Gastronomia Andaluza!
No meu primeiro post me toca falar de gastronomia. A Espanha, assim como o Brasil, possui inúmeras particularidades com relação ao que se come e em qual região se come. Existem pratos tradicionais que em todo o país, como a “paella”, as “tortillas” e o “gazpacho”. Mas também existem as preferências regionais e como vivo no sul, meus relatos vão ver baseados no que vejo por aqui. Vejo muito e como bem menos, depois explico o porquê.

¡Olé, paella!
Dizem os entendidos que a gastronomia espanhola está idealizada na chamada “dieta mediterrânea”, que nada mais é que uma alimentação a base de frutas, legumes, verduras, frutas secas, pão (muito pão), cereais, um maior consumo de peixes e aves que de carnes vermelhas , o uso do azeite de oliva como principal gordura e a ingestão de vinho (em quantidades moderadas). Na prática, não vejo que em Sevilla se cumpra essa dieta. A comida aqui é bastante gordurosa, a bata frita é acompanhamento de quase todos os pratos e o porco é a principal carne consumida.
O porco é super aproveitado. Os espanhóis utilizam tudo, ou quase tudo, do animal para fazer desde embutidos até o famoso “jamón pata negra”, que no Brasil acho que conhecemos como “copa”. Sevilla não é uma cidade litorânea e acredito que por isso os peixes aqui não sejam tão abundantes, mas mesmo assim se come bastante. Eu, que como boa gaúcha e carnívora que sou, adoro um churrasco. Aqui, me contento com alguns “solomillos” no restaurante argentino algumas vezes ao ano. A carne vermelha, tal como conhecemos no Brasil, é vendida em supermercados e custa mais que os olhos da cara. No dia-a-dia, podemos comprar carne de rês em açougues normais, a um preço relativamente acessível, mas nem comparado ao do porco e com uma cor que nem de longe lembra aquele vermelho vivo. Os vegetarianos que me desculpem, mas para quem estava acostumada a comer esse tipo de carne todos os dias é difícil se acostumar, mas a gente tenta!
Como regra geral, aqui se come muita batata (frita principalmente), tudo é regado em azeite de oliva (perfeito), os pratos na maioria das vezes não são muito temperados nem picantes e o alho e a cebola são os condimentos preferidos e se come pão e os famosos “picos” (espécie de biscoito salgado) durante as refeições (eles utilizam como faca para juntar a comida). Não há uma grande variedade de frutas e as bananas são horríveis (colam no céu da boca). As saladas sim são maravilhosas, quase sempre feitas com alface tipo McDonald (digo isso porque é diferente do tipo que tem no Brasil), tomate, cebola e atum, muito atum.
Os pratos tradicionais mais conhecidos são: a “paella”, que tem como base arroz e logo, de acordo com o tipo, se pode misturar frutos do mar, porco, verduras, e a mais conhecida é a Valenciana; a “tortilla de patata”, feita de batatas, ovos e farinha; os famosos e gordurosos “pescaítos fritos” que são uma variedade de frutos do mar à milanesa; o “gazpacho”, que pode ser tomado quente ou frio como aqui no sul, que é feito de várias maneiras mas sempre leva alho, pão, azeite, vinagre e tomate, tudo triturado e servido como sopa, ou como suco. Enfim, a lista de pratos é grande e sugiro que tem tiver mais interesse ou quiser algumas receitas visite este site.
As sobremesas deixam a desejar. “Natillas, flan, arroz con leche”. Sou de Pelotas, a terra do doce, então fica difícil me agradar. Acho tudo sem gosto, ou melhor, com gosto de nata e pouco saboroso. Os sorvetes quando vendidos em sorveterias são bem mais caros que o normal (se comparamos com a Itália, por exemplo) e as bolas são pequenas. Uma desilusão boa para emagrecer! No inverno os churros com chocolate são o ponto alto. Diferente dos recheados que comemos no Brasil, mas igual de gordos. Isso sim eu gosto!
A Espanha é famosa também por suas “tapas”, que são pequenas porções de uma comida qualquer servida em um pratinho se sobremesa. É uma opção perfeita para quem não está com muita fome ou sem muito dinheiro no bolso. É ótima também quando se quer beber cerveja e não ficar bebum. Os espanhóis usam muito a expressão “salir de tapas” que nada mais é que ir de bar em bar tomando cerveja e comendo um pouco de tudo. Mas como em quase toda a Europa, aqui também os pratos são divididos em entradas, primeiro e segundo e logo a sobremesa. Eu adoro misturar tudo e quase sempre não dá. Mas em casa eu misturo, faço meu arroz com feijão preto e como meu bolo de cenoura com cobertura de chocolate bem doce. A comida espanhola é boa, mas nada melhor que a comida brasileira feita em casa!
Postado por: Glenda Dimuro
1 comment Setembro 3, 2008
Trabalhos “Inusitados”
No Brasil com Z sou conhecida como a representante do Brasil na França, porém como já contei aqui, também morei em Londres e guardo no bolso uma porção de histórias no mínimo incomuns de lá. Essa é uma delas.
Logo que cheguei, estava desesperada por emprego. No começo o dinheiro vai embora mais rápido já que não sabemos economizar, temos que dar depósito de aluguel e ficamos assustado com a diferença do valor da moeda (uma dica é tentar não ficar convertendo toda hora a libra para o valor do real).
Eu entrava todo os dias no Gumtree para ver se aparecia algo que combinasse os horários de trabalho com a minha escola.
Entre diversos anúncios, achei um que me interessava bastante. Era para ser Hostess em uma casa noturna. Já havia feito isso no Brasil e sabia que era um trabalho noturno, no qual eu poderia, facilmente arrumar tempo para meus estudos.
Mandei email dizendo que já havia experiência e gostaria de fazer uma entrevista. Me responderam no dia seguinte dizendo que eu podia visitar o lugar e conversar com o responsável da vaga. Oba! Meu primeiro emprego!
Fui no dia seguinte, na hora combinada.
A entrada não parecia muito acolhedora. Depois do corredor escuro de entrada, uma escada imensa para o andar debaixo. Desci e encontrei algo não muito esperado.
O lugar era coberto de sofás com homens velhos engravatados tomando champanhe e conversando com essas garotas lindíssimas, semi – nuas.
No meio de tudo um pequeno palco com strip - tease.
Lá estava eu, conhecendo um Gentlemen`s Club sem querer.
Ao invés de ir embora, quis conversar com o tal do responsável (ainda tinha a esperança de que hostess era a pessoa que recebia os clientes da casa, como no Brasil).
O dono era o esteriótipo de um cafetão. Cheio de jóias, meio gordo.
E foi aí que ele explicou a vaga.
As Hostess em Londres são mulheres que fazem companhia para homens ricos.
Sua função é conversar com eles de maneira sexy, dançar, e principalmente, fazer com que eles tomem champanhe. Seu salário é a comissão das garrafas vendidas.
Não me disse nada quanto a ter relação sexual com os clientes, mas enfim, continuei na lista de desempregados. Esse negócio de ser acompanhante não é comigo.
Portanto garotas, atenção, se assim como eu, vocês não se sente bem com esse tipo de emprego e se , por acaso, acharem algum anúncio para ser hostess é bom verificar primeiro a procedência da empresa.

