para quem trabalho ou para donas de casa e crianças. Há inúmeras variedades, o kaasbroodje (pão quentinho recheado de queijo), o saucijzenbroodje (massa folhada recheada de linguiça ou carne moída, também servido morno) até os sanduíches “saudáveis” (gezond) sem proteína animal (por exemplo, brie ou outro queijo com alface e pepino).

Se seu trabalho na Holanda for numa empresa grande, provavelmente há uma cantina que servirá sanduíches (e sopas compradas prontas).  Foi assim que o péssimo hábito de comer pão me pegou. Eu levava comida de casa, geralmente sobras do jantar do dia anterior para esquentar no microondas. Só que eram duas máquinas para a empresa toda e apenas 30 minutos cronometrados de almoço. E muitos colegas holandeses não apreciavam o cheiro de comida cozida e fumegante na hora do almoço nem que eu dividisse a mesa com eles prá comer meus legumes com carne. Era mais prático ou eu levar salada pronta, ou levar o próprio sanduíche ou comprar o da empresa na cantina. A variedade de pães holandeses, italianos e franceses era enorme no meu primeiro trabalho: ciabatta, baguette, pão preto com crosta de gergelim, pães de milho etc. Os recheios: diversos queijos, diversas saladas (tomates fatiados, pepinos, alfaces, rucola…) diversas pastas (amendoim, alho poró com presunto, pepino com creme de leite), cremes e molhos, diversas proteínas (frango defumado, ovos fatiados, arenque, bacalhau, etc.).  Meus favoritos são os pães com peixes

As crianças holandesas adoram pão e desde o desmame começam a mastigar com miolinho de pão. Eu comecei com minhas crianças a complementar as mamadas com banana madura amassadinha e depois purê de batata bem macio. Minha sogra se espantou. Também muitos amigos do meu marido se espantaram com o fato de eu cozinhar um almoço, ainda que simples, aos sábados e domingos (e eventualmente nos meus dias de folga). Acham pouco prático.

Ano passado eu li o maravilhoso livro Barriga de Trigo e voltei a reduzir o consumo de trigo através de pães, biscoitos, massas, etc.. Fato curioso é que li o título do livro em holandês  difere  do resto do mundo  e se chama… Barriga de Pão (Brood Buik). Achei um erro grosseiro do tradutor, já que o original é Wheat Belly (barriga de trigo).  Mas depois vi que comercialmente isso talvez tenha sido uma boa opção, já que apesar de ser louco por biscoitinhos e patisseria o holandês típico quase não come massas mas fica o dia inteiro no pão-pão-pão.

brood buik

O consumo de pão na Holanda é tão associado a um estilo de vida saudável e prático que muitos não podem nem ouvir falar nos malefícios do trigo ou em substituir sanduíche por comida cozida. Nas férias do ano passado fiquei um tempo na casa da minha sogra na França e ela ficou revoltada com minha opção de tomar suco ou comer mingau de aveia com leite de soja no café da manhã e depois salada com proteína no almoço. Ficou me questionando se eu iria retirar pão da vida dos meus filhos e porque eu ainda jantava se já tinha feito uma refeição no almoço. Até o fato de eu preferir comprar pão de spelt para as crianças do que os tradicionais pães de trigo a incomodou.

Agora, holandês só não fica incomodado com uma coisa: nas férias pagar barato por uma refeição de boa qualidade ao meio-dia. Os terraços de bares e restaurantes na Espanha, Grécia, França, Portugal e Croácia estão repletos de holandeses que estão com amnésia dos “benefícios” nutricionais do pão. Minha sogra se esbalda no quiche lorraine com salada a 12 euros e no pato com batatas a 15 euros, bien sûr.

Pra terminar, duas receitinhas malucas que vi numa revista como sugestão de sanduíche aberto:

Receita1:

Voce vai precisar de: duas fatias de pão preto, manteiga, chocolate granulado e morangos bem maduros, lavados e fatiados

Como fazer: ai, você já até adivinhou né ? Coloque as duas fatias de pão no prato, passe manteiga, salpique de granulado, espalhe os morangos por cima e deliciai-vos.

Receita 2:

Voce vai precisar de: pão branco da sua preferência, queijo de cabra (ou brie, camembert, etc.), metades de nozes, mel.

Como fazer: ai, e eu lá preciso explicar ? Corte o pão ao meio e passe mel. Coloque fatias de queijo,  salpique de nozes e refastelai-vos !

Eet smakelijk !

Estudar em uma Universidade italiana

22/02/2014

  Carla   Roma, Itália

O sonho de muita gente é estudar fora do Brasil.

