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A experiência de um brasileiro na China

20/01/2012
Leonardo Garin
Guangzhou, China
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Leonardo está morando na China e decidiu compartilhar um pouco da sua experiência com os leitores do Brasil com Z. Faça como ele, escreva pra gente na seção Colabore!

Fazem cinco meses que desembarquei na China. No começo tudo era diferente e estranho. Eu não falava nada da língua. Cheguei aqui apenas com o vulgo “olá”. O que credenciava os locais a iniciarem uma conversa. Aí eu olhava com uma cara de “comi azedo” e ia saindo, de fininho.

Aos poucos fui me familiarizando com a localidade e os arredores. Aprendi algumas palavras, depois de iniciar um curso de Mandarim e já começei a me sentir melhor. Conseguia perguntar e responder coisas simples tipo “meu nome é” e “quero esse”.

Aos poucos também fui explorando e entendendo mais o que é o país que mais cresce no mundo. Economica pulsante que se faz transparecer para todo mundo através dos milhões de itens produzidos aqui. Quando eu cheguei, a China já era uma realidade. Quando olhei ao redor, entendi o porque.

O país é um canteiro de obra. E a cidade que eu estou mudou drasticamente nos ultimos dois anos. O metro dobrou suas linhas de conecção e profissionalizou seus serviços. Todos os ônibus falam inglês, mandarim e cantonês (lingua local). A grande maioria das pessoas entende muito bem os comandos básicos do inglês e todos os jovens, falam inglês.

Não que o inglês possua algo intrinseco, mas pode signifar expansão. Além do mais, muitas empresas contratam falantes de lingua específica. Como no meu caso, o português. Eles querem pessoas nativas do Brasil para fechar negócios com o Brasil e isso se expande para todos os outros países economicamente poderosos.

Isso tudo sem contar o poder de organização da sociedade chinesa. De fora pode até não parecer organização, mas é. Os prédios grudados, sem sol no meio deles. A rua dica distante da entrada dos prédio. Antes temos que passar pela lojas. O metro também tem lojas. Na verdade, existem shopping centers em cada estaçãõ do centro da cidade. Se caminha 5 minutos dentro da estação até se chegar no guiche de compra de bilhetes. A maioria das pessoas credita isso ao partido comunista. Porém a China já era poderosa antes do partido! Eu ainda procuro pintas na cultura para entender esse caso.

A cultura Chinesa é complexa e muito diferente da brasileira. Porém tem caracteristicas muito silimares. Com o a receptividade. Que maravilha o povo Chinês!!! Muito receptivo e simpático. É Lógico que muitos sorrisos que recebo são pelos dólares que tenho no bolso. Mas é inegável a quantidade de pessoal legais q encontrei aqui! Digo legais, isso não inclui a capacidade de ser amigo e leal! O que pode representar problemas para brasileiros emotivos.

Enfim, existem muitas coisas a serem ditas sobre a China. Mas minhas opiniões ainda não estão suficientemente cristazidas para expor-las.

Sobre o burocrático, podem perguntar que posso tentar responder. Mas já alerto, a China não é o dragão que estão pintando por aí. Pelo menos ainda não… hehehe

Buenos Aires de cinema

12/12/2011
Gisele Teixeira
Buenos Aires, Argentina

 

Direção, roteiro, fotografia, iluminação. Buenos Aires transformou-se num dos principais destinos para quem quer estudar cinema na América Latina. São pelo menos dez escolas na capital e cerca de 12 mil alunos, atraídos pelo bom nível dos profissionais argentinos, a intensa produção (estréiam cerca de 100 filmes por ano) e o baixo custo de vida.

Além de bons centros de formação, a Argentina possui um fomentador importante, o Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA), que subsidia desde longas de diretores consagrados até documentários e filmes de animação. Esse instituto possui 22 salas espalhadas pelo país, o que garante a exibição nacional. O preço do ingresso também é subsidiado: em torno de 2 reais a inteira!

Completam este ciclo dois festivais importantes, o de Mar del Plata, para cinema mais comercial, e o Bafici, um festival de cinema independente que existe há mais de dez anos. Na ultima edição, em 2011, foram exibidos mais de 300 filmes do mundo todo.

