A mais nova ferramenta de pesquisa e reserva de mais de 66.000 hotéis no mundo todo!

Para onde irei nas próximas férias e onde vou me hospedar? Quem é que não conhece este preocupação?…
Hoje o melhor é mesmo planejar com antecedência para garantir bons preços e vaga nos bons hotéis.

A pesquisa pela melhor opção de estadia não é tão fácil. Além de requerer tempo, exige muita paciência para encontrar a melhor opção. A reserva de hotéis através de agências de viagens, geralmente exige pagamento de uma taxa e as revistas de viagens nem sempre estão atualizadas.

Com o propósito de facilitar a vida dos viajantes, uma pequena empresa alemã tomou a decisão de mergulhar no mercado mundial de hotéis. Foi assim que surgiu a mais nova ferramenta para pesquisar e reservar hotéis no mundo inteiro: o hotel.pt
Além disso, ainda oferece informações úteis sobre o destino, como pontos turísticos e dados gerais sobre as cidades.

O site hotel.pt tem um funcionamento simples e é muito fácil de se usar:
É só escolher a data do check-in e do check-out e o seu destino desejado.
A busca abrange mais de 66.000 hotéis no mundo todo! E àqueles que ainda não decidiram para onde ir, a página principal pode servir como fonte de inspiração. Lá são oferecidas estadias e os seus devidos preços.
Os hotéis encontrados podem ser listados de acordo com as estrelas, tipo de quarto, localização etc.
A reserva é efetuada online e sem nenhum custo adicional. As taxas e impostos já estão inclusos no preço final.

Hotel.pt é uma ferramenta perfeita para facilitar a vida de quem procura organizar as férias e a estadia!

Essa é uma dica de Ursula Schmid que mora há quase dois anos na Alemanha

Add comment Outubro 25, 2009

Arte num dia de domingo…

bz

Glenda Dimuro
Sevilla/Espanha
 

PAU_3122Uma dica de passeio para quem vive em Sevilla, ou está aqui de passagem, é a feira de arte que ocorre todo domingo na Plaza del Museo. Ali vários artistas expõem seus trabalhos que vão desde pinturas de natureza morta até estilos mais contemporâneos. Não são apenas telas o que se pode encontrar, mas também esculturas, desenhos e algumas coisas de artesanato. Os preços são variados e é uma ótima opção para quem quer levar uma recordação diferente de Sevilla.

O museu que dá nome à praça é o de Bellas Artes, que fica ao lado e precisamente nos domingos a visita é grátis até as 14hs. Vale a pena conferir!

2 comments Outubro 12, 2009

Artistas brasileiros em Barcelona

Para quem mora em Barcelona ou para quem estará por lá entre os dias 19 até 30 de outubro não deixe de prestigiar os três artistas brasileiros Claudio Trindade, Lela Martorano e Roberto Freitas e o artista grego, de Thessalonik: Haris Pallas na exposição “[In] Transparencias. Variaciones de lo diáfano” na Gracia Arts Project .
A inauguração será dia 22, mais informações sobre cada uma das exposições aqui.

Add comment Setembro 30, 2009

Espanha: sem papéis mas com assistência

bz

Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha

 

1004193Uma reportagem que saiu em diversos jornais hoje me chamou a atenção. A Espanha é um dos países europeus com maior porcentagem de “sin papeles” (vulgos imigrantes ilegais) que dispõem de cobertura sanitária. A ONG Médicos do Mundo realizou uma pesquisa em diversos países da Europa e constatou que o direito à saúde não está plenamente garantido e que a maioria das leis discrimina abertamente os ilegais.

Estes dados também derrubam o mito da “imigração sanitária”, já que os pesquisadores constataram que a maioria dessas pessoas não vem à Europa em busca de tratamento médico nem para “se aproveitar” dos sistemas europeus de cobertura sócio-sanitária. Segundo a pesquisa, em alguns países, como a Suécia, as pessoas sem visto de residência não têm direito a nenhuma cobertura sanitária gratuita, nem mesmo se precisar fazer um parto de emergência. Em outros como a Alemanha, os poucos direitos que existem são praticamente anulados porque as instituições sanitárias têm o dever de denunciar os irregulares que solicitam atendimento. O Reino Unido oferece algumas coberturas, mas deixa de lado o pré-natal, por exemplo.