Por isso, hoje passo por aqui para explicar mais ou menos como funciona o sistema universitário e as notas aqui na Itália.
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O sistema universitário é dividido em:

 - Laurea: é o curso de “Primo ciclo”, com duração de 3 anos. A graduação básica.
- Laurea Magistrale: é o curso de “Secondo Ciclo”, antiga Laurea Specialistica. Pode ser feita após a Laurea de Primo ciclo, com 2 anos de duração, ou em Ciclo Único, se não tiver ainda a Laurea Trienale, com duração de 5 ou 6 anos, dependendo do curso. Uma graduação mais completa, ja direcionada para uma área especifica. Atenção, muitos pensam que a Laurea magistrale equivale ao nosso mestrado, não é verdade.
Entrando nas pós-graduações:
- Master di II livello: É um curso de alta formação, de aperfeiçoamento científico, é como se fosse uma especialização latu-sensu no Brasil. Têm a duração de pelo menos 1 ano. São cursos caros e difícil de se conseguir bolsa. Como com a laurea magistrale, muitos pensam que um master equivale ao mestrado brasileiro. Casos raríssimos de masters foram validados no Brasil como mestrado.
- Corso di Specializzazione: Um curso de especialização, formando especialistas em determinada profissão, tem a duração mínima de 2 anos.
 - Dottorato di Ricerca: É como o nosso doutorado. Tem duração de pelo menos 3 anos e existem diversas oportunidades de bolsas de estudos. O Dottorato di Ricerca, exige que se tenha a fluência em inglês (na maioria das universidades) além do Italiano.
Existem ainda cursos rápidos de Perfezionamento, têm curta duração (2, 3 ou 4 meses em média), e pode servir para você conseguir se adaptar à metodologia de ensino italiana, e ficar mais fluente no idioma.
Para estudar na Itália é preciso validar todos os títulos de estudos no Consulado Italiano.
Por aqui as provas, ou exames, na faculdade, funcionam também de uma forma diferente da do Brasil.
Começando pelas notas, nota = voto. O voto máximo é 30, para passar, ou seja, a nota “azul” vai a partir de 18.
Tem ainda o famoso “30 e lode”, o 10 com louvor, pra gente… Mas esse tipo de nota é mais utilizada nas defesas de teses de faculdades e doutorados, não nos exames comuns.
Na faculdade aqui de Roma, por exemplo, tem o primeiro exame ou o primeiro “appello”. O aluno deve se inscrever para fazer a prova. No dia tem 2 horas para fazê-la e ainda pode escolher de entregar ou não (retirar). Os alunos que entregarem a prova e conseguirem mais de 18 podem agendar a prova oral.
Sim, tem prova oral. E leva no minimo meia hora, um bombardeio de perguntas. Damos uma folha e caneta para o aluno, caso precise esboçar formulas, gráficos, etc…
 Duas semanas depois, mais ou menos, tem outro “appello”, última oportunidade.  E da mesma forma, quem for bem deve se inscrever para a última prova oral e assim, garantir voto suficiente para passar na matéria.
Acho interessante a possibilidade de fazer outra prova, pois quem fez o primeiro appello, não agendou a oral e quer fazer o segundo appello pra ver se tira uma nota maior, pode. Mas o seguinte, se entregar o segundo appello a nota que valerá sera deste, anulando a primeira. Então só entrega quem tem certeza que foi melhor que a primeira prova, pra não sair no prejuízo.

Nada fácil,  não?

Pois a maioria dos cursos universitários aqui são integrais, os alunos tem uma infinidade de matérias, consequentemente, uma infinidade de provas escritas e orais a serem superadas….
Os alunos sofrem e os professores também!
Dica pra quem quer estudar fora: fluência no idioma, buscar muitas informações nos sites das universidades pra ver exigência de documentação alem de saber como funciona o processo seletivo, que pode variar de universidade a universidade.
A maioria das universidades italianas são publicas, mas existem taxas anuais obrigatórias a serem pagas alem de outras taxas que podem variar com a renda, portanto o melhor é se informar bem antes.
Dúvidas? Visite meu blog Sonhos na Itália ou me escreva: sonhosnaitalia@gmail.com.
Baci a tutti!

