Notícias sobre a crise na Espanha
Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha
.
É impressionante, mas nas últimas semanas tenho recebido muitos e-mails de brasileiros perguntando sobre a real situação econômica da Espanha, se vale a pena vir para cá, se tem emprego… Acho que a Espanha está na midia no Brasil e o pessoal que tinha planos de vir para cá resolveu se apavorar. E olha, não é para menos. Resolvi escrever um desabafo e contar uma parte da história, um pouco do que vem acontecendo aqui há alguns anos, mas que parece que perdeu o controle há alguns meses. Espero que consiga responder àquelas pessoas que ainda pensam que se pode ganhar a vida por aqui.
CRISE. Assim, em negrito e em maiúsculas. De preferencia gritando, ou melhor, falando num megafone. Para quem está dentro da Espanha, não preciso dizer mais nada. O povo está sofrendo na pele o significado e as consequências dessa palavra. Palavrinha pequena que em castelhano se escreve sempre no plural, «crisis», como uma espécie de pleonasmo enfatizando a sua extensão.
Quem está fora, nem sempre entende. Não sei que tipo de notícias chega ao Brasil sobre a realidade da Espanha, e da Europa em geral. Acontece que a «Europa» é um continente, e como tal, tem suas adversidades e complexidades. Europa é uma coisa, Espanha é outra, mesmo fazendo parte do todo. E se a Europa está mal das pernas, mas ainda consegue se manter em pé devido a força da Alemanha entre outros, a Espanha, como país, está quebrada. Economicamente falando e, em muitos casos, socialmente falando. QUE-BRA-DA.
Alguns falam da perda de uma geração inteira. Jovens recém-formados que não vão conseguir um trabalho nos próximos 10 anos. Adultos com mais de 40 anos que ficarão sem trabalhar até ter idade para se aposentar. Adolescentes que entram na universidade sem expectativa nenhuma de futuro. Para muitos, a crise é mais que econômica, é uma crise de auto-estima, de utilidade, de amor próprio.
A situação, desde o meu humilde ponto de vista, é bastante caótica. Vejam bem, não sou economista, nem socióloga, mas me considero uma pessoa inteligente e informada. E esse pequeno texto está longe de ser uma análise teórica sobre a crise na Espanha. Não me arriscaria a tentar descrever todo o problema e seu contexto, pois mesmo vivendo aqui há quase sete anos, não tenho conhecimentos suficientes. Depois dessa desculpa, acho que posso seguir escrevendo simplesmente o que sinto…
Por um lado eu sinto tristeza. Faz 30 anos que vendem a este povo um ideal de felicidade. A maioria das pessoas que eu conheço e conheci, ou são funcionários públicos, ou trabalhavam na construção civil, ou, de certa forma, eram financiados pelo governo ou pela «Europa» (estou falando das inúmeras ONGs e todo o pessoal que vivia da Cooperação Internacional e de serviços sociais terceirizados pelas administrações). Estou generalizando bastante, mas arrisco a dizer que 90% dos meus amigos são arquitetos ou trabalhadores sociais (isso significa que fizeram serviço social, aquela faculdade que sempre sobra vagas nas universidades brasileiras – ou pelo menos no meu tempo de estudante era assim). E todo mundo tinha emprego. O país vivia da construção civil e dos serviços prestados à população. Quebrando o setor imobiliário e o governo ficando sem um tostão, obviamente, todo mundo ficou sem trabalho.
Pouca gente tem seu próprio negócio. A Espanha é um dos piores países do mundo para abrir uma pequena empresa, tamanha a burocracia e a quantidade de impostos (ganhando apenas de alguns países da África). Dessa forma, não me estranha que a maioria espere uma saída que venha das mãos do próprio governo. Foram preparados para trabalhar muito e ganhar medianamente, com contratos supostamente indefinidos. A estes, que eram a maioria, os bancos davam empréstimos para que pudessem comprar sua casa e seu carro, e ainda gastar em comprinhas. Hoje se diz que uma pessoa tinha um SDM («sueldo de mierda» – salário de merda) e vivia DPM («de puta madre» – ou seja, muito bem). Qualquer «mileurista» (1000€ era a média dos salários do povão) conseguia uma hipoteca e adquiria uma dívida muito superior a sua real condição de vida, mas que seria paga em cômodas prestações durante os próximos 40 anos.