A paixão dos argentinos pelo cinema não é de hoje. Recentemente foi descoberto aqui uma das sete versões integrais do filme “Metrópolis”, lançado em 1927 na Alemanha.

Esse filme é um clássico do cinema mudo, uma ficção científica sobre uma cidade futurística, na qual a sociedade é rigidamente dividida entre a classe trabalhadora e os “pensadores” ou “planejadores”. Foi considerado à época um dos mais caros do país, mas como não atraiu um público grande, os produtores resolveram cortar algumas cenas. Anos depois, as versões originais foram dadas como perdidas.

O que ninguém esperava é que houvesse uma delas, com 30 minutos de imagens extras, nos porões do Museu de Cinema, em Buenos Aires. Os rolos foram encontrados em 2008 por acaso – mas em bom estado – e o trabalho de restauração envolveu uma cooperação entre Argentina e Alemanha.

O Museu de Cinema Pablo Ducrós Hickens, que permaneceu fechado durante sete anos, foi reaberto recentemente, com sede nova, em La Boca. São mais de 60 mil latas de filmes desde a época muda até agora, documentários nacionais e estrangeiros, cerca de 3 mil cartazes de filmes, 360 croquis de cenários e vestuários, 1,6 mil roteiros originais, 400 pecas de roupas usadas em filmes e ainda objetos de personalidades do cinema.

Para que ninguém se decepcione, é importante destacar que o que foi inaugurado agora é apenas a primeira fase da obra e expõe menos de 10% do total do acervo, mas entre as raridades que podem ser vistas está uma das câmaras usadas pelos irmãos Lumière (há apenas outras nove no mundo).

A promessa do governo da cidade é que o prédio inteiro esteja pronto até o final de 2012, completando 450m2 de salas de exposição permanente e temporária, centro de documentação e oficinas de conservação, além de um departamento de curadoria e investigação, um centro de catalogação, uma ilha de edição, um laboratório de preservação digital.

Lista de onde estudar cinema em Buenos Aires:

Informações sobre cinema argentino
http://www.cinenacional.com/

E para validar meu diploma nos EUA, o que eu faço?

28/11/2011
Lorna
Birmingham, Alabama -EUA

 

Daí que você (quer mudar ou) muda para os EUA  já formado e não tem interesse nenhum em mudar de área e/ou iniciar um curso universitário. O que fazer para validar seu diploma e começar a trabalhar na terra do tio Sam?

A resposta é depende. Depende da sua área de formação. Aqui nos EUA a maioria das profissões exige que você seja acreditado por alguma instituição. Como no Brasil o médico precisa do CRM, aqui também existe isso, com a pequena diferença de que no Brasil, quando o médico se forma só precisa mandar a papelada para o Conselho (e pagar as taxas) que  receberá a carteira médica, aqui não, para cada acreditação precisa fazer pelo menos uma prova (e pagar as provas + as taxas).

Bom, a primeira coisa que você precisa saber é como sua profissão funciona aqui. Por exemplo, se você for médico, dentista, psicólogo a ideia de validar o diploma é péssima. Isso porque você vai gastar dinheiro e tempo. No caso dos dois primeiros, o indicado seria fazer residência. Quando a residência terminar, você “só” precisa fazer uma prova e poderá praticar a profissão aqui (tendo em vista que existem diferenças entre um estado e outro). O processo para entrar na residência aqui é meio complicado, mas possível (quer saber mais da residência médica? Clica aqui). No caso de Psicologia, exige-se que o candidato tenha mestrado ou doutorado numa universidade americana para que se consiga uma acreditação e depois é “só” fazer as provas e poder praticar a profissão. Porém, se você for formado em contabilidade no Brasil, vale a pena revalidar seu diploma aqui. Você precisará voltar a faculdade para pegar algumas matérias, entender as leis do país, os programas utilizados nas empresas etc. Precisará de estágio na área e depois de algumas provas para se certificar será contador.