O Brasil com Z leu: O Jantar

14/02/2014

*** Os colunistas do Brasil com Z  vão começar a partir de agora a fazer resenhas informais sobre livros. ***  

Começo com um best-seller lançado em 2009 e até agora o livro mais bem vendido da literatura holandesa: Het Diner (em português: O Jantar. Em espanho: La Cena,  inglês:  The Dinner) . De apelo universal, é um livro brilhante, difícil de largar e que brinca o tempo todo com a estrutura temporal (flash-backs).  A cada hora você pensa que está seguindo um raciocínio quando, inesperadamente, os acontecimentos tomam um outro rumo.  O final é sombrio, mas muito interessante.

A estória se passa num restaurante badalado em Amsterdam com um período mínimo de seis meses  para reserva. A estrutura de livro é dividida em cinco simples partes:  Aperitivo / Entrada / Prato Principal / Sobremesa / Digestivo (epílogo).

Os nomes dos capítulos demonstra que a estória se passa no par de horas que os quatro adultos protagonistas estão jantando, discutindo um grave problema familiar relacionado aos filhos. O capítulo “Aperitivo” é lento, eu diria até desinteressante. A curiosidade do leitor  aumenta a cada garfada dos personagens. No curto par de horas o narrador, Paul Lohman,  conta detalhes sobre eventos passados:  a infância dos filhos do grupo, sua carreira, seu casamento, suas férias na França, sua doença misteriosa, as ambições políticas de seu irmão mais velho. Paul  parece muito equilibrado nos seus pontos de vista, e conquista o leitor para suas opiniões com muito bom-senso. Até que pouco as pouco nada demonstra ser o que parece: todos, todos os personagens tem “agendas secretas” e perspectivas diferentes sobre os mesmos acontecimentos. Todos desconfiam de todos e ninguém deixa transparecer o que está pensando, como num jogo de pôquer.  Quem você odiava acaba mostrando ser o único com valores morais e familiares, e disposto até mesmo a abdicar de suas ambições políticas máximas.

A estrutura simples em cinco capítulos guarda um quebra-cabeça de verdades apresentada em camadas e de modo fracionado. O leitor fica querendo ir adiante, ler mais e mais para ter dados suficientes para poder ter uma clareza da situação – sem nunca obtê-la. A crítica ao ritual e manipulações cometidas por restaurantes estrelados é hilária e dá um alívio à tensão e quebra-cabeça do livro.  Sim, a tensão é tanta que os personagens estão prestes a se espetarem e se furarem a qualquer momento e você a jogar o livro contra a parede.

Ao terminar o livro:

  • você vai querer se aprofundar sobre o assunto psicopatia, após ter sentido o gostinho desconfortável de estar dentro da cabeça de um perturbado mental.
  • Você vai rever seus conceitos de:

paternidade/maternidade.

O eterno debate Nature x nurture (natureza  x  criação).

A influência do genoma.

  • Você vai ver filminhos no Youtube sobre o crime real acontecido em Barcelona no qual o livro se baseou.
  • Voce vai concluir que a sociedade holandesa, em todos os setores (político, familiar, etc.)  é extremamente permissiva.
  • Você conclui que os quatro comensais holandeses poderiam estar em qualquer lugar do mundo ocidental, jantando num restaurante estrelado, discutindo sobre os mesmo dilemas familiares. Poderiam ser elegantes novaiorquinos, cariocas, parisienses.  Daí o livro ter sido tão bem aceito no mercado internacional.

Fatos interessantes:

A capa em holandês (bem como todas as capas das edições internacionais, com variaçoes sutis) é sempre a mesma: uma lagosta num prato, um fundo azul turquesa, o título em branco/verde ácido. Nenhum dos personagens pede lagosta durante o jantar.  No filme holandês há uma sutil referência à lagosta do livro, numa cena onde o personagem Paul Lohman observa uma lagosta num aquário.

Herman Koch foi expluso do liceu que frequentava e não concluiu o segundo grau.

O autor nas entrelinhas do The Dinner faz um deboche de como os holandeses se portam quando de férias no exterior. Um dos personagens tem uma casa na França e quer se passar o tempo todo das férias por francês (com a gramática francesa errada, cozinhando do modo holandês e achando que franceses também fazem como ele, reclamando do tempo holandês e do caráter dos holandeses mas a casa sendo situada num enclave de holandeses, com convidados holandeses etc.)  Como meus sogros tem casa na França, eu ri o tempo todo dessas situações reconhecíveis e holandeses irritantes.