Esta semana vi uma reportagem na TV que dizia que a maioria dos espanhóis vive por debaixo do nível de pobreza. Os entrevistados reclamavam que não conseguiam pagar a conta da internet. Realmente, pobreza de primeiro mundo não é a mesma pobreza que a gente conhece. Agora culpam a população por querem viver acima das suas «possibilidades». É verdade, mas por vezes acho injusta esta afirmação… te fazem acreditar que isso é felicidade e agora te puxam o tapete. Complicado.
E é por isso que eu sinto raiva. Óbvio que aqui ninguém é totalmente bom ou mau e muita gente disfrutou bastante nos tempos das vacas gordas, mas a “grande culpa” (desculpem, mas estudei em colégios de padres) está longe do cidadão comum. Culpe quem for: bancos, multinacionais, capitalismo… Só que grandes culpas também afastam as boas soluções para outras estâncias. Novamente estamos colocando o futuro nas mãos daqueles que detém o poder econômico… eles que resolvam o problema que criaram. E pior de tudo é que vão resolver a sua maneira e em benefício próprio, está claro.
Tudo começou com um recorte de salários aqui, uma diminuída no orçamento da educação ali, um postinho a menos acolá. Aumento dos impostos. Criação de contratos de trabalho que beneficiam somente os patrões. Proibição de atendimento médico a estrangeiros ilegais (inclusive a pessoas com doenças graves como Aids). Enfim, um desmantelamento progressivo do Estado de Bem Estar. E quando muita gente pensava que já não se podia cair mais baixo, começou a onda dos despejos.
A questão dos despejos merece um post aparte. Inclusive a «Europa» já criticou a política dos “despejos express” que está sendo aplicada pelo governo espanhol. Pois aquela gente que ganhava um SDM agora não ganha salário nenhum, e a vida DPM acabou virando um inferno. Sem dinheiro para pagar a hipoteca, veem seus apartamentos embargados pelos bancos e são colocadas no olho da rua. Famílias inteiras, sem trabalho, sem dinheiro e sem ter para onde ir (lembrem-se que eu disse que o nível de pobreza daqui não é o mesmo do Brasil, por exemplo, onde quem tem com pouco dinheiro constrói um puxadinho da casa de algum parente e se muda pra lá).
Mas no meio de tanta coisa ruim eu consigo sentir alegria. Em Sevilla, assim como em muitas outras capitais do país, diversos grupos de movimentos sociais estão se organizando e lutando a favor do direito universal a uma habitação digna. A Plataforma de los Afectados por la Hipoteca, a Stop Desahucios, integrantes do 15-M, e mais uma série de pessoas dos mais diversos âmbitos da sociedade, estão se reunindo e apoiando a ocupação de residências vazias nos centros das cidades.
Aqui do lado de casa ocuparam ontem um edifício que fazia anos que estava desocupado. Pertence a um banco, o mesmo banco que não concede mais hipoteca a ninguém, que tampouco negocia qualquer tipo de dívida e que emite a cada dia inúmeras ordens de despejo. É um ato reivindicativo, para mostrar ao povo, aos governos e ao mundo que o problema da habitação é que existem “gente sem casas e casas sem gente”. Corrala La Ilusión. Assim se autodenominam os ocupantes.