A primeira coisa que você precisa saber é como sua profissão funciona desse lado do mundo e para isso precisará do google. Existem livros que explicam as carreiras como esse e esse. Eu li o primeiro deles e achei maravilhoso, entendi exatamente as possibilidades que eu tenho, o que preciso fazer para ser psicóloga desse lado do mundo. Visto isso, você começa a pesquisar nas faculdades o que é necessário para iniciar seu processo, normalmente o TOEFL é pedido, mas não é regra (por exemplo, medicina não exige qualquer teste proeficiência, em contrapartida, o candidato terá que atender 10 pacientes-atores, fazer anamnese, indicar medicação e o inglês é avaliado assim). Além dele, se o curso for de mestrado ou doutorado o candidato precisa do GRE. Caso a idéia seja fazer residência em medicina, você precisará dos steps e se for em odontologia, completar os boards te deixará mais competitivo. Outra questão importante é a tradução do diploma e outra vez é necessário que você veja nos sites das universidades. É possível fazer no Brasil com um tradutor juramentado ou a universidade lista as empresas que aceita (no Alabama eles requisitam a WES), então, veja isso direito para não perder dinheiro.

Em relação ao custo, aí sim é algo que depende e muito. Os cursos de doutorado normalmente pagam uma bolsa para os alunos e não há necessidade de pagar para estudar, em contrapartida, o aluno tem de trabalhar 20 horas/semana em laboratórios ou dando aulas. O mestrado aqui normalmente é pago, mas é possível conseguir bolsa em alguns casos. No caso de contabilidade, é necessário pagar pelas matérias que serão cursadas. O residente de medicina não paga para estudar/trabalhar e recebe uma bolsa que dá conta dos custos com aluguel, alimentação, roupa etc. O residente de odonto tem que pagar para estudar/trabalhar e é difícil receber bolsa, quando isso acontece, o valor é bem inferior aos custos.

Não, não é simples e sim, pode ser demorado e sim custa caro, mas é possível.

Curso universitário na Itália

24/11/2011
 Carla Guanais Branchini
Milão, Itália
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Muita gente tem o sonho de estudar aqui na Itália (como eu), mas as coisas não são tão simples como podem parecer.

Primeiro, para fazer uma universidade aqui, tem que ter 12 anos de estudos, e não 11 como nós brasileiros. Então significa que, ou você vem já com pelo menos 1 ano de faculdade feita no Brasil, ou tem que fazer mais 1 ou 2 anos de ensino médio aqui (que se chama superior).

Bem, antes de vir, todos os títulos de estudos devem ser legalizados pelo Consulado Italiano no Brasil, para a obtenção da “Dichiarazione di Valore in Loco”. Só assim conseguirá se matricular. Para saber como fazer, clique aqui, e veja lá no meu blog toda a lista de documento e o processo para a obtenção do documento com o Consulado.

A mesma coisa deve ser feita pra quem já fez a faculdade e quer fazer uma pós aqui.

Agora, por quê não é simples estudar na Itália?

Bem, uma porque o sistema de ensino é diferente. A maioria ou quase todos os cursos são integrais, então fica difícil trabalhar. A maioria das faculdades são públicas, sim, mas existem taxas que variam de acordo com a renda da pessoa. Claro, há oportunidades de bolsas e insenções, mas o que atrapalha mesmo é a BU-RO-CRA-CIA!

Os cursos universitários são divididos em:

 Ou seja:

- Laurea: é o curso de “Primo ciclo”, com duração de 3 anos

- Laurea Magistrale: é o curso de “Secondo Ciclo”, antiga Laurea Specialistica. Pode ser feita após a Laurea de Primo ciclo, com 2 anos de duração, ou em Ciclo Único, se não tiver ainda a Laurea Trienale, com duração de 5 ou 6 anos, dependendo do curso.

- Master di I o II livello: É um curso de alta formação, de aperfeiçoamento científico, é como se fosse uma especialização latu-sensu no Brasil. Têm a duração de pelo menos 1 ano. São cursos caros e difícil de se conseguir bolsa.

- Corso di Specializzazione: Um curso de especialização, formando especialistas em determinada profissão, tem a duração mínima de 2 anos.