O Jantar  foi encenado nos teatros holandeses e alemães  em 2012, com grande sucesso. No cinema o filme holandês já estreou em novembro de 2013  e devo dizer que apesar ainda não ter assistido, a escolha da atriz para a personagem Babette me decepcionou (no livro a personagem é descrita como sendo muito alta, muito magra, loura, etérea e de extrema beleza. A conhecida atriz holandesa Kim van Kooten é todo o oposto disso). Veja AQUI o trailer do filme holandês no youtube. Cate Blanchet irá dirigir a versão em inglês do filme, a se lançado no ano que vem. Não consegui descobrir se Cate irá também interpretar alguma das portagonistas – na minha opinião ela seria uma Babette perfeita.

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A escolha do ator holandes Jacob Derwig para o papel de Paul me pareceu excelente. Ele solicitou à Ms. Blanchett para o papel de Paul no remake americano via… Twitter (!!!).

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Sobre o autor:

Herman Koch (Arnhem, 1953) é, além de escritor, ator comediante escrachado e durante anos (de 1990 a 2005). participou  do programa televisivo  humorista/absurdista  “Jiskefet” (que  mal e mal traduzido do frísio significa “lata de lixo / cinzeiro”). Foi colunista durante anos para o jornal Volkskrant e a revista feminina Libelle. The Dinner é seu sexto livro, e o mais bem sucedido, tendo sido traduzido para 37 línguas e vendido milhões de exemplares. Koch é casado com uma espanhola de Barcelona e tem um filho: Pablo. Em várias de suas colunas já contou que é ele quem compra casacos e sapatos para sua mulher – e ambos sofrem de síndrome de pânico. Como bom holandês, Koch é poliglota e domina espanhol, alemão e inglês.  Herman Koch detesta sair pra jantar na Holanda.

Novas Rotinas na Holanda

12/02/2014
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Eu já publiquei aqui há anos atrás novos hábitos que adquiri na Holanda.

Vamos a mais alguns: 

1)      Levar fruta pra todo lado. Se eu vou dar um passeio durante algumas horas em Amsterdam ou qualquer cidade eu levo uma banana, uma maçã, potinho com uvas. Lógico, me dá energia sem eu precisar comprar porcaria na rua nem ficar enrolando o estômago com biscoitinhos.  Muitos holandeses comem religiosamente uma maçã depois do almoço. Meu marido está na fase das tangerinas e peras – todo santo dia. Meus filhos levam sempre para a pausa das 10h da manhã uma fruta, como a maioria das crianças da escola deles.

2)      Levar mantimentos e produtos de limpeza  ao sair de férias. Muuuitos holandeses que saem de férias pela Europa  fazem isso, principalmente batatas, maçãs, molho de tomate, etc. para os primeiros dias. Ora, claro que se eu vou de férias para a Espanha ou França eu compro sempre com imenso prazer nos supermercado de lá. Mas ter o basicão no seu camping ou casa alugada é uma mão na roda. Eu concluí que muitos produtos na França são superiores aos da Holanda (frutas, legumes, queijos, frango, presuntos etc.).  Mas também mais caros. Por isso produtos não perecíveis levo mesmo da Holanda, tais como  pacotes de aveia, mel, semente de linho, feijão cru, molho de tomate, macarrão, chocolate, caixas de leite de soja, azeite, detergentes, esponja, sal  etc. E volto com latas de pato na gordura, patês, vinhos e algumas especialidades locais (arroz da Camargue, crème caramel au beurre salé, refil de sabonete líquido, ervas secas da Provença, etc.). Compensa.  

3)      Na rua, olhar para a esquerda e direita. E pra frente, pra tras, pra baixo. O trânsito na Holanda não é caótico. Mas é carregado. Tem bonde, tem bicicleta. Um montão de bicicleta, com ciclistas super street wise e que se acham os tais e impõem seus direitos e preferências. E só freiam no pedal muito a contra gosto. Chove muito e tem guarda-chuva pontudo pra todo lado, e você de capuz fica com a visão lateral um pouco bloqueada. O parceiro de um colega de trabalho morreu atropelado por um bonde. Uma outra colega colidiu com um bonde e nunca mais foi a mesma. Eu atrás de um volante já levei lição de moral de holandês cilcista que achou que eu não prestei atenção ao filho dele que estava na bicicileta. Então leitores, estejam avisados: toda precaução é pouca.  

 4)      Eu me planejo. Consulto o weer.nl para saber o tempo, a cada dia. O ns.nl para saber os horários de trens, plataformas, duração da viagem. Connexxion para saber o horário dos ônibus. Eu vejo as auto estradas engarrafadas pela internet antes de ir fazer uma visita a alguém numa outra cidade. Isso tudo facilita a vida pra quem tem que pegar o transporte público ou dirigir, mas te deixa num estado permanente de alerta. Assim é a vida na Holanda: planejamento, preparação, logística, pontualidade.