No caso da Espanha, aqueles que solicitam asilo ou que não têm permissão para residir no país têm os mesmos direitos ao atendimento sanitário e nas mesmas condições dos espanhóis, ainda que em alguns casos encontrem algumas dificuldades com os processos administrativos, já que necessitam, pelo menos, estar “empadronados” (o que significa ter uma residência fixa registrada). Mas ao atendimento de urgência TODOS (independente de “empadronamiento”, nacionalidade ou documentos em dia) são atendidos.

Mas o que me chamou mais ainda a atenção foram os comentários, feitos pelos próprios espanhóis, com relação à notícia. Reproduzo na integra o que o Manuel (Manu ou Manolo como deve ser conhecido por aqui) e alguns outros escreveram:

“Vergüenza nos tendría que dar, llegan de fuera y le atienden antes que a los propios españoles, no hay más que ver la cantidad de inmigrante que hay en las consultas y en los hospitales que tienen asistencia gracias a nosotros, subida de impuesto pues claro esto es jauja. Y no solo la seguridad social sino educación y mil cosas más, que vaya un español a un país árabe o africano a ver si le van a dar religión a tu hijo, a tragar por lo que te digan”.

“Los ilegales no solo no tendrían que tener cobertura, es que no tienen que seguir en este país, o es que solo tenemos obligación de cumplir la ley los de siempre?”

“Me gustaría saber si un españolito de a pie sufre una apendicitis en uno de “estos” países cómo sería el trato recibido…”

“Esto es indignante, si tenemos la posibilidad de identificar a un irregular porque acude a hacer uso del servicio sanitario que pagamos los demás ¿es mal momento para cogerlo, esposarlo, y deportarlo en 24h? Hay cosas que son indignantes”.

Deixo que cada um de vocês tire as suas próprias conclusões sobre as palavras desses cidadãos. Tem muita gente que pensa como o Manolito e considera o sistema sanitário espanhol “flojo”, ou seja, que facilita muito a vida de quem nunca colaborou um tostão com a “Seguridad Social” (o SUS espanhol). Na minha opinião, gente sem memória, sem noção da realidade mundial, sem um pingo de cultura que espera ser bem atendido em um hospital ao sentir dor de barriga quando estiver de férias por um safári pelo Quênia. Este último então diz que deveriam aproveitar a situação de doença de um ilegal para pegar-lo, algemar-lo e deportar-lo em 24 horas. Isso sim que é indignante!!!

A boa notícia é que muita gente também é a favor desse sistema. Eu acho que o sistema médico espanhol pode ser considerado um exemplo. Claro que está longe da perfeição, mas o direito ao atendimento sanitário deve ser universal e igualitário. A maioria dos ilegais não está nesta situação porque quer, obviamente, e com certeza preferiria contribuir à viver na ilegalidade (na grande maioria dos casos). Ou seja, o buraco é bem mais embaixo e aqui, mais um vez, acho que o que deve pesar é o “sirvo, logo existo”. Coloco aqui os comentários escritos por pessoas mais sensatas, inteligentes, humanas, cultas e menos xenófobas (sim, porque elas existem).

“Legalmente no pueden tener cobertura sanitaria, pero humanamente si ……que al fin y al cabo son gente que huye de una guerra o de la hambruna”.

“Por humanidad y solidaridad todos los extranjeros deberían tener derecho a la sanidad en España. Que bastante mal lo pasan en sus países de origen que son pobres y subdesarrollados. Lástima que haya una minoría racista y inhumana, a ver si les discriminan cuando se vayan a otros países de vacaciones o a vivir va a ver lo que sufren estas personas. Es increíble este país de prehistóricos que ha salido de las cavernas. Y no terminan de evolucionar en pleno siglo XXI en el año 2009”.

“Es una de las cosas de la que los españoles deberíamos estar orgullosos. Y un ejemplo para el mundo entero. Otra, es que podamos con todo este gasto”.

A eterna luta entre os de baixo e os de cima promete continuar, infelizmente… já que nem quando o processo é igualitário e tenta diminuir as diferenças, todos saem contentes.

2 comments Setembro 28, 2009

60 anos da RPC- Alfinete no pescoço para corrigir a postura e a (não) festa do povo

bz_colaboradorColaboração

A preparação em torno dos 60 anos da revolução da comunista está digna da preparação para a Olimpíada. Claro, a diferença é que a liberdade que o povo tinha durante os jogos (pelo menos de locomoção) foi muito mais dificultada. Mas isso é assunto para depois. Agora estou bege é com outra coisa.

Divulgaram esta semana umas fotos de como o exército está se preparando para a grande data e o desfile militar. Para ter certeza de que todo mundo vai manter a postura na hora, o alto comando apelou para a dor dos pobres soldadinhos.