- Dottorato di Ricerca: É como o nosso doutorado. Tem duração de pelo menos 3 anos e existem diversas oportunidades de bolsas de estudos. O Dottorato di Ricerca, exige que se tenha a fluência em inglês, além do Italiano. Portanto, se você se interessa, como eu, corra atrás do prejuízo e aprenda inglês!! =)

Repararem que não existem cursos equivalentes ao nosso Mestrado. Pois é. E um Master não é equivalente ao mestrado, pois não há defesa da dissertação final e tal, dificilmente será validado no Brasil como mestrado, mas com certeza é de grande valor em qualquer lugar que você chegar com um diploma deste, assim como o Dottorato di ricerca.

É possível ainda, fazer os cursos rápidos de Perfezionamento, têm curta duração (2, 3 ou 4 meses em média), e pode servir para você conseguir se adaptar à metodologia de ensino italiana, e ficar mais fluente no idioma. O problema é conseguir que os cursos abram turma. Já me inscrevi em um, fiquei super ansiosa, e no final não atingiu o mínimo de inscrições.

Se você já fala italiano ou está estudando, dê uma olhada neste site , lá explica em detalhes os tipos de cursos de nível superior.

Uma coisa que digo é o seguinte: difícil ou não, é importante não desistir do sonho. Continuar correndo atrás das oportunidades até conseguir estudar. Com certeza os estudos de joga pra frente! Aqui, no Brasil, em qualquer lugar! Estou aqui há um ano, ainda não consegui entrar na pós, mas não desisti!

Baci!

Eleições na Espanha

22/11/2011
Edu
A Coruña, Espanha

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Neste domingo tivemos eleições aqui na Espanha, com uma vitória esmagadora do PP (Partido Popular), um partido tradicional, de direita católica, que não costuma ver como bons olhos alguns direitos individuais como casamento homossexual e legalização do aborto. Mas isso fica para outro post.

Quero explicar como funciona o sistema eleitoral e politico espanhol, que é bem diferente do brasileiro, porém muito similar ao Europeu, ainda que com algumas diferenças devido a natureza política espanhola, que convenhamos, é bem “pitoresca”.

A Espanha é uma monarquia parlamentar, o que normalmente exige a eleição popular de um presidente que, uma vez eleito, nomeia um primeiro ministro, cuja posse depende da aprovação do congresso.

Bom, para começar, aqui na Espanha o presidente é eleito (indiretamente) pelo povo, mas não existe a figura do 1º ministro. Ambos os cargos são acumulados em uma só pessoa que aqui tem o pomposo título de “Presidente del Gobierno”.

O Presidente del Gobierno é eleito para um mandato de 4 anos sem limite de reeleição, ou seja, a Espanha pode ter o mesmo presidente durante décadas, caso seja este o desejo da maioria da população. O mesmo vale para prefeitos e presidentes de comunidades autônomas, um cargo executivo que não tem equivalente no Brasil, e que vou explicar no seguinte parágrafo.

A Espanha é uma colcha de retalhos, que foi sendo “remendada” depois de muitas guerras e unificações de reinos. Portanto, podemos dizer que a Espanha é um país que agrupa vários povos distintos, alguns deles com forte sentimento separatista (isto fica para outro post). A Constituição de 1978 resolveu então, dividir a Espanha em Comunidades Autônomas; e esta divisão foi feita de acordo com as características culturais e politicas de cada região.

Agora vem a parte mais louca desta divisão: Cada Comunidade Autônoma (são 17 no total) tem um Presidente e um parlamento próprio. O Presidente Autonômico tem plenos poderes sob a Comunidade que governa, estando subordinado ao Presidente del Gobierno, que centraliza todo o poder em Madrid.

Ou seja, podemos dizer que a Espanha tem 18 presidentes (um presidente nacional e 17 autonômicos).

Como exemplos de Comunidades Autonômicas temos: Andaluzia, Catalunha, Galícia, Astúrias, Pais Basco, Navarra, Baleares, etc..

Agora, vou explicar o processo eleitoral que é idêntico para todas as eleições espanholas (municipais, autonômicas e nacionais):

Bom, como já comentei antes, não existe limite para reeleição em qualquer cargo executivo. Existem muitos municípios que o prefeito está no poder há mais de 20 anos, o que é muito negativo, porque já sabemos que o poder corrompe.