É complicado resumir em um texto toda a loucura que estamos vivendo aqui. É tudo meio surreal, observar como se desmorona todo um sistema. Hoje em dia, um emprego é um luxo. E com contrato, isso sim é uma ilusão. Parece piada, mas nas últimas semanas recebi diversos e-mails de brasileiros perguntando como está o mercado de trabalho aqui. Preciso dizer algo mais? Não gosto muito de estatísticas, mas para este caso eles resumem tudo: mais de 25% da população ativa desempregada, 52% de desemprego juvenil. Definitivamente, a Espanha não está no seu melhor momento.
E o desanimo contagia. O lado bom é que a ilusão também. E eu prefiro me agarrar a esta última. Veremos se conseguimos juntar os pedaços quebrados e chegar a algum lugar, um lugar melhor.
*****
Quer saber mais sobre a vida na Espanha? Visite o blog Coisa Parecida
Thiago FernandesLiverpool, UK
O Thiago mora em Liverpool e através da nossa seção COLABORE mandou um texto sobre “estudar na grã-bretanha”. Participe você também, expatriado e expatriada de qualquer canto do mundo! O Brasil com Z está sempre de portas abertas para publicar informações interessantes sobre o cotidiano de brasileiros e brasileiras que moram no exterior e estão dispostos a compartilhar suas experiências.
Eu tenho alguns amigos que querem vir estudar aqui. Uns querem fazer curso de Inglês, outros querem fazer um curso universitário ou de pós-graduação. Nessa hora sempre surgem dúvidas quanto a equivalência dos estudos do Brasil com a educação Inglesa. As diferenças são muitas, porém vou tentar explicar as principais:
• Lembre-se que as estações do ano são invertidas aqui por estarmos no hemisfério norte. Isso quer dizer que as férias de verão aqui são as férias de inverno do Brasil. Ou seja: o ano acadêmico no Reino Unido começa em Setembro enquanto que no Brasil começa em Fev/Março.
• No Reino Unido não há vestibular. A sua aceitação nas universidades é processada através de um sistema único eletrônico chamado UCAS. Lá você pode escolher cinco opções de cursos/universidades e a sua aceitação é considerada pelas instituições levando em conta os seguintes pontos: 1) seus resultados nos exames de A levels*; 2) suas habilidades pessoais, que são avaliadas através do seu “Personal Statement” (carta de apresentação obrigatória que você envia explicando porque quer fazer o curso escolhido), por vezes o candidato é chamado para uma entrevista; 3) sua carta de recomendação, que deve ser submetida por um professor (ou chefe do seu trabalho se você já deixou a escola há muito tempo), você preenche o nome e os dados do seu “referee” e ele recebe um nome de usuário e senha para entrar no sistema e submeter a carta de recomendação.
• Exame de IELTS (caso você não seja Britânico e sua língua materna não seja o inglês), a pontuação exigida no IELTS varia de acordo com o curso e universidade que você deseja cursar.
*No Brasil o ENEM pode ser considerado um equivalente próximo dos A Levels Britânicos. Porém como no Brasil não há um exame “exatamente” igual aos A Levels, você teria três opções para ser aceito em um curso superior aqui: A) Cursar um ano de “Foundation” (também chamado de Year 0) oferecido pela universidade. B) Fazer um “Access to Higher Education Diploma” oferecido por algum college. C) Cursar o primeiro ano no Brasil do curso que você deseja fazer aqui, muitas universidades aceitam isso como substituto das outras duas opções acima.
PÓS-GRADUAÇÃO
Para aceitação nos cursos de pós-graduação aqui geralmente são necessários os mesmos itens anteriores, só que ao invés dos “A Levels” você necessita ter um Diploma de Bacharel de uma universidade reconhecida devidamente validada pelo NARIC (Órgão usado pelo governo Britânico para validar e reconhecer Diplomas internacionais).
Note nesta tabela que os cursos de Bacharel na Inglaterra têm duração de 3 anos (comparado com 4 anos no Brasil). Algumas universidades no Reino Unido oferecem graduações de 4 anos, chamadas de Master’s Degree, aonde o quarto ano é estudado em nível de Pós-Graduação. Enquanto no Brasil você se forma ou é reprovado, na Grã-Bretanha o título do seu diploma faz referência às suas notas durante o curso. Exemplo: As pessoas que cursam a mesma graduação receberão diplomas com títulos diferentes dependendo das notas obtidas.
Os tipos de diploma são:
First class honours (1st) – Apenas cerca de 10% dos alunos conseguem esse título por ser necessário notas maiores a 7.0 durante todo o curso para obtê-lo. Second class honours, upper division (2:1) – Média de 6.0-7.0 nas notas. A maioria dos alunos no Reino Unido se formam com esse título.
Second class honours, lower division (2:2) – Média de 5.0-6.0 nas notas. Não é ideal, mas ainda aceitável pela maioria das empresas e o mínimo para poder fazer pós-graduação.
Third class honours (3rd) – Média de 4.0-5.0 nas notas. Cerca de 20% dos alunos se formam com esse degree. Não é bem visto por empregadores.
Ordinary degree (Pass) – Média de 3.5-4.0 nas notas. Basicamente só serve pra dizer que você esteve na faculdade e passou raspando. Com esse diploma você não vai chegar muito longe em termos de emprego no Reino Unido e nem vai poder fazer pós-graduação.
Então cuidado: Não é suficiente somente ter um diploma de bacharel para ser aceito em um curso de pós-graduação. As notas que você tirou ao longo do curso contam muito!
JOINT HONOURS
Essa é a minha parte preferida: A flexibilidade dos cursos universitários Britânicos. Exemplo: Digamos que você gosta muito de História, porém também ama Espanhol. Você pode se formar em História/Letras Espanhol (O famoso “Joint Honours”). Ou seja, você estuda duas disciplinas e sai graduado em ambas. O título do seu diploma vai depender da quantidade de créditos que você estudou de cada matéria. Major-minor: Se você estudar História como mais de 50% dos créditos, você se formará em History Major e Spanish Minor. Joint: Cada matéria foi estudada 50/50. Você se formará em Joint Honours History/Spanish.
FEES
Lembre-se que os Fees (Anuidade) para alunos de fora da União Europeia é consideravelmente mais alto. Os cursos são pagos a cada “Term” e não por mês. Para estudantes estrangeiros às vezes o pagamento deve ser feito pelo ano acadêmico inteiro por questões de imigração.
ANO ACADÊMICO O ano acadêmico Britânico é dividido em três terms: Autumn Term/Michaelmas/First (Set – Dez) Spring Term/Lent/Second (Jan – Mar) Summer Term/Easter/Third* (Abr – Jun) *Exames de Avaliação
Anatê Merger
Aix-en-Provence, França
.
“Quem me deu a dica pela primeira vez foi o escritor inglês Peter Mayle, numa entrevista sobre como aproveitar ao máximo a Provence. Ele foi simples e certeiro: escolha uma base, alugue um carro e planeje uma série de viagens. Trata-se, de fato, da melhor maneira de conhecer a região. Agora, a escolha da base pode ser uma coisa complexa: vilinha de cem habitantes ou cidade maior? Campo ou cidade? Montanha ou vila medieval? Eu voto de cara na cidade que eu considero uma das mais lindas do mundo: Aix-en-Provence. Por quê?
1) Porque Aix está mais bem localizada impossível. Em outras palavras: 20 minutinhos de Marseille, meia hora de dezenas de vilas encantadoras, 40 minutos de Avignon e dos vinhedos de Chateneuf-du-Pape, pouco mais de uma hora de St.-Tropezou Cannes, na Côte D’Azur, duas horas de Nice, Mônaco e da fronteira da Itália.
2) Porque, com quase 150 mil habitantes, é uma grande pequena cidade. Em outras palavras: tem ares de cidade pequena, mas tudo que uma cidade grande tem de melhor (cinemas, Fnac, bons mercados, boas lojas…).
3) Porque é possível ficar tanto no centro histórico, charmosíssimo, quanto em casas nos arredores, onde a sensação é a de estar imersa no campo a mil anos luz de distância da civilização.