Não é impressão sua, colocaram alfinetes nos colarinhos para que os soldados treinem, na base da dor, como ficar firmes durante o grande desfile. Nada de olhar para baixo ou relaxar o pescoço, caso contrário já era.

Sério, as vezes eu acho que esse povo é muito doido. Pelamordedeus!

Essa deu no blog da revista The Beijinger, publicação em inglês voltada para os expatriados da capital chinesa.

Todo mundo em casa e quieto

O mais estranho desta festa que celebra “o socialismo com características chinesas”, estabilidade, a harmonia e o povo, é que o povo mesmo não vai poder estar presente. Ao grande e estonteante desfile militar prometido, só convidados assistirão. Inclusive farão papel de povo na festa. A praça e a avenida Chang’An, principal via da capital, estarão fechadas. O metrô estará fechado. Aqui onde trabalho algumas pessoas ficarão hospedadas em hotéis nas redondezas porque não será possível se locomover dentro da cidade.

Entretanto, as restrições são ainda maiores. Os criadores de pombos (hábito bem comum por aqui – e não, por incrível que pareça não é cheio de cocô de pombo pela cidade) não poderão deixar os pássaros voarem neste dia (e nos anteriores), também está proibido soltar pipas e balões. A neurose não para por aqui. Está proibida a venda de facas, tesouras e objetos cortantes nos dias que antecedem a festa. Gigantes como Wal Mart e Carrefour também tiveram que tirar estes produtos das prateleiras até que o feriado nacional termine. Claro, sem contar o policiamento, que está sendo redobrado e conta com ajuda de voluntários em todos os pontos da cidade.

Pensa que acabou? Presta atenção nisso: quem vive perto do local das celebrações terá que manter portas e janelas fechadas, mesmo com o show de fogos programado para a noite do dia 1 de outubro. E ainda há uma orientação para que as pessoas não convidem os amigos para visitas neste dia.

Agora me diz, que espécie de festa para o povo é esta??

Mais curiosidades sobre a China, entre no blog da Paula Coruja.

Add comment Setembro 24, 2009

168 vezes Sim

bz_colaborador Oscar Augusto

               Colaborando de Cingapura

Casamento Coletivo em Cingapura

Este Final de Semana o Jardim Botanico de Cingapura foi palco do maior casamento coletivo já realizado na história da cidade-estado, com mais de 3300 convidados, 168 casais disseram o SIM em cerca de 1 hora de cerimonia. Entre os convidados de honra estavam o ministro da Casa Civil de Cingapura, assim como o ministro de estado de Desenvolvimento.

Este Casamento faz parte das comemoraçoes de 150 anos do Jardim Botanico de Cingapura, fundado pelos colonizadores britanicos em 1859.

1 comment Setembro 22, 2009

Blogs de Viagem

bzGlenda Dimuro
Sevilla, Espanha

 

Queria divulgar um novo espaço criado para aqueles turistas viajantes (como nós) contarem suas histórias. É o Blogs de Viagem, idealizado por Alexandre Pajola,  que apresenta uma coletânea de artigos de diversos blogueiros espalhados pelo mundo. Vale a pena conferir!

1 comment Setembro 19, 2009

Educação Sexual em Cingapura

 bz_colaborador Oscar Augusto

               Colaborando de Cingapura

spore-whysex-FARHANSY

Um tema bastante polemico promete retornar a pauta de discussões em Cingapura nos próximos dias se refere a um conjunto de propostas de diretrizes internacionais sobre educação sexual, um tema bastante delicado para uma sociedade multicultural e por varias vezes fortemente ligada a religião como acontece por aqui.

As diretrizes do programa que será lançado pela UNESCO, na próxima semana, visa reduzir as infecções pelo HIV entre os jovens, e será distribuído aos ministérios de educação em todo o mundo.

Na versão preliminar divulgado em Junho foi duramente criticado por grupos conservadores e religiosos, tanto aqui como nos Estados Unidos, por recomendação de discussões sobre a homossexualidade por exemplo, descrevendo a abstinência sexual como sendo apenas UMA entre uma gama de opções disponíveis para os jovens não contraírem DST’s ou mesmo evitar a gravidez na adolescencia, e até mesmo sugerindo uma discussão sobre masturbação e abuso sexual com crianças.