O fato de um prefeito se reeleger tantos anos tem uma explicação, que é outra característica das eleições espanholas: A lista fechada. Na Espanha você não vota em 1 candidato especifico, você vota na lista do partido. E numa eleição municipal, é o prefeito quem encabeça a lista. Como a Espanha é um país dividido entre socialistas de esquerda (PSOE) e populares de direita (PP), se um município tem uma população majoritariamente de esquerda, o prefeito do PSOE vai sempre se reeleger. É muito comum um município ter uma certa inclinação politica, e fica difícil para a oposição entrar no poder.

Aliás, a politica é algo que divide os espanhóis. Basicamente existem 2 partidos (socialistas e populares), e ainda que existam outros partidos minoritários, estes dois sempre se revezarão no poder. É curioso porque a politica aqui é como um futebol. Quem é socialista SEMPRE vai votar no PSOE e quem é conservador sempre votará no PP. E isso provoca grandes discussões em bares, cafeterias e praças. Um falando mal do outro, sempre.

Bom, voltando as eleições: Vou explicar como se desenvolveu a eleição do domingo passado:

A votação aqui não é eletrônica, é em papel, e você recebe as cédulas por correio em casa. Cada partido envia sua lista oficial, portanto chegará o momento que você vai ter em casa cédulas com as listas do PP, do PSOE e de outros partidos minoritários. Se você não gostar de nenhuma lista, simplesmente você não vota em ninguém, já que GRAÇAS A DEUS, aqui na Espanha o voto não é obrigatório.

Bom, você escolhe a lista e a coloca em um envelope oficial, e o resto das listas você joga fora. Isso gera um desperdício de papel enorme, porque se cada eleitor espanhol recebe uma média de 5 listas, e joga 4 fora, estamos falando de milhões de cédulas jogadas no lixo. No dia da eleição, se você não recebeu nenhuma lista em casa, não se preocupe. Na sua zona eleitoral tem mais listas disponíveis (ou seja, mais papel desperdiçado). Este ano parece que reduziram 50% do papel normalmente utilizado nas eleições, é um bom avanço.

No dia da eleição, você vai à sua Zona Eleitoral, se identifica com sua carteira de identidade, e deposita seu voto em uma urna transparente. Normalmente o resultado sai no mesmo dia.

O partido vencedor das eleições indicará o nome do presidente, que será aprovado pelo congresso por maioria absoluta ou maioria simples. Tudo dependerá das alianças pelo partido, o que alias é outra coisa curiosa. No Brasil, os partidos fazem suas alianças antes das eleições. Aqui não. Primeiro os partidos esperam os resultados, e depois eles se reúnem para decidir as alianças: Vou dar um exemplo:

A figura acima (que não ilustra a realidade atual) mostra a composição de cadeiras no congresso espanhol. Após as eleições o PSOE foi o vitorioso ganhando 162 cadeiras e o PP ficou com 160. As outras restantes ficaram para os partidos minoritários. Apesar do PSOE ter ganhado as eleições, o PP pode ficar com o poder se conseguir aliar-se com algum partido minoritário, juntando todos seus votos.

Nesta ilustração fica claro que o PSOE e o PP irão lutar pelos votos dos partidos minoritários, já que a diferença entre os dois partidos foi somente de 2 votos. Existe, no entanto, algumas dificuldades. Existem partidos minoritários de inclinação progressista, que jamais se aliariam ao PP, assim como outros partidos de tendência conservadora não fariam nenhuma aliança como o PSOE. Portanto, cada voto de cada partido conta para determinar o grande vitorioso.

Um pouco confuso, não?

* Se quiser continuar lendo sobre o assunto, lá no blog pessoal Coisa Parecida – da Glenda, que também mora na Espanha- tem uma crítica às Eleições Espanholas 2011 e o sistema de eleição.

Prós e Contras de Estudar nos EUA

18/11/2011
Renato Silveiro Alves
Orlando, Flórida – EUA
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Projeto final de Fundamentos do Design

Irei contar os prós e os contras de estudar nos EUA, especialmente em Orlando na Flórida. Já ouvi de todos por aqui que na Califórnia ou ao Norte é bem diferente. Muitas coisas são típicas aqui do sul. O que irei descrever tem muito a ver com a faculdade que estou no momento, a IADT Orlando. Existem muitas coisas que são específicas de escola para escola e não dá pra descrever uma coisa só para todas. Muito do meu relato vem de experiência pessoal.