Depois acabei visitando um outro Gentlemen`s Bar em Liverpool street, mas agora fui como “cliente” por curiosidade. Esse era um pub que parece normal porém com strippers (esse sem hostess) Para cada strip cada uma das pessoas que estão na casa tem que pagar 1 libra.
Não sei se esses trabalhos são legais na Inglaterra (procurei na internet e não achei) e o Brasil com Z não apóia nenhum tipo de trabalho ilegal (principalmente no exterior), mas se vocês tiveram curiosidade de conhecer aí vão os endereços:
The White Horse - http://www.thewhitehorsepub.biz/location.htm
Rififi Club - http://www.rifificlub.co.uk/
Fazendo umas pesquisa no Wikipédia descobri que esses Gentlemen`s clubs nos quais citei acima são uma distorção das originais , que são, simplesmente, clubes de membros masculinos da alta sociedade.
Postado por Ingrid Mantovani
2 comments Setembro 1, 2008
Baile Átha Cliath (… ou Dublin mesmo!)

Bom, sou novo aqui no Brasil com Z então o primeiro post é para me apresentar!
Meu nome é Marcos e moro em Dublin, cheguei na Irlanda há 45 dias!
Passei os últimos dois anos trabalhando em Navios de Cruzeiro, foram dois contratos em cias e navios diferentes, várias amizades e muitos lugares visitados (ah, e muito trabalho principalmente!). A experiência foi válida e essencial para atingir meu objetivo de morar no exterior e estudar inglês.
Tinha vários países em mente e na verdade me decidi por Dublin em cima da hora, pois já estava com tudo pronto para ir pra Austrália. Mas não desisti da terra dos cangurus e muito menos me arrependo de vir pra terra da Guinness!
Como desembarquei de férias do navio em Veneza (foi só pegar um vôo da Ryan Air pra Dublin), vim primeiro como Turista pra conhecer a cidade e não precisei pensar muito, no dia seguinte já tinha matriculado na escola de inglês.
Como desde cedo sempre viajei, mudei algumas vezes de cidade e também a experiência no navio de dormir na Itália e acordar na Grécia, dividir uma cabine minúscula e chamar de casa, conviver com pessoas de mais de 50 nacionalidades diferentes, enfim conhecer diferentes culturas, costumes e lugares me fez uma pessoa mais adaptável. Então se preparem para uma visão bem otimista de Dublin!
Estou em Dublin para estudar inglês, conhecer os Pubs (e trabalhar neles), tomar muita Guinness, viajar pela Europa, sentir frio voltando do trampo as 4 da madruga no inverno, se jogar na grama do Stephen’s Green Park no verão, comer batata, ver igreja, guindaste e pub por todos os lados, etc, etc, etc… enfim, pela experiência de vida!
*Como vocês sabem a Tânia também é colaboradora de Dublin e acho que vai ser bem interessante opiniões e pontos de vista diferentes!
Abraços!
Postado por Marcos Oliveira Gomes
4 comments Agosto 28, 2008
My first impression about: Canada, eh!
Já contei para vocês que sou um procrastinador ? Não? Pois bem, eu sou, talvez por isso meus posts demorem tanto a surgir, mas antes tarde do que nunca. Rs.
Bom, antes de começar gostaria de deixar algo claro, esse post contém opiniões pessoais minhas e embora o Canada tenha lá seus defeitos como qualquer outro pais no mundo eu tenho uma certa “tendência” a escrever boas coisas a respeito daqui, afinal esse foi o país que eu escolhi para viver.
Cheguei aqui em Julho de 2004, após 12 horas de viagem sem escalas na classe economica da Air Canada, nunca tinha voado na minha vida, e sempre fui apaixonado por aviões, logo tinha tudo para ser uma experiencia agradável: Não, não foi.

Se você nunca fez um voo desse tipo, você não vai entender do que estou falando, mas vai por mim, depois de 6 hrs numa poltrona de classe economica, quando te servem a segunda refeição você olha para aquela faquinha de plástico e para suas pernas e começa a pensar: Será que eu preciso mesmo dessas pernas? Quanto espaço adicional vou conseguir se não mais as tiver? rs.
Mas fui forte, resisti as 12 horas compactado naquele cubículo e já pude ver a organização de Toronto da janela do AC-091 (código do voo de Sampa para Toronto pela Air Canada, e sim, você volta no AC-090, eu ainda não fiz essa parte da viagem, rs).