 Aqui em Cingapura dois grupos da sociedade civil organizada manifestaram visões contrastantes. A presidente da Associação de Mulheres de Ação e Pesquisa (Aware), disse que as diretrizes da UNESCO, são uma resposta baseada no direito de abordagem à educação sexual”. Com ênfase em relacionamentos, valores, atitudes, cultura, desenvolvimento humano, saúde sexual e reprodutiva e justamente coincide com um programa voltado a educação sexual preparado por esta associação e que foi suspenso pelo Ministério da Educação de Cingapura depois que alguns pais se opuseram ao conteúdo explícito do mesmo, dizendo que a educação sexual explicita poderia promover o homossexualismo ou sugerir a aprovação de sexo antes do casamento.

Quando ocorreu a proibição, o ministério sinalizou que a educação sexual deve “respeitar as normas sociais e valores da nossa sociedade”, enquanto ministro da Educação, Ng Eng Hen disse que se deve incentivar casais heterossexuais que têm relacionamentos saudáveis e famílias estáveis.

A deputada Chong Cheh Hoon, uma das pessoas que mais se opõem as orientações da UNESCO, diz ter achado parte do conteúdo “altamente impróprias”, como ensinar crianças com idades de nove a 12 sobre o uso de métodos contraceptivos. No material recomendado para as idades de 12 a 15, as orientações aconselham os jovens a praticar sexo seguro e consensual “se sexualmente ativos”. Mas, a senhora Chong está sendo fortemente combatida, uma vez que países como o Brasil já existem leis sobre estupro abrangendo aqueles com mais de 14 anos de idade.

 Especialistas da UNESCO começaram a trabalharam nestas diretrizes a cerca de dois anos, baseando-se em mais de 80 estudos sobre educação sexual ao redor do mundo. A UNESCO reitera suas orientações  e argumenta que a educação sexual contribui para atrasar o início da atividade sexual, reduzir o número de parceiros sexuais e relações sexuais desprotegidas.  “Na ausência de uma vacina para a Aids, a educação é a única vacina que temos”, disse Mark Richmond, coordenador global da UNESCO para o HIV e Aids.
Segundo ele apenas 40 por cento dos jovens entre 15 e 24 “têm conhecimento exato” de como a doença é transmitida.

O Numero de Gravidez entre adolescentes subiu de 6 em cada 1000 meninas em  2002 para quase 9 em 1000 em 2008, e o numero de adolescentes que acabaram contraindo alguma Doenca Sexualmente transmissivel tambem teve um consideravel aumento subindo cerca de 2.5% no periodo referido.  Em uma pesquisa conduzida pelo Ministerio da Educacao entrevistando anonimamente 4000 estudantes entre 14 e 19 anos, 8 % deles admitiram ter praticado sexo alguma vez e menos de ¼ desses usou camisinha.

Certamente este assunto ainda será tema de muitas discussões por aqui, mas certamente este crescente numero de casos de adolescentes gravidas e o aumento da incidencia de Doencas Sexualmente Transmissiveis esta comecando a preocupar as autoridades.

Add comment Setembro 5, 2009

O terrorismo na Espanha

bz

Glenda Dimuro
 Sevilla/Espanha

 

250_0_ndiadaquema110908Desemprego, terrorismo e imigração. Estes são os três maiores problemas dos espanhóis, segundo pesquisa realizada pelo Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) no inicio do ano. Desemprego é uma resposta lógica em tempos de crise, quando todos temem perder seu trabalho e não ter dinheiro para pagar suas dívidas, já que afinal de contas, os bancos só emprestam dinheiro para clientes que podem pagar (como o Real Madrid, mas isso não vem ao caso). Nessa bola entram os imigrantes, que querendo ou não, acabam “roubando” os poucos postos de trabalho que restam. Mas e o terrorismo? De tipo de terrorismo, palavra preferida dos presidentes norte americanos, os espanhóis têm tanto medo?

Ainda que existam diversas definições para a palavra terrorismo, podemos dizer que é o uso sistemático do terror para coagir, através da violência (física ou psicológica), a indivíduos, sociedades ou governos. É utilizado por uma ampla gama de organizações para a promoção dos seus objetivos, sejam elas partidos políticos nacionalistas ou não, de direita, de esquerda, bem como grupos religiosos, racista, colonialistas, independentistas, revolucionários, conservadores, ecologistas. Existe o terrorismo indiscriminado, aleatório, seletivo, narco-terrorismo, terrorismo nuclear, terrorismo de Estado e até ecoterrorismo

Os espanhóis não estão tão preocupados com a Al Qaeda, a FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia) ou com a FLA (Frente de Liberación de los Animales). Euskadi Ta Askatasuna (Euskadi y Libertad), mais conhecido como ETA, é o que tira o sono do povo por aqui.