No geral eu acho que estudar aqui é mais fácil que no Brasil. Enquanto no meu último semestre na UNESP eu carreguei 13 matérias, aqui eu só curso três por vez. Em três dias da semana. Cada dia da semana, uma matéria só e as aulas têm a duração de 5 horas. Para cada hora de aula assistida, espera-se do aluno que estude, desenvolva projetos e trabalhos por, pelo menos 2 horas em casa. Às vezes esse período pode ser multiplicado por quatro, principalmente no final do trimestre com os trabalhos finais.

Prós

Tecnologia disponível. A escola tem aparelhos e programas de última geração. Biblioteca com grande acervo de livros, filmes e DVDs disponíveis. Pelo portal da faculdade, todas as lições e trabalhos, suas notas, participação e outras informações estão disponíveis. Os laboratórios de computação são muito bons e tem-se a opção de trabalhar em Windows ou mesmo em Mac.

Bons professores. A grande maioria dos professores são muito bons com, no mínimo mestrado. Os professores são muito acessíveis, gentis e interessados no seu aprendizado. Pegar matérias com professores doutores é realmente um desafio, eles exigem muito mais dos alunos. Se você não comparece à aula, recebe um email do professor e um telefonema por parte do seu advisor. Precisa-se explicar porque não compareceu à aula e isso fica registrado no histórico escolar.

Estacionamento grátis. Em Orlando o que mais existe é lugar para estacionar e com exceção do centro da cidade, em qualquer lugar os estacionamentos são de graça.

Poder voltar à faculdade depois de formado. A maioria das escolas particulares como a minha, você pode, depois de formado, voltar e assistir qualquer aula novamente sem pagar por isso. De vez em quando temos alunos na sala de aula que se formaram há alguns anos e que voltaram para se atualizar em programas que não estavam disponíveis na época em que eram estudantes. Mesmo quem quer fazer uma matéria novamente pode fazê-lo, quantas vezes quiser. Eu cursei desenho I e Sketching and Rendering duas vezes e pretendo fazer a última pelo menos mais uma vez antes da formatura.

Associação com professores e funcionários. A escola tem diversos eventos, piqueniques, festas e viagens onde professores e funcionários comparecem com suas famílias.

Em visita da faculdade a uma casa sustentável com amigos americanos

Auxílio econômico e psicológico. Quem estiver passando por dificuldades financeiras, pode receber ajudar alimentação, transporte e vestimenta. Existe um psicólogo disponível para conversar e encorajar os alunos. Pode-se marcar hora com o profissional sem ter que pagar consulta. Todo mundo precisa cuidar do psicológico não é? (rsss)

Aulas particulares. Pode-se ter aulas particulares com os próprios professores ou tutores sem pagar por isso nas instalações da faculdade.

Job Hunting. A escola possui uma micro agência de empregos que ajuda os estudantes a encontrar estágios e empregos antes e depois da formatura. Também corrige e elabora currículos e portfólios.

Facilidade de fazer amigos. Quase todos na faculdade são muito gentis e faz-se amizade com muita facilidade.

Contras

Transporte público. Orlando não existe metrô e o número de ônibus é pequeno. Muito pelo fato de os carros e a gasolina serem muito baratos. Então se você deseja ser Green (como eu), não tem a opção de deixar o carro na garagem e usar o sistema de ônibus. Eu levo 15 minutos para ir de carro. Precisaria pegar 2 ônibus para o mesmo percurso e gastar mais de duas horas para ir e 2 horas para voltar. Infelizmente não compensa.

Bolsas de estudo difíceis de conseguir. Se você não pertence a nenhuma minoria, se não é negro, hispânico, mulher, mãe solteira, asilado, militar, pobre, entre outros, é difícil conseguir bolsas de estudo. Mesmo sendo um aluno exemplar as bolsas são dadas primeiramente a americanos (todos os cidadãos inclusive porto-riquenhos ou portadores de Greengard), depois “se sobrar” para estudantes internacionais.