4) Porque há feira de rua três vezes por semana: terça, quinta e sábado.
5) Porque é a cidade de Cézanne, e é possível seguir os passos do pintor por toda parte, além de visitar seu ateliê e ver de perto as paisagens pintadas por ele.
6) Porque a cidade fica aos pés da montanha de Sainte-Victoire, a musa inspiradora de Cézanne, linda e imponente, ótima para passeios de bike pelos seus arredores.
7) Porque a Coeurs Mirabeau é uma das ruas mais lindas do planeta, e está ladeada de cafés super charmosos que vivem cheios de gente de bem com a vida, tomando o seu rosezinho de cada dia.
8 ) Porque a cidade é servida pelo TGVe, querendo, Paris está a um pulinho (três horas de distância).
9) Porque é a capital mundial dos calissons, aqueles docinhos delicadíssimos feitos com amêndoa.
10) Porque o aeroporto de Marseille (Marignane), na verdade, fica a meio caminho entre Aix e Marseille (ou seja, do lado), e recebe vôos (inclusive de low-costs) de dezenas e dezenas de cidades européias.”
Texto de Rachel Verano, do blog Viajar Bem e Barato.
Anita Amsterdam, Holanda
.
Semana passada um colega do meu trabalho estava todo animado para a parada gay que iria acontecer no Sábado. Desde quarta-feira ele não conseguia conter a animação por sair num dos barcos. Quinta-feira fazia dancinhas com os braços e o pescoço. Sexta feira assoviava as músicas, caía na risada por cantar fora do tom e tampava a boca com as mãozinhas rechonchudas fazendo “hihihi !”.
Sábado levei minha câmera fotográfica para a casa de uma colega em Amsterdam. Ele, o colega que iria desfilar em um dos barcos, prometeu que nos enviaria uma mensagem ou ligaria antes de passar pelo canal onde estávamos na varanda.
Turco, baixinho, beeeem gordinho e animadíssimo, esse colega tinha saído há pouco tempo do armário. Eu sempre soube que ele era gay e o conheço faz muito, muito tempo. Mas faz pouco tempo que ele se sente à vontade para comentar sobre o assunto.
Estávamos eu e uma colega empoleiradas na varanda do flat dela quando enviamos uma mensagem para ele. Ao que ele respondeu: “Fui retirado da lista das pessoas que iriam para o barco de última hora. Mas estou me divertindo com meus amigos”.
Minha colega disse com tristeza “Ahhhh…”.
Decepção.
Analisando os participantes dos barcos que passavam lá embaixo, só via corpos magros e esculpidos. Alguns carecas, é vero, mas ninguém peludão ou gordão por exemplo. E meu amigo é gordão e peludão.
Pensei no meu colega, que na verdade posso dizer que é um amigo:
Personalidade sempre borbulhante, gentil, generoso. Não é supérfluo. Gosta de estar cercado de pessoas. E de comer bem e muito. Careca, muito redondo, parece um bebezão. E peludão!
As bibas acharam que ele não tinha estampa para adornar o barco. Só pode ser esse o motivo. E detalhe: ele foi barrado também do barco no ano passado. Por outros organizadores.
Ou seja, a grande contradição da parada gay de Amsterdam para mim foi essa. Querem organizar uma parada para demonstrar a grande quantidade e diversidade de gente gay, querem lutar contra a discriminação e talz… mas eles próprios discriminaram e pisaram na bola.
Concordam ?
(Fotos da parada gay em Amsterdam aqui no meu blog. )
Sevilla: dicas básicas para intercambistas
Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha
.
Nem todo mundo sabe, mas o ano letivo na Espanha, e imagino que em toda a Europa, começa em setembro. Depois das férias de verão, é hora de voltar às aulas.
Também é por essa época que chegam a maioria das pessoas que vem fazer intercâmbio. Todo ano é a mesma coisa, em agosto começo a receber dezenas de mensagens de brasileiros que estão fazendo as malas… e cheios de dúvidas! Normal, já passei por isso e sei como são complicados e ansiosos os dias que antecedem a viagem.