CN Tower vista do lago.
Toronto é uma cidade geométrica, dividida por dezenas de ruas norte-sul que cruzam as ruas leste-oeste, demorou um pouco para eu me acostumar com direções do tipo: ao norte da “Dufferin St”, mas depois que você se acostuma, e aprende que o lago e a CN Tower na maior parte das vezes esta para o Sul, a coisa fica mais fácil.
Fato interessante: A Yonge Street em Toronto era considerada a maior avenida do mundo até dividirem ela em 2 (Agora parte dela eh a Hwy 11), mas é comum aqui uma mesma avenida ser tão comprida que chega a cortar 4 ou 5 diferentes cidades.
Desembarquei no Toronto Pearson Int Airport, onde a grande maioria dos voos que vem do atlântico chegam, e já tive minha primeira boa impressão, o aeroporto é imenso, e mesmo assim, extremamente organizado e além de tudo, muito bonito.

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Após aquela parte burocrática que todos nós passamos na imigração (nem posso reclamar muito da minha, me fizeram meia dúzia de perguntas e me despacharam) finalmente sai do aeroporto e dei minha primeira volta em Toronto.
A primeira grande diferença que notei sem duvida foi a qualidade do ar, apesar de ser uma cidade grande, acho que o ar em Toronto muito mais desprovido de poluição do que o de São Paulo, mas não é para menos, Toronto tem centenas de parques e campos de golf bem no meio da cidade, o que deve ajudar contribuir muito para a despoluição do ar.
Um aspecto que me chamou a atenção em Toronto foi a grande quantidade de imigrantes nessa cidade, Toronto afirma ser a cidade mais multicultural do mundo, não sei se é verdade, mas de fato tem gente do mundo inteiro aqui, e é extramente comum você ir a lugares da cidade onde 80% do bairro é de uma mesma etnia e todo mundo ainda fala sua língua nativa. Essas pessoas já não são mais imigrantes temporários, são pessoas que vivem aqui a 20,30 as vezes 40 anos, e em certos casos, nunca sequer aprenderam a falar inglês.

Cruzamento da Dundas St com a Dufferin St, se você quer encontrar brasileiros ou algum produto do Brasil, esse é o lugar.
Falando de etnias, uma coisa que não posso reclamar daqui é o preconceito contra imigrantes, em geral o Canadense é bem “friendly” com os imigrantes em geral, e também não tende a reclamar ou te tratar mal porque você não fala inglês corretamente ou tem sotaque, posso dizer que se sofri qualquer tipo de preconceito aqui, foi por parte dos próprios imigrantes.
Outra coisa que me chama atenção aqui é a limpeza da cidade, o governo faz um investimento absurdo nisso, alem de varias campanha de conscientização, posso dizer que devida as proporções de Toronto, a cidade é muito bem limpa.
Com relação ao transito, também não posso reclamar muito, o asfalto tem uma qualidade boa, as ruas são largas e apesar de hoje em dia reclamar quando tenho que cruzar e cidade em horário de pico e isso leva no maximo 1 hr, quando penso no transito que eu enfrentava em São Paulo chego a conclusão que isso não é nada.
O transporte coletivo dentro de Toronto também funciona muito bem, as linhas de metro cobrem bem a cidade e os onibus geralmente são pontuais. Outra coisa que me agrada no transporte aqui é o famoso “Metropass”, é um cartão que você compra no começo de cada mês, custa algo na casa de 100 dolares e te permite usar o transporte coletivo (Onibus e Metro) o quanto você quiser durante o mês todo sem pagar mais nada.

Metropass de Setembro do ano passado.
Um pais e seu logo.

Lembra que falei que ia explicar a respeito da “florzinha” na bandeira do Canada? Então, essa florzinha chama se Maple Leaf, ela é a folha de uma arvore extremamente comum aqui no Canada, por isso adotaram ela para a bandeira.
O fato interessante a respeito da maple leaf é que alem de ser usada na bandeira ela é um símbolo nacional “patriótico supremo” (rs) do Canada, ao lado do Alce e do guarda da RMCP que postei anteriormente.
Logo, todo que qualquer Canadense vai ter uma maple leaf estampada em algum lugar, atrás do carro, bordada na mochila, no papel de parede, se você quer mostrar que você é canadense, mostre sua maple leaf, até algumas empresas adotam a maple leaf como parte do seu logo quando vem para o Canada, como o exemplo abaixo:

Tio Ronald também usa a maple leaf !
Curiosidade: A maple leaf não vem “de fabrica” vermelhinha, ela é verde, quando chega o Outono ela seca e adquiri o tom avermelhado que todo mundo conhece.
Bom, por hoje é só pessoal, infelizmente não tenho muito tempo para escrever, mas tentarei aparecer aqui esporadicamente para mais “views” a respeito do Canada.
Se você tiver perguntas a repeito do Canada, fique a vontade de perguntar, infelizmente eu não respondo perguntas por e-mail mas farei o possível para responder na area de comentarios.
Later.
2 comments Agosto 27, 2008
Trabalho em Israel
Fazem 60 anos, o Estado de Israel foi fundado. Não foi fácil construir este país do zero. Existiam algumas coisas por aqui antes de que se iniciasse a colonização judaica, mas realmente não muita coisa, quase nada. Milhares de judeus vieram antes mesmo de existir um estado judaico, sobre autoridade turca e logo inglesa, para iniciar os trabalhos de construção da nova realidade.
Dois grandes ideologos dessa época são Dov Ber Borochov e A. D. Gordon. Os dois figurinhas entenderam desde um princípio que o burguês judeu da Europa (Oriental principalmente, pois os judeus eram proibidos de ter bens como terras e portanto se prendiam ao bem financeiro como forma de juntar herança) teria que agarrar as ferramentas e trabalhar na agricultura em um princípio e subseqüentemente nas fábricas. Borochov desenvolve a teoria da pirâmide invertida, aonde as massas são profissionais (como advogados, doutores, engenheiros, etc) e não trabalhadores. E portanto, esses profissionais recém chegados teriam que colocar a mão na massa e juntar-se a classe trabalhadora para que se possa levantar essa nova sociedade.
Quando era mais jovem carregava essa idéia na cabeça, de justiça social, de uma sociedade igualitária, aonde todo o povo como um trabalha para concretizar um ideal, o Sionismo Trabalhista pelo qual fui ativista no Brasil durante muitos anos. Esses foram os anos mais duros da história de Israel, mas foram os anos de maior calor, anos dourados para muitos que ainda se lembram da época em que todos eram mais simples juntos, uma sociedade extremamente unida e com objetivos claros - levantar o estado judeu em Israel, na terra prometida ao povo durante milhares de anos. A sensação de trabalhar por esse ideal movimentou este país por muitos anos.
Mas tudo que é bom dura pouco, e com o passar dos anos essas visões foram ficando de lado e o país esta cada vez mais parecido com países europeus, aonde o interesse econômico tem forte influencia.
Não recomendaria vir para Israel se não tiver um vínculo forte com a ideologia sionista. Aqui não se fazem fortunas em trabalhos simples como em alguns países europeus. O auto convencimento de que você esta trabalhando por algo maior que dinheiro é o que me move aqui. Outro detalhe não muito agradável para a grande maioria é que o exército aqui é obrigatório, mesmo se você resolveu imigrar aos 23 anos. No exército, a ideologia é fundamental para se manter no lugar(mentalmente) e sentir alguma gratificação em servir para o sistema militar. O exército de Israel é considerado um dos melhores do mundo, mas para os jovens Israelenses, significam 3 anos de escravidão para um sistema estúpido de coerção.
Por ser obrigatório e realmente uma necessidade, para a sobrevivência do estado que se encontra rodeado por território hostíl, o exército ganha força nas batalhas por que para aqueles judeus, é o tudo ou nada. Não se trata de um exército de mercenários, mas um exército de cidadãos defendendo diretamente suas famílias. Imagina você mesmo tendo que defender o Brasil lutando na Floresta Amazônica, por ex., ou lutando a 60km da sua casa com mísseis caindo na zona onde toda sua família vive. É claro que no segundo caso você vai entrar com muito mais garra pra vencer - por que é tudo ou nada.
Mas não vou entrar no tema exército nesse artigo, por que tenho muito conhecimento nessa área, servi como oficial de relações públicas do exército e tive que dar muita explicação pra gente importante sobre as ações do exército de Israel nos últimos anos.
Esse trabalho no exército me abriu muitas portas aqui em Israel. O exército é a primeira experiência de “trabalho” de todo jovem israelense. Logo depois da escola o jovem passa por diversos testes e entra no exército para servir de acordo com seus talentos. Isso acaba definindo muitas vezes os papéis desses jovens na sociedade posteriormente. Também existem jovens que decidem seguir carreira militar, o que é um grande prestígio para os mais idealistas e têm também diversos beneficios para a família e aposentadoria.
O mercado de trabalho para estrangeiros em Israel não é muito grato. Como é no Japão com os decendentes de japoneses, em Israel, os decendentes de judeus tem direito imediato a um visto de trabalho, e os que não tem decendência podem vir trabalhar, mas tem que ter um empregador disposto a contratar essa pessoa para que o empregador possa aplicar frente ao ministério responsável o pedido de visto.
Uma coisa que é certa em Israel, ser doméstica, pedreiro, motorista, trabalhar pesado dá muito mais dinheiro que em qualquer país de terceiro mundo e muito mais cobertura médica em caso de acidente e parecidos. Mas não há nenhum interesse do estado e de empregadores em receber residentes temporários e pagar visto de trabalho para fazer esses trabalhos. O que acaba ficando como um belo mercado de trabalho para os imigrantes, decendentes de judeus, de países de terceiro mundo que já faziam isso ou que estavam desempregados em seu país por muitos anos e que tudo o que necessitavam era uma oportunidade para poder trabalhar e se sustentar dignamente. Muitos decendentes de judeus argentinos durante e depois da crise recente vieram se refugiar em Israel e tem tomado muitas posições na base da economia israelense como os que citei antes.
Uma das melhores maneiras de vir para Israel e se autosustentar é o voluntariado em um kibbutz (קיבוץ). Os kibutzim são sociedades agrícolas que foram formadas pelos mesmos ideólogos do Sionismo Trabalhista. É uma sociedade igualitária, aonde todo o fruto do trabalho é dividido entre seus chaverim (membros). A força do trabalho coletivo movimentou a economia e o desenvolvimento do país durante muitos anos, mas o sistema kibutziano se encontra em decadência e necessita da ajuda de voluntários para poder manter suas portas abertas e a ideologia socialista de pé. É por isso que já tem alguns bons anos que se pode conseguir permissão de trabalho e vivenda em um kibutz através do movimento kibutziano em Israel.
Não tem nenhuma representação do movimento ai no Brasil, tudo deve ser feito aqui, mas dá pra ligar ou mandar e-mail e se informar se você fala Inglês:
Site do Movimento “Kibutzi Artzi” (קיבוצי ארצי “Kibutziano” Nacional).
Kibbutz Program Center
Volunteer Dep. of the kibbutz movement
6 Frishman st., Tel Aviv
Tel: 972-3-5246156
Fax: 972-3-5239966
kpc@volunteer.co.il
www.kibbutz.org.il
Esse é o melhor caminho para vir a Israel passar um tempo, conhecer e não se preocupar com trabalho (pois você trabalha no kibutz garantido) e tem moradia, comida, roupa lavada, etc…
Não é uma maneira de fazer grana. Israel não tem nada para que você faça grana e volte para o Brasil sem ter imigrado. Existe uma onda de imigração ilegal da Tailândia e Filipinas e só é “aceito” por que são mão de obra extremamente barata e o mais importante: disciplinada. Não conheço brasileiros que tenham vindo para Israel trabalhar sem ter imigrado. Mesmo os que não tem descendência judaica, tem esposa judia ou israelense.
Se você tem na sua família algum judeu, você pode aplicar para imigrar e se aprender o hebraico e se integrar na sociedade com seu talento, pode ter sucesso neste novo país. Mas como disse e repito, Israel não é um país de oportunidades, é um país para idealistas.
Para informações sobre imigração, aqui está o site da Agência Judaica sobre Aliá (imigração עליה).
Se a sua não é trabalho, mas sim estudos, Israel é uma ótima opção! É um dos países com mais instituições de ensino superior por habitante do mundo, existem muitos especialistas de diversas áreas aqui. Há programas de intercâmbio na Universidade Hebraica de Jerusalém, Tel-Aviv, Bar-Ilan e Haifa. Institutos renomados de ciência e tecnologia como o Weizmann e o Technion também aceitam estrangeiros com destaque em suas áreas. Também há uma instituição privada, o IDC em Herzelya, que tem programas com classes em inglês apenas em diversas áreas, inclusive humanas. Diversas pessoas em todo o mundo já estudaram em Israel, dentre elas o atual presidente do Uruguay, Tabaré Vasques, que estudou alguns anos no Instituto Weizzman e esteve esta semana aqui em Israel com um grupo de cientistas do Uruguay para tratar de aumentar a conexão e intercâmbio entre os dois países neste setor.
Para mais informações de como conseguir bolsas de estudo para estudar aqui em Israel, recomendo entrar no site da Embaixada de Israel no Brasil e se interessar pelo programa Mashav, que é um programa criado em 1950 (2 anos depois da independência de Israel) e foca no intercâmbio de mentes. Este pequeno país têm na ciência e no desenvolvimento do pensamento crítico grande parte de seus objetivos e desde um princípio isso fica claro - o primeiro presidente de Israel foi o renomado químico Chaim Weizmann que reuniu as grandes cabeças do povo judeu em Israel em busca de desenvolvimento acadêmico. Dentre eles, Albert Einstein que presidiu a Universidade Hebraica de Jerusalém durante 4 anos (1925-1928) antes mesmo da independência do estado. Einstein deixou para a Universidade uma bela herança: Todos os documentos escritos durante toda a sua vida, todas as suas teorias, invenções e até mesmo o direito de uso comercial da imagem do cientista são propriedade da mesma.
8 comments Agosto 26, 2008
Libras, para que te quero

O filósofo alemão Karl Marx, autor da obra O Capital, foi enterrado no cemitério de Highgate em Londres
Vim a Londres apenas para estudar inglês e fazer turismo. Quando decidi estender a minha permanência, me dei conta de que precisaria trabalhar para me sustentar. A vida de estudante estava uma maravilha, mas ao retornar de uma viagem que fiz pela Europa, vi que as minguadas libras que restaram não iam durar muito tempo. Nem preciso dizer o quanto alto é o custo de vida nessa cidade. O que fazer então?
Disposta a encarar qualquer parada, fui procurar algumas agências de catering que foram indicadas por conhecidos. Lá fui eu me aventurar carregando bandeja pra cima e pra baixo, vestindo uniforme e gravata e falando um inglês bem meia boca. Foram dois anos de trabalho duro, mas aprendi muita coisa e também conheci muita gente interessante.
O tipo de trabalho que você pode conseguir por aqui vai depender de duas condições básicas: tipo de visto e nível inglês.
O visto de turista não te dá permissão legal de trabalho. Apesar disso, existem milhares de brasileiros trabalhando em Londres ilegalmente. Você teria dificuldades de arranjar emprego pois a maioria dos empregadores exige permissão de trabalho e, se conseguir algo, provavelmente terá uma baixa remuneração. Já para quem tem visto de estudante, a vida fica um pouco mais fácil e encontrar trabalho é só uma questão de tempo e determinação. No entanto, você precisara frequentar o curso onde se matriculou senão poderá ter problemas na renovação do visto. Para os que tem cidadania européia ou permissão de trabalho integral, as portas estarão abertas para você. Nem que você não fale bem inglês, mais dia menos dia algum trabalho você vai acabar encontrando.

Os famosos homem-placa em ação na Oxford Street vão desaparecer em breve após mudança na legislação visando despoluir o visual da movimentada avenida.
Para os que não falam nada de inglês, existe uma gama de trabalhos disponíveis: fazer faxina em casas ou escritórios, trabalhar de ajudante de obra, arrumar quarto de hotel, distribuir panfletos, lavar pratos, limpar carpete, lavar carros etc. Ganha-se na faixa de £3.50 a £5.00 por hora. São aqueles empregos que os ingleses de classe baixa desprezam pois eles ganham a mesma coisa vivendo apenas com os benefícios dados pelo governo britânico.
Se você fala um pouco de inglês, encontra-se trabalho de garcom, babá, atendente de loja, ajudante de escritório, segurança, etc. Paga-se em torno de £5 a £8 por hora, o suficiente para pagar as contas.
Na categoria dos autonomos, encontram-se os motoboys, encanadores, eletricistas, pedreiros, cabeleireiros, manicure/pedicure, motoristas de mudança etc. Há também que se vire fazendo salgadinhos ou até vendendo picanha congelada!
Para aqueles que desejam trabalhar na sua área de formação, inglês fluente tanto escrito como verbal, experiência comprovada e visto de trabalho integral são requisitos básicos. Existe uma carência de profissionais qualificados em varias áreas: enfermaria, tecnologia e assistência social só para citar algumas. Logo, vale a pena pesquisar na Internet e enviar currículos a possíveis empregadores. Para os que não tem visto de trabalho, existe a alternativa de vir fazer um curso de especialização. Morando e estudando aqui, fica mais fácil fazer pesquisa de mercado e possivelmente encontrar algum empregador disposto a te patrocinar. Paga-se acima de £20,000 libras por ano.
Seja lá procurando trabalho de limpeza ou de analista de sistemas, o importante é “correr atrás”. Londres é uma cidade cheia de oportunidades. Imigrantes de toda Europa e do mundo todo vem para cá para trabalhar porque existe demanda.
Não se intimide com os ingleses. Eles não mordem. Por trás de um olhar frio pode estar alguém desesperado por um funcionário esforçado como você. Muitos empregadores dão preferência aos estrangeiros por saber que eles realmente precisam de trabalho ao contrário dos seus compatriotas ingleses que adoram fazer um corpo mole. E se você se encontrar trabalhando lado a lado com eles, tenha paciência até ganhar um pouco de confiança. Os ingleses são pessoas normalmente muito educadas e reservadas - até você encontrá-lo no pub bêbado na sexta-feira após o expediente…
Aqui estão alguns dos muitos sites de emprego que eu indico:
Para dúvidas sobre imigração e visto no Reino Unido, vá direto à fonte oficial que é sempre atualizada com as últimas mudanças nas leis de imigração. Jamais confie em fontes duvidosas.
Boa sorte!
Postado por Flor do Exílio
2 comments Agosto 23, 2008
Irlanda - Como morar e se locomover
Conversando com colegas de outros países, posso concluir que o custo de vida na Irlanda é um dos mais em conta. Claro que temos que por em prática o dito “quem converte, não se diverte”.
Sobre a habitação não muda muito: quanto mais perto do centro, mais caro. Em Dublin, as zonas são dividas em sei lá até que número (depois procuro esta informação) e, quanto maior o número, mais longe do centro. Aliás, o centro é Dublin 1 e 2.
Historiazinha: existe um rio, o Lifrey, que corta Dublin em duas partes, norte é o lado ímpar e, duh, o sul o lado par.