Financiamento caro. O governo financia 100% dos estudos para cidadãos, inclusive material escolar, estadia, alimentação e seguro saúde. No entanto todos têm que pagar. Faculdades e Universidades públicas aqui são pagas, mas o governo financia com juros baixíssimos e sem burocracia para conseguir o financiamento, uma vez que o aluno foi aceito. Por isso é possível uma pessoa pobre fazer medicina, se quiser. Mas, para estudantes internacionais o financiamento só vem de bancos com juros altos (embora mais baixos que os do Brasil). No entanto, fáceis de conseguir se sua família tem bom salário no Brasil.

Material escolar caro. Tudo na loja da faculdade é muito caro. Livros custam em média 200 dólares. Eu compro os meus usados na Amazon.com ou empresto de estudantes que estão em trimestres mais avançados. Essa é a vantagem de ser amistoso e ter amigos. Fiz muitos destes amigos nos eventos da faculdade ou dando ajuda para pessoas com dificuldades em matemática.

Inglês escrito. O inglês acadêmico é completamente diferente de tudo o que se estudou de inglês no Brasil. Todas as matérias têm apresentações em Power Point, redações e projetos que têm que ser escritos no formato MLA (Modern Language Association). No princípio foi muito difícil, tive que esquecer o que sabia, e começar tudo novamente.

Lei de plagiarismo rígida. Prós para uns (como eu), contra para outros. Só está aqui por que me lembrei agora. Todas as redações são submetidas eletronicamente e um programa de computador analisa a porcentagem de similaridade entre a sua redação e tudo o que existe na internet e no banco de dados da faculdade. Até 24% é considerável aceitável (porque quando se faz citações de textos famosos o programa reconhece). Se der 100% significa que você entregou a redação de outra pessoa. Neste caso o aluno é expulso e plagiarismo fica no histórico escolar para sempre. Um garoto da minha sala que comprou na internet um trabalho e o submeteu foi expulso no ano passado. Todos morrem de medo disso. No início do curso, um vídeo foi mostrado com um número enorme de pessoas, jornalistas, escritores, editores e outros americanos famosos que foram pegos em plagiarismo e perderam seus empregos ou tiveram suas carreiras arruinadas (é claro, tudo foi provado). Então esqueça o “copiar e colar” da internet. Tem que escrever tudo nas suas próprias palavras, mesmo assim, se as idéias forem de outros e não citar a fonte (no texto) ainda é considerado plagiarismo.

Abuso da tecnologia. No verão morre-se de frio dentro da faculdade por causa do ar condicionado e no inverno, passa-se calor.

E por último, tenho que dizer infelizmente…

Racismo. Existe um racismo muito forte nos EUA. Negros e hispânicos se ressentem muito do americano branco e todos são atacados mesmo sem motivo. Estes se comportam muito mal nas aulas e nas dependências da faculdade, como se desafiassem alguém a dizer a alguma coisa porque a lei os protege. Em aulas onde o professor é branco eles desafiam a todo o momento a paciência e autoridade do professor e dos outros alunos. Em aulas onde o professor é negro ou hispânico, eles tornam-se santos. Ouvi de uma professora negra que eles irritam de propósito e depois se fazem de vítima dizendo que foram vítimas de racismo. Ela ainda me disse “É provado, sabia?” Quando você faz um ótimo trabalho, a maioria dos alunos americanos brancos elogiam e até pedem ajuda. A maioria de negros e hispânicos tentam encontrar qualquer falha e pouquíssimos tem um elogio sequer a dizer. Não gosto de generalizações, mas tenho prestado muita atenção a isso (há exceções, é claro, e ao norte “dizem” que é bem diferente). Para quem foi criado no Brasil e que não sentia isso na pele, é difícil ser maltratado por ser branco (ou branquelo como já fui chamado). Também são a grande maioria dos que não entregam trabalhos e lições. Chegam atrasados, reprovam e sempre estão metidos em confusões. Mas a culpa nunca é deles…

Trabalho final de Interior Design I para converter uma casa comum em um projeto sustentável

Kitchen and Family room elevation

No projeto da mesma casa o cliente pedia um estudio de Fashion Design

Dicas para quem planeja fazer uma graduação na Espanha

16/11/2011
Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha
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Muita gente me escreve perguntando como fazer um curso de graduação na Espanha. Pode ser um pouco complicado para quem está no Brasil entender se por aqui existe alguma espécie de vestibular, ENEN ou coisa parecida, ou seja, descobrir o que fazer para ter acesso ao ensino superior espanhol.