 5)      Esperar pelas liquidações e comprar artigos duplicados. Em janeiro há excelentes promoções e descontos (“korting”. Não confundir com “opruiming” que é queima de estoque ou fechamento da loja identificado pelo sinal “OP = OP”). Depois do verão idem. E aprendi que muitas mães compram vários artigos com um número maior para os filhos pequenos nas promoções. Claro, em um ano as crianças já não cabem mais e aí você puxa do armário aquela calça jeans novinha cujo preço normal era 30 euros mas você pagou 10 eurinhos. Se eu encontrar calças pretas de modelo clássico das minhas marcas favoritas compro dois ou tres unidades do mesmo modelo quando estão na promoção.  Lógico, vão ser muitíssimo úteis nos próximos anos quando eu trabalhar ir a encontros sociais, etc.. Há tantas liquidações na Holanda nesses últimos anos que eu praticamente já não pago mais o preço normal para artigos de vestuário.  

6)      Ter moedas em casa sempre. Multa por dia de atraso na bilbioteca; 10 centavos. Custo de usar um toalete em lojas (Hema, lojas de departamentos, cafés, etc.) 25 a 50 centavos. Toda segunda feira doaçäo de 25 centavos “para a criança pobre” que minha filha dá na escola. É uma campanha de coleta que se estende por todo o ano escolar para arrecadar fundos para escolas na Ásia e África. Sem falar nos coletantes que batem à sua parte sacudidno um enorme cofre pedindo ajudar para “combate ao cancer”, Alzheimer, instituto do coração, etc. No fim do ano dou um euro para cada entregador de jornal / correspondência que trabalhou durante o ano. Estacionamento em Zaandam, também só pago. Ufa, haja moedas !   

Esses são alguns dos meus hábitos holandeses. Tenho mais, claro. Por outro lado, no meu blog pessoal eu publiquei os hábitos que apesar desses anos todos ainda não adquiri. Consulte aqui.

Keukenhof

24/01/2014

Apesar de aqui na Holanda ainda estarmos em pleno janeiro – com ameaça de neve, os holandeses já fazem planos sérios para a primavera.  Devido a cultura de planejar o lazer e agendar tudo com muita antecedência, até as férias de verão já são pensadas no início do ano.  Antes do Natal catálogos com campings e hotéis são enviados, e as promoções já começam a ser cobiçadas.

Voltando aos planos primaveris. Para os turistas creio que a partir de abril ser a melhor época para visitar os Países Baixos.  O frio já está reduzido e os campos de flores na Holanda do Norte começam a florir numa profusão estonteante.  Pessoalmente, quase todos os anos vou com minhas crianças de carro até Lisse (bollenstreek)  para fazer fotos com os bulbos ao fundo. E quase todos os anos os amigos e conhecidos no Brasil acreditam que  as fotos são montagens…  ou photoshop !

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A dica imperdível para quem quer fazer fotos “clichés” – mas nem por isso menos impactantes – é visitar Keukenhof, aberto de 20 de março a 18 de maio . Fui ao sítio há alguns anos atrás com uma amiga e me emocionei. Os mosaicos de flores são constantemente mantidos em condições pristinas por mãos agéis, cuidadosas e resilientes.  Um trabalho muito duro, feito com muita precisão. A criatividade do layout do parque impressiona: além das flores há fontes, esculturas, cerejeiras  e pontes formando paisagens bem bucólicas (os chamados “inspirational gardens”). Há jardins mais tranquilos e outros mais frequentados, mas sempre ha’ a possibilidade de se fotografar com toda tranquilidade.

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Alguns números:

O Keukenhof existe há 62 anos e fica a apenas 30 minutos de Amsterdam (20 minutos do aeroporto Schiphol);

7 milhões de flores de bulbos entre tulipas, narcisos e jacintos distribuídos por 30 hectares;

15 km de caminhos e trilhas para os visitantes;

5 mil orquídeas em 500 variedades;

30 exposições alternadas;

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É interessante verificar também como grandes arranjos florais são feitos na hora e a possibilidade de se visitar Keukenhof por barco ou bicicleta.

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Para mais informações e filminhos sobre Keukenhof visite (em português) :

http://www.keukenhof.nl/br/

Provavelmente irei  esse ano novamente a Keukenhof com uma querida blogueira de São Paulo que estará na Holanda em abril.  Aguardem !

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(Todas as fotos nesse post foram feitas nos campos de flores nos arredores de Lisse por Ana Fonseca) 

 

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