Várias coisas influem no aluguel, como a localização, quantidade de pessoas na casa e em cada quarto, assim por diante. Existem pessoas que vêm pra cá no esquema host family e continuam na mesma casa pela comodidade. Só pela comodidade mesmo, pois no meu ponto de vista nem vale muito a pena. Eu por exemplo pagava €650 (se não me engano, porque já esqueci, mas é por aí, e já com as contas) e agora pago €190 (só aluguel, sem as contas). Alguns lugares solicitam que vocês tenham um fiador, uns não. Outros pedem depósito (geralmente equivalente a um mês de aluguel), outros não. Alguns tem contrato de 6 meses, outros de 1 ano. Tem que procurar mesmo com os colegas de sala, de trabalho. Sei de um site bacana que o povo costuma consultar: www.daft.ie
As contas de luz e gás chegam de dois em dois meses. A água é “de graça”. A minha de luz, veio €83 com oito pessoas morando na casa. A de gás não chegou ainda. Creio que vai ser um pouco mais cara que a de luz, isso porque nem tá na época de frio. Porque quando o inverno chegar, a conta de gás deve ser altíssima por causa do aquecedor.
O transporte daqui tem seus pontos bons e ruins. Existem os ônibus, o dart (trem) e os luas (tipo bondinho). Para todos eles, existem as tabelas com os horários. Se bem que a pontualidade irlandesa é bem duvidosa. Já vou falar um pouco dos luas, porque nunca peguei e a única coisa que sei que é uma mão na roda pra ir do centro até os Dublins mais afastados.
O sistema do dart é bonzinho. As três estações que servem o centro são: a Connoly, a Tara e a Pearse. Os trens são bem conservados, mas as plataformas são horrorosas e algumas, a maioria, são abertas. Ou seja. Como nesse lugar chove quase o tempo inteiro, é um inferno. Com o Dart, você consegue ir para vários pontos de Dublin, até o mais interiorzão. Claro que o valor muda de estação para estação, dependendo da distância.
Os ônibus também são bonzinhos, vai. Só que o intervalo deles no domingo e nos feriados (ah, isso acontece no dart Tb) são imensos. E muitas das vezes que precisei deles, tiveram ainda mega atraso. De dia de semana, no centro de Dublin, é um horror. Transito infernal. Não chega a ser um daqueles de duas horas de São Paulo, mas pode ter certeza que deixa os motoristas de cabelo em pé.
Por isso que, ao escolher uma moradia, você tem que por na balança se realmente vale a pena pagar menos e morar mais longe do seu local de estudo ou de trabalho. Eu nem escolheria isso.
E o taxi aqui não é tãaaaaaaao caro assim. Por exemplo: do centro até o aeroporto de Dublin (mais ou menos meia hora)dá em média uns 24 euros. Em último caso, se você perder os horários do dart e do ônibus, ou se você e seus amigos estiverem cansados e com preguiça, ou ainda se você estiver cheio de sacola de compras, é uma opção super viável :}
Já volto…
Sites úteis, com infos, horários:
ônibus - www.dublinbus.ie
dart - www.irishrail.com
luas - www.luas.ie
1 comment Agosto 22, 2008
Trabalho no Japão

Trabalhar no Japão soa como uma saída fácil e lucrativa para os problemas financeiros do Brasil. Afinal, quem nunca ouviu histórias de trabalhos esquisitos que pagam salários exorbitantes? Fora a forte economia, o Japão hospeda mais de 300 mil brasileiros, sua 3ª maior comunidade estrangeira, portanto é bem provável se encontrar lugares perfeitamente adaptados para um trabalhador tupiniquim. Infra-estrutura de primeiro mundo e ofertas de emprego de sobra num país onde se esbanja riquesa por todos os cantos. Mas será que tudo é assim tão simples?
Fazendo de uma longa conversa um bate-papo rápido, vou responder apenas às perguntas mais freqüentes que tenho respondido no meu blog. No banner do post há um link para um texto mais detalhado de como procurar ofertas de emprego no Japão pela internet, é só clicar se tiver interesse.
Salário
Primeiro, a velha máxima: sim, no Japão se ganha bem, MAS, se gasta um absurdo para morar aqui. Os salários, em média, variam entre R$1.800 até R$4.400 em empregos fixos regulares. Se você for um funcionário regulamentado há ainda o ganho de bônus 2x por ano, o que totaliza uma média de 3 a 4 milhões de ienes por ano. A lenda de que mulheres ganham menos que homens é verdadeira em parte. No caso das fábricas, mulheres geralmente não conseguem fazer serviços pesados, como carregar peças de ferro ou operar serras e britadeiras. Trabalhos sujos, pesados e perigosos são os que pagam melhor. Por isso há essa diferença.
Visto
Ser descendente de japoneses (ou cônjuge) lhe dá o direito de trabalhar regularmente em qualquer emprego sem restrições quanto à nacionalidade. Isso se o visto for de trabalho (longa permanência), caso seja de estudante existe uma restrinção quanto à carga horária, que é de 4h diárias apenas. Muitos jovens vêm ao Japão no período de férias para se fazer um trabalho temporário renumerado, chamado arubaito. É possível pagar todas as despesas de viagem, passear e ainda levar algum de volta num período de 3 meses. Para saber como é fazer arubaito, leia esse post.
Atenção: se você não tem descendência japonesa mas quer trabalhar no Japão saiba que é possivel desde que se consiga um emprego aqui que lhe garanta um visto de trabalho. Nesse caso muita gente vem a turismo e aproveita para fazer entrevista. Funciona também entrando em contato com as empresas antes de comprar a passagem.
Pé de Meia
Dá pra juntar dinheiro trabalhando na ilhota? Estaria mentindo se dissesse que não dá. Mas é complicado como em qualquer lugar do mundo. Talvez mais fácil que no Brasil, mas difícil de todo jeito. Para uma pessoa sozinha as tentações são muitas. Poucos conseguem conter os gastos com diversão, comida e viagens. Existem muitos brasileiros, a maioria jovens, que estão endividados. Porém acredito que casais tenham muito mais facilidade em administrar a renda. Além de ter entrada de dinheiro dupla todo mês, estando em dois as despesas também caem bastante, principalmente com aluguel e alimentação. Já conheci muita gente que conseguiu comprar seu carro, sua casa e ainda pagar a escola dos filhos sem problemas maiores, apenas com determinação e organização. O Japão é o país do planejamento e do esforço recompensado. Quem esquematiza melhor o futuro, ganha mais.
Tipos de Serviço
É aqui que está a pegadinha. A maioria esmagadora dos brasileiros que vivem e trabalham no Japão estão em fábricas, sejam elas de produtos automobilísticos, eletrônicos, alimentares ou quaisquer outros. Há escassez de mão de obra para trabalhos desse tipo. Tanto que o governo japonês estuda a concessão de vistos de trabalho inclusive para brasileiros não-descendentes que queiram vir suar a camisa nas linhas de produção. Por causa disso é mais que provável que esse tipo de emprego apareça primeiro em qualquer busca/consulta que fizer. Existe já uma grande estrutura para abrigar trabalhadores de fábrica, muitos deles pode viver a vida inteira no país sem ter que falar uma palavra sequer do idioma.
Há também trabalhos que exigem perícia, domínio de técnica e especialização, como trabalhos na área de tecnologia, imprensa, artes gráficas e até mesmo engenharia e áreas da educação. Nesses casos faz-se imprencidível o conhecimento do inglês e um nível mais que satisfatório do idioma japonês. Também são os que têm o melhor salário e, pasmem, grande demanda. Mesmo não dominando outro idioma que não o nativo, ainda se encontra boas chances de colocação dentro das empresas brasileiras que vêm crescendo na comunidade. Eu diria até que alguém com experiência e determinação só fica sem trabalho se quiser.
Parafraseando meus colegas autores, não importa o trabalho. O que vale é a experiência. Se está contribuindo para atingir os seus objetivos, orgulhe-se do que faz. Quando cheguei, meu primeiro trabalho foi numa linha de produção. Era sujo, pesado e eu odiava o serviço, mas não me envergonho nem um pouco de ter sujado as mãos e sentido na pele o que passam nossos compatriotas para poder viver longe de casa.

Faça como Bob (Bill Murray em Lost in Translation), venha trabalhar no Japão! ; )
Matta kondo!
postado por ShigueS
4 comments Agosto 22, 2008
Travail en France
Quando decidi vir para Europa (primeiro morei em Londres) não queria trabalhar na minha área.
As pessoas geralmente acham estranho quando digo isso, e imagino que os leitores desse blog também, por isso dedicarei algumas linhas para explicar meu modo de pensar.
É normal que no mundo das especializações as pessoas achem estranho alguém que não quer trabalhar na sua área de formação.