Basicamente, existem 3 maneiras de estudar uma graduação no exterior: fazendo intercâmbio, começando desde o principio ou pedindo uma transferência.

Intercâmbio é quando você está matriculado em uma universidade brasileira e decide passar uma temporada fora, cursando algumas matérias em uma universidade estrangeira. Normalmente depende de acordos entre ambas as universidades, principalmente na hora de convalidar as disciplinas feitas no exterior.

Mas é cada vez maior o número de brasileiros que pensam em começar uma graduação no exterior e, neste caso, decidi dar uma mãozinha para quem quer mais informações sobre o assunto.

Como sempre, a questão pode ser um pouco complicada, então vamos por partes.

Infelizmente, o Brasil não tem nenhum tipo de acordo de reciprocidade com a Espanha, que facilitaria bastante a entrada em uma universidade espanhola (e vice versa). Sendo assim, o primeiro passo a tomar é pedir a convalidação do seu diploma brasileiro de ensino médio ao diploma espanhol de “bachillerato” ou do seu ensino médio profissionalizante ao título espanhol equivalente. Esse processo é feito junto ao Ministério de Educação Espanhol e se você não se encontra em solo espanhol, pode pedir no Consulado Espanhol mais próximo da sua cidade, pelo correio ou até mesmo pela internet (os documentos originais são apresentados quando o processo é aprovado). Mais informações aqui.

Com o diploma convalidado em mãos, vem o seguinte passo que é a realização de uma prova de acesso à universidade (PAU, também conhecida como “selectividad”), que permite que os aprovados escolham uma universidade de acordo com as médias obtidas no exame. No caso de estudantes estrangeiros, esta prova é organizada pela UNED (Universidad Nacional de Educación a Distancia) em todas as províncias espanholas e também em algumas capitais da América Latina, Europa, Marrocos e Guinea (no Brasil é feita em São Paulo, no Centro de la UNED Miguel de Cervantes). São duas convocatórias anuais, normalmente em princípios de junho (inscrições em abril) e setembro (inscrições em julio). Em alguns casos convém fazer provas específicas para o curso que você escolheu para aumentar a sua nota.

Feita a PAU (e aprovando com média igual ou superior a 5), você pode solicitar vagas por ordem de preferência em cursos de graduação oferecidos por universidades públicas de uma mesma comunidade autônoma, esperar que seja publicado o ponto de corte e a lista com os candidatos aprovados e depois seguir os prazos de matrícula específicos de cada universidade. Se você escolher uma Universidade Privada, as provas de admissão podem ser diferentes e específicas.

Mas e quem está decidido a largar a universidade no Brasil e continuar seus estudos na Espanha? O processo é feito diretamente na universidade escolhida para finalizar o curso. Neste caso, se solicita uma convalidação parcial dos estudos e os prazos e documentações exigidas são estabelecidos por cada universidade. Vale a pena lembrar que pelo menos já devem ter sido cursados na universidade de origem 30 créditos (ou 5 disciplinas, dependendo da carga horária e do número de vagas no curso escolhido).

As universidades espanholas são obrigadas a dedicar de 1 a 3% de suas vagas a estudantes estrangeiros, mas essa porcetagem também é livre e depende de cada universidade ou curso.

Se você tem mais de 25 anos e não tem ensino médio, saiba que a Espanha tem provas específicas para maiores de 25 anos entrarem na universidade, bem como para maiores de 40 anos (neste último caso em alguns cursos específicos mediante comprovação de currículo profissional e entrevista).

Aconselho a todos que buscam informações exatas a visitar o site do Ministério de Educação. Aqui estão as dúvidas frequentes sobre a PAU.

Boa sorte!

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