Perguntas sobre alojamentos, custo de vista, transportes, alimentação… Para quem nunca saiu do Brasil é ainda mais difícil… Lembro bem que eu trouxe na mala um monte de coisas desnecessárias porque não sabia que aqui na Espanha também tinha, desde remédios básicos, passando por itens de beleza (alicate de unhas, cera de depilação) até bolsa de água quente.
Enfim, resolvi fazer um apanhado de posts antigos sobre a cidade onde eu moro, Sevilla. Espero poder dar uma mão aos marinheiros de primeira viagem (e quem sabe aos mais experientes).
Confira:
Qual o custo de vida em Sevilla?
Um resumo dos principais gastos mensais e uma estimativa de um «mínimo» para sobreviver.
Alugando um cantinho em Sevilla
Dicas sobre como funcionam os alugueis por aqui, seja de um quarto ou de um apartamento mobiliado.
Quais os melhores bairros para morar em Sevilla?
Uma opinião pessoal sobre os diversos bairros de Sevilla, que pode ajudar na hora de decidir por onde procurar apartamento.
Vida de estudante: como economizar?
Uma série de conselhos básicos para quem vem com os bolsos poucos recheados.
Onde estão os comedores universitários em Sevilla?
Uma lista dos principais refeitórios universitários, onde se come relativamente bem, mas principalmente barato.
Sevilla em bicicleta
Descubra os prazeres desse meio de transporte na cidade com mais ciclovias da Espanha.
Celular na Espanha
Principais operadoras e tarifas.
Boa sorte!
Nem Tudo São Flores na Holanda
Anita Fonseca Holanda
.
Eu no meu blog sempre evito falar coisas baixo astral, pois acho que ninguém deveria perder tempo escrevendo ou lendo sobre experiências ruins que abaixam a energia e trazem desesperança e amargura.
Mas… a vida num país desenvolvido não é so tranquilidade, segurança e gentileza. E eu não vou ficar postando só sobre coisas legais, curiosas e divertidas.
Eu aqui vou narrar especificamente três “causos” donde foi testemunha da grosseria alheia.
Que há muito doido de pedra soltinho nesse país não há dúvida nenhuma. Não só soltinhos pelas ruas, mas também empregados (às vezes beeem empregados), produtivos, com relacionamentos estáveis (tudo é relativo), criando os filhos e cumpridores dos suas obrigações de cidadãos (a-hem!).
O primeiro caso aconteceu ontem, quando estava na praça do Dam as 9 da matina caminhando para o trabalho. Antes que eu entrasse na Kalverstraat, a passos largos, me adiantei na frente de uma velhinha curva e de roupas muito pobres. Eu caminhava metros à frente dela quando ouvi: “Como ousa se posicionar diante de mim e querer pisar meus pés ? Como ousa ? Você é uma besta, um ser associal e desprezível !”, ouvi. Já na Kalverstraat e sempre caminhando a passos largos me posicionei perto de umas lojas e comecei a admirar umas vitrinas deixando a velhinha passar a largo por mim. Com isso comecei a andar muitos metros atras dela e senti pena da pessoa em questão.
Isso me fez lembrar outra situação na mesma Kalverstraat há uns anos atras.
Eu estava comentando no trabalho com uns colegas que logo depois do almoço eu já tinha conseguido aprovação do Recursos Humanos para descontar umas horas de férias acumuladas e assim poder sair mais cedo. Meu plano era pegar um bonde até a Estação Central e depois caminhar até a Kalverstraat; como tempo bem cronometrado e pisando rápido eu iria poder resolver váriosassuntos e comprar em diversos lugares.Um colega mexicano comentou: “Ah, eu queria tanto também poder ir ao centrohoje à tarde. E tenho muitas horas de folga acumuladas. Mas acho que como hoje já deram pra você não irão me dispensar também.” Respondi: “Bom, perguntar não dói ! Vai lá. Tô saindo, tchau !” Daí que meia hora depois eu estou caminhando na Kalverstraat e sinto um tapinha no ombro direito. Não vejo ninguém conhecido ao meu lado… Um tapinha do lado esquerdo e olhei sorrindo pensando ser o colega mexicano. Um indiano alto e sorrindo, me olhando nos olhos e levantando uma sombrancelha me diz: “Então… quer companhia ?” Num flash me lembrei de ter lido no jornalzinho METRO sobre prostitutos masculinos operando na área, abordando turistas do sexo feminino. Eu fiz um bico de raiva e olhei na mesma hora para o lado direito e para meus pés. Não deu nem para organizar os pensamentos quando ouvi: “Ah, é ? Vai fazer essa cara, me desprezar, fingir que não me conhece ? Esquecer tudo ? Me dar as costas, olhar para o lado ? Pois quer saber, você me magoou muito. BIIIITCH !! BIIITCH !!” –nisso eu já tinha me atirado para dentro de uma livraria bem grande, a Slegte,e fui bem para o fundo da loja me esconder atrás de atlas e livros imensos dearte. Era só o que me faltava, prostituto se sentido humilhadinho e com ataques de pelanca. Fiquei lá na livraria uns 20 minutos me deliciando com tudo e depois parti para meu rumo na rua empunhando meu guarda-chuva e muito alerta com visão de 360 graus (olho na nuca, sabem?).
Um outro caso estranho aconteceu no ônibus, no meio do percurso de volta para casa. Uns carinhas do Suriname/Antilhas se sentaram no fundo do ônibus e começaram abater um papo muito chulo e animado. O tom da conversa foi tomando um aragressivo pois um deles estava prá lá de bebum e só falava o tempo todo em“neuken” (f****) e arrebentar fulano/beltrano/sicrano. Um por um dos amigos eoutros passageiros foram saindo pouco a pouco do ônibus e eu fiquei com mais uns gatos pingados e o tal agressivo que estava com um amigo. O amigo começou a dar conselhos : “Rapaz, tu tá bolado, manera aí !” Ao que o doidão respondia“Enchi a cara, tô com vontade de sair dando porrada, tô muito gostosão agressivo”. Nisso eu já estava começando a temer pela minha integridade. Dois pontos antes de eu descer comecei a ouvir ele falando no fundo do ônibus: “Aquela mevrouw com oclinhos vermelhos, tô com vontade de f**** e dar porrada nela. Aquela mevrouw de óculos séria e de costas pra mim. Eu vou avançar nela equebrar ela inteira. Ela tá toda tensa precisa ser f***** pelo papai aqui.”Opa, chegou meu ponto ajeitei meus oclinhos vermelhos e saí cal-ma-men-te. Pensei: ao descer as escadas e passar ao longo da lateral traseira do ônibus ele vai me cuspir pela janela.Levantei a cabeça e caminhei intacta. Fiz um registro mental que da próxima vez se eu encontrasse esse carinha no ônibus no mesmo estado etílico eu desceria no primeiro ponto junto com outros passageiros que trataram de se pirulitar rapidinho.
A agressão verbal provinda de desconhecidos em espaços públicos está se tornando mais comum na Holanda, pelo que leio nos jornais e mídias sociais. Mas acho que issonão chega a pôr sua integridade física ou mental em risco. Em nenhum dos três casos citados acima eu me achei vítima indefesa, e soube me afastar da posiçãode alvo (bom, no ônibus eu deveria ter saltado muito antes do meu ponto, hehe!). O pior mesmo eu acho o “bullying” cometido por conhecidos ou colegas detrabalho, pois é pessoal e planejado, e perverso por si só. Assunto para um outro post…
E você leitor no Brasil ou no exterior, já passou por casos agressivos e anônimos assim ? Como reagiu?