Mas eu penso o oposto. Acho que em um mundo tão cheio de milhares de coisas interessantes a especialização (e só ela), é uma forma de limitação. Eu queria mais, queria descobrir a força oculta, que se esconde nos que nunca precisaram demonstra-la. Queria sentir o prazer de resultados imediatos. Queria saber o que se esconde nos pensamentos das pessoas que limpam banheiros, cuidam de crianças ou atendem nossas mesas de restaurantes. Estava prestes a descobrir lados ocultos que a vida de uma menina nascida na classe média do Brasil não permitia
Então, depois de formada e com experiência na área na qual eu achei que gostaria de trabalhar , não quis ficar no Brasil e continuar algo que não tinha começado bem.
Vim para a Europa querendo fazer um real “Gap Year” (não encontro tradução para isso então coloquei em inglês mesmo). Dividir casa, estudar línguas, trabalhar com o que aparecesse, descobrir mais sobre mim mesma e saber do que era capaz.
Nesses dois anos que moro fora já trabalhei de muita coisa e não me arrependi nenhum minuto de nada que fiz. Para falar a verdade, aprendi coisas que não aprenderia nunca se continuasse minha carreira no Brasil.
E hoje em dia sei que sou uma profissional muito melhor por causa dessa vida que tive no exterior. Como eu vi em um site um dia desses, não existe um bom patrão que nunca foi empregado e eu concordo.
Portanto, não se envergonhe de exercer nenhuma profissão, em todas elas você aprenderá coisas nova. O importante é ter um objetivo e ser o melhor no que faz.
Como prolonguei muito meus pensamentos vamos a pergunta prática: É fácil arrumar trabalho na França?
Depende. Claro que arrumar emprego na mesma área de atuação do Brasil é sempre mais complicado e exige muita paciência. Se você não fala francês as chances diminuem drasticamente, já que a população não é muito adepta a idéia de falar inglês dentro da empresa.
Também vale lembrar que se você tem o visto de estudante só tem direito de trabalhar 964 horas por ano. Isso equivale a um trabalho de meio período que não garante a sua sobrevivência na cidade, já que os custos são realmente altos.
Se você tem cidadania européia, tem direito a trabalhar período integral,o que facilita bastante.
Se a intenção é vir para cá guardar dinheiro, Paris não é a cidade ideal. O salário mínimo é de 8,71 euros brutos por hora (não se vê muitos salários mais altos que isso) e o custo de vida é caríssimo (repito porque é realmente exorbitante). Ficar rico aqui não é uma opção.
O patrão tem o salário somente 3 vezes mais alto do que o empregado (no Brasil isso aumenta para 12 vezes).
As taxas de impostos são de 20% do seu salário. A desigualdade social diminui, o que e ótimo. Mas é mais difícil de guardar dinheiro.
Para arrumar “Petits Boulots” (pequenos trabalhos) e mais fácil, mas eles são,geralmente, de meio-período.
Porém não desista facilmente de tentar arrumar trabalho. Às vezes as empresas só entram em contato depois de 6 meses ou até um ano depois do envio do currículo.
Algumas dicas podem ajudar:
- Faça um currículo e uma carta de apresentação (muito importante) em francês, mesmo que você não fale a língua, explicando, claramente, seus objetivos e talvez seus problemas com o idioma.
- Tente aprender francês antes de vir.
- Telefone para as empresas. Aqui os telefonemas dão mais resultados do que os emails.
Sites importantes:
- ANPE - Central de empregos.
- Emploi.org - Mostra diversos sites de empregos dependendo do tipo de trabalho que você procura (estágio, petit boulot, etc).
- Revista FUSAC - Empregos e acomodações para quem fala inglês.
- Bebe nounou - Site muito bom para quem quer trabalhar de “Air Pair” ou babá. É pago, mas vale a pena.
- Depoimentos de cidadãos sobre o mercado de trabalho francês no Le Monde.
Sei que não fui breve, mas espero tê-los ajudado.
Bonne Chance!
Postado por Ingrid Mantovani
Ilustração por Claire Péron
6 comments Agosto 21, 2008
Primeiras impressões em IBIZA
Quando me deparei com a decisão de vir para Ibiza ao invés de Barcelona, não pesquisei muito sobre o assunto. Afinal, já sabia o que me esperava: Uma ilha inteira de jovens lindos e solteiros a procura de grandes festas.
Me surpreendi.
Ibiza tem vários “lados” e públicos. Basta você escolher sua tribo. Vou tentar registrar aqui no Brasil com Z essa diversidade que é dominada somente pela imagem de “destino balada”.

Vivo em Santa Eulária que fica ao sul da ilha.
É o segundo maior bairro de Ibiza (seguido por Eivissa) mas nem por isso o mais conhecido. Minha primeira impressão foi a de estar vivendo em uma vila onde todos se conhecem e se cumprimentam. Logo conhecemos o salva-vidas, o dono do bar, as meninas da loja de biquinis brasileiros (a salvação)… e assim vai. Essa foi a minha escolha. Viver em um lugar tranqüilo e ter o agito como opção. Mas claro que Ibiza não é assim.
SANTO ANTONI – o lado mais famoso

Passei 3 dias em Santo Antoni, região ao norte da ilha que reúne muitos hotéis, lojas, restaurantes e bares, como o famoso Cafe del Mar. Fiquei impressionada com a quantidade de ingleses que dominam aquela parte da ilha. O centro de Santo Antoni é agitado por pubs tipicamente ingleses e restaurantes fast food. Os mini mercados, que são o maior quebra-galho, são cheios de produtos ingleses, e os restaurantes servem “english breakfast, fish and chips e kebab”. Resumindo, era como se estivessemos em uma Londres com praia. Muito obrigada… mas vim pra cá pra me sentir na Espanha mesmo!
Com o passar das horas, aquelas ruas vão enchendo de inglesinhos e inglesinhas empenhados em beber e causar até cair. O resultado você encontra na rua… desviando para não pisar.
A outra parte de Santo Antoni, que fica a beira mar é surpreendentemente LINDA. Ali, com uma vista fabulosa para o mar, com mesas e cadeiras ao ar livre, ficam os restaurantes famosos (e vamos dizer, que exigem um poder aquisitivo alto) como Mambo, Savanah, Kama Sushi e o (finalmente!) Cafe del Mar. E vou te dizer… que este último, deixa a desejar. Apesar do nome, o Cafe del Mar não oferece nada além do que os outros restaurantes da costa oferecem… as cadeiras estão velhas e tive a impressão de estar meio “largado”, contanto somente com o nome para manter glamour o lugar. Mas há bares e bares… Por exemplo, um lugar novo chamado SunSea Bar que oferece um espaço fantástico com sofás, pufs e almofadas, uso da piscina, coquetéis deliciosos e ainda uma linda vista para o pôr do sol.

Ah, o pôr do sol! Parece ser um ritual em Ibiza
Imagine…
E então, são 8h da noite em Santo Antoni. Os restaurantes, bares, pedras, escadas, vão ficando lotados pelos espectadores do pôr do sol. A rua fica cada vez mais cheia e para sentar em uma das mesas dos bares, eh uma guerra… o pessoal vai se apertando ao pé dos restaurantes, próximo das pedras e do mar, para garantir um bom lugar para assistir o espetáculo do Rei Sol.

O show começa e a energia é única. Todos assistem, conversam, fumam, bebem… e assim vai… até mais ou menos 21h30, quando o sol some por completo e a galera bate palma e assovia vibrando pelo momento que acabara de viver. Único.
Postado por Raquel Carrara
4 comments Agosto 20, 2008