Todo o dia se fala do ETA na televisão, jornais, internet. Em 2009, a organização terrorista já provocou doze atentados provocando a morte de três civis. Desde a sua criação por um grupo de estudantes radicais em 1959, os membros do ETA já mataram mais de 850 pessoas. Nasceu como uma alternativa ideológica aos postulados do Partido Nacionalista Vasco (PNV) com quatro pilares básicos: a defesa do euskara, o etnicismo (como fase superada do racismo), o anti-espanholismo e a independência dos territórios que, segundo reivindicavam, pertenciam a Euskadi (Álava, Vizcaya, Guipúzcoa, Navarra, na España, y Lapurdi, Baja Navarra y Zuberoa, na França).

Euskara? País Vasco? ETA? No Coisa Parecida, meu blog pessoal, tentei resumir e contar um pouco sobre o terrorismo na Espanha, sua história, organização, principais atentados, as tentativas de tréguas e negociações e o que pensam e como atuam os espanhóis frente a este tema. É uma série de vários posts que podem ser encontrados nos links abaixo. Pode ser bastante interessante, principalmente para aqueles que vêm viver na Espanha, estar “al dia” com um dos maiores desafios dos espanhóis: a luta contra o terrorismo.

 Euskadi -  ETA -  primeiros atentados - etarras -  tréguas do ETA -  respostas da sociedade

3 comments Agosto 25, 2009

In the mood for China

bz_colaboradorColaboração

-5ºC na rua. Um nevoeiro que não dava para ver nada. Caracteres por toda a parte. Completamente analfabeta. Cansaço. Ansiedade. Foi assim que eu cheguei na China.

Eu não lembro de escutar ninguém falando chinês no voo, não lembro de ter a opção no cardápio de comida chinesa. Lembro da paisagem montanhosa três horas antes de aterrissar, lembro de ver os primeiros caracteres no formulário de entrada no país. Não lembro da fila na imigração, não lembro do tempo que esperei a bagagem. Lembro que tinha abraço me esperando e plaquinha com o meu nome.

A partir daí, tudo é novidade. Morar em outro país é sempre uma experiência maravilhosa, até mesmo quando é ruim. Morar na China, é uma experiência única, distante de todos os sonhos mais populares. Não é um país de primeiro mundo. Não é um país democrático. Não tem um idioma que você vai aprender a ler quase naturalmente. Não é um destino popular onde você vai ter momentos em que vai estar tão rodeado de outros brasileiros que vai sentir, por um momento, que nem saiu do Brasil.

Quando eu cheguei aqui não sabia bem o que esperar. O gigante asiático nem parecia tão grande assim só olhando no atlas. A evolução, o crescimento econômico, a conquista do direito de sediar uma olimpíada, a pujança nunca esteve exatamente no meu imaginário. As roupinhas iguais do tempo da Revolução Cultural, o idioma incompreensível, a censura, o comunismo, o massacre na praça, o trabalho infantil e a conta da bala para a família em caso de pena de morte faziam mais parte da minha imaginação. Eu realmente não sabia o que era esse lugar onde vim parar.

Com as novidades saltando aos olhos, o que mais se quer é descobrir. A adaptação no inverno pode ser mais complicada. O cinza ainda comum nos prédios e muros de Beijing parecem ainda mais sombrios no inverno. O clima seco corta, castiga, bem como a saudade. Mas era um período de adaptação e o que mais se quer é se sentir feliz, ou, pelo menos, adaptado. Começa o período das buscas, do conhecer o lugar, das muitas leituras. Como eu podia saber tão pouco dessa história? Como pode o resto do mundo todo pensar isso?

Para se adaptar é necessário se integrar e essa tarefa nessa sociedade milenar parece ao mesmo tempo fácil e impossível com o passar dos dias. O povo chinês sorri muito, sorri os dentes que não tem, sorri com o cigarro no canto da boca, sorri depois que cospe. Aqui é o único lugar em que o sorriso amarelo é bom, faz a gente se sentir bem-vindo, querido, estimado. As primeiras palavras ditas em mandarim são sempre alvo de elogios por parte dos chineses. Talvez eles tenham ideia de como é difícil aprender a pronunciar todos aqueles fonemas absurdos e façam isso para dar uma forcinha. Aí você pensa: “consegui me adaptar”.

