Archive for Novembro, 2008
Brasileiros no sul da França.
Ana Tereza
Aix-en-Provence, França
O tema desta quizena é ao mesmo tempo muito simpático e espinhoso: os conterrâneos que temos por perto. Laura e Alvim foram os dois brasileiros que conheci assim que cheguei na França. Ela dava aulas de português para o Nicolas (que ele abandonou assim que desembarquei de mala e cuia) e Alvim – que estava na França fazendo um PHD em transporte de gás - era uma espécie de «Embaixador do Brasil». Eles conheciam TODO MUNDO e foi através deles que aumentei o número de brasileiros entre os meus contatos. Sempre que encontrava um brasileiro Laura passava o meu telefone, foi assim que fiquei conhecendo a Rosinete em 2005, recém-chegada da Alemanha, onde ela morou por um ano. A aventura estrangeira da Rosinete começou em 1998 quando ela foi para a Inglaterra trabalhar para uma família de diplomatas. Foi em uma cidade do interior do país, durante um curso de salsa, que ela conheceu o francês Ludovic.
O Alvim tinha a mesma tática da Laura, era brasileira? “Pas de problème: anota o telefone da Ana”. Desse jeito entrei em contato com a Letícia, que já tinha ouvido falar da Sônia, que conhecia a Danielle, que me apresentou a Anne Sybille, que era amiga da Ana Carolina. Em seguida, a Cris entrou no grupo depois de dez anos morando nos Estados Unidos. Para começo de conversa tínhamos duas coisas em comum: éramos brasileiras e os nossos maridos franceses. Para uma parte do grupo o tempo trouxe a distância. Depois de terminar um mestrado em direito e conseguir um emprego no departamento jurídico da L’Occitane a advogada Letícia se mudou para a montanha. A sempre-indisponível-Sônia sumiu do mapa. A Laura e o Alvim voltaram para o Brasil deixando saudades. Para os que decidiram ficar os laços foram se estreitando: a Rosinete me ajudou várias vezes cuidando da Chloé quando estava fazendo os estágios, a Cris foi se aproximando trazendo com ela os três filhos lindos, no ano passado Danielle foi a minha madrinha de casamento e a Anne Sybille e a Ana Carolina vejo com freqüência nas festas que fazemos regularmente. Neste fim de semana, por exemplo, nos reunimos para o chá de bebê da Rosinete que espera o segundo filho. Este costume não existe na França, normalmente as francesas guardam segredo até o terceiro mês da gravidez – mesmo para a família – e só começam a fazer o enxoval às vésperas do parto. Relembrar os hábitos brasileiros e falar sem se preocupar com os erros de gramática são apenas dois dos melhores motivos para nos encontrarmos, também poderia citar os brigadeiros e as empadinhas da Nete, ou ainda, ver nossos maridos e filhos soltando o verbo na língua de Camões. Também é um prazer ver brasileiras que saíram do país por diferentes motivos – estudo, marido, trabalho – estarem com os papéis em dia, tenham ingressado no mercado de trabalho, se tornaram proprietárias e estejam vivendo bem e normalmente.
Depois de quatro anos vivendo por aqui cