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Será que vai acabar em pizza?
Luciana R.
Colaborando de Roma, Itália
Emmanuel Bonsu Foster é um jovem africano de 22 anos, residente em Parma, no rico Norte da Itália. No dia 29 de setembro o jovem vai para a escola noturna que freqüenta. Por ter chegado muito cedo, deixa seu material na sala de aula e decide dar um passeio num parque público nos arredores.
Mas como muitos sabem, os parques públicos são alguns dos lugares mais freqüentados por traficantes e usuários de drogas. E freqüentemente os traficantes são jovens e adultos africanos, contratados pelas máfias locais para fazer o “trabalho sujo”, enquanto os chefões se escondem nas suas mansões.
Emmanuel é jovem, Emmanuel é negro, Emmanuel é africano e Emmanuel está passeando no parque. Emmanuel está no lugar errado, na hora errada.
Para alguns policiais Emmanuel é mais um negro delinqüente e traficante. Guardas municipais à paisana seguem Emmanuel, que se assusta e corre. Emanuel se assusta porque vê uns homens estranhos que o seguem. Os guardas municipais à paisana jogam Emmanuel no chão, batem, chutam e levam o “negrinho traficante” para a delegacia.
O jovem é humilhado e acusado de um crime que não cometeu, os policias forçam o jovem a confessar. O rapaz amedrontado assina uma declaração de “desacato e resistência física à autoridade policial”, e mais um outro documento que ele diz desconhecer o conteúdo.
A polícia se justifica dizendo que “quem não deve não teme”, e que se o jovem correu, ele provavelmente tinha algo a esconder.
Emmanuel e sua família resolvem denunciar e a Itália se inflama em polêmicas: racismo, fascismo, preconceito, imigração, criminalidade, quem tem razão? A polícia sempre na defensiva declara que o hematoma no olho do jovem foi causado quando ele escorregou e caiu no chão. Ou que os ferimentos foram feitos pelo próprio rapaz. Ou que, ainda, que a frase “Emanuel negro” escrito no envelope que continha os seus objetos pessoais, foi escrita por ele mesmo, e não por um dos policias, forjando uma denúncia de racismo.
Há uma semana esse é um dos temas mais abordados nos jornais. Após muitas autoridades policiais e até políticos tentarem desmentir e desacreditar o jovem, três testemunhas resolveram contar a verdade: cidadãs italianas corajosas que estavam no parque naquele momento e viram a cena de violência.
Emanuel hoje foi operado, porque a violência sofrida causou uma séria lesão no seu olho esquerdo.
E como se não bastasse, há quatro dias um grupo de jovens delinqüentes, de idade entre 14 e 17 anos, espancou um chinês que passava em um bairro da banlieu romana? O motivo do espancamento: “simplesmente” porque ele era chinês.
A população, a mídia, os políticos de esquerda, enfim, muitos perguntam se a estratégia eleitoral do governo de direita está dando seus (maus) frutos. Parte da campanha eleitoral foi baseada em slogans que ligavam o imigrante e/ou o imigrante clandestino à violência, marginalidade, ilegalidade. Como se toda a violência urbana das grandes cidades italianas (que nem de longe se compara à violência de grandes cidades brasileiras como Rio de Janeiro ou São Paulo) fosse culpa dos africanos, dos albaneses, dos romenos, dos “marroquinos” (como normalmente se chama qualquer imigrante “mulatinho” do Norte da África).
5 comments Outubro 7, 2008