As novidades não estão apenas nas cores novas, na nova escrita, no novo idioma ou no novo povo. As novidades culinárias são, muitas vezes, as mais torturantes para um estrangeiro na China. A lógica da comida e das refeições são diferentes das nossas, tudo tem um porquê, tudo vai equilibrar algo no funcionamento pleno do organismo, o excesso de óleo, pimenta, arroz, e até a falta de sabor de alguns pratos tem uma razão. Depois de não passar com trabalho com isso, você pensa: “consegui me adaptar”.

Com o tempo, a saudade doída é abrandada e você acaba algumas vezes conversando mais com as pessoas do que quando estava ao lado delas. Quanto o mais o tempo passa, mais diminui o número de pessoas que você queria ali, do seu lado mesmo. Muitos amigos, conhecidos, acabam na lembrança nostálgica, a saudade gostosa. Não dói, você não precisa ter perto, mas é bom lembrar e ter histórias pra contar. Quando isso acontece, você pensa: “consegui me adaptar”.

Todos aqueles estereótipos que a gente traz na mala quando vem para na China, vão cansando com o tempo. A primeira vez que se visita o Brasil depois de mudar pra cá é de enlouquecer. “Como é morar na China?”, “Como tu te vira com a comida?”, “O que tu come?” ” Já comeu grilo, gafanhoto, bicho-da-seda?”, “Já fala, lê e escreve chinês fluente?”, “Eles têm mesmo pinto pequeno?” são perguntas que a gente escuta 89.271.023.237.783.642 vezes. São só essas as curiosidades? Só isso que foi transmitido e retransmitido durante a Olimpíada, único momento em que a mídia brasileira realmente deu bola pra China? O pior é ver brasileiro falando com desdém, como se aqui fosse um lugar pré-histórico, perdido no tempo e rodeado só de pobreza. Ou como se o comunismo estivesse presente em tudo, pintando a China de 2009 como o que era na década de 70, ou como o que é a Coreia do Norte. Brasileiro que não vê o próprio Brasil, as próprias misérias. Cansa.

Com o tempo o que também vem são os amigos. Amigos que vivenciam todas as mudanças pelas quais a gente passa, amigos que são parte deste povo novo que a gente tenta entender. A gente acha que é aceito pelos chineses. A gente até acredita que criou amizades com a mesma profundidade que tem o nosso próprio povo. É, com o tempo vê que isso é só ilusão. Apesar da simpatia, do carinho, da dificuldade em dizer não, um chinês nunca vai conseguir ser tão amigo, tão irmão. E é o momento em que a gente percebe que só adaptação não basta. A diferença cultural vai, em algum momento, criar uma barreira. Você sempre será o laowai, o estrangeiro. Mesmo nascendo aqui, crescendo aqui, falando, lendo e escrevendo chinês. Mesmo que este seja o único país que você entenda como lar, isso sempre existirá. Ruim? Diferente.

A lógica (ou a falta de) chinesa tem dias que te deixa de cabelo em pé. A censura faz com que duas vezes por semana, pelo menos, você queira ir embora. Trabalhar e conviver com chineses muitas vezes faz com que a sua paciência seja testada ao limite máximo. Aqui tem jeitinho. Aqui la garantia soy yo. Aqui as relações são na base do guanxi (e do baijiu). Aqui a cerveja é quente. Aqui eles tomam sopa no café da manhã. Aqui tem gente com medo de estrangeiro. Aqui às vezes a gente se sente no meio de uma piada de português. Aqui o povo não vê diferença entre o governo, o país e o povo. Aqui os estrangeiros também cansam, com seus preconceitos contra o povo que os recebe. Mas pergunta se a gente quer ir embora?

O viés enlouquecedor é inversamente proporcional ao encantador. Não só pelo povo. Não só pelas belezas naturais. A China tem uma mágica, um feitiço. Quem vem pra cá acaba vivendo uma relação de amor e ódio, como a mais avassaladora das paixões.Essa é mais uma das coisas que não lógica. Eu não sei se posso encher a boca para dizer que sei o que é este país. Eu continuo achando atrevimento quem diz que sabe e começa a ditar regras, como se fosse possível enquadrar 1,3 bilhão de pessoas. Tem dias que eu quero ir embora, porém agora, no momento em que eu estou pensando e me preparando para isso, vejo o quanto aprendi e o quanto continuo com vontade de China. Talvez agora você não entenda, mas se um dia passar por aqui e se abrir, um pouquinho que seja, com certeza vai entender.

Paula Coruja, tem 28 anos e há quase dois mora em Beijing.


2 comments Agosto 14, 2009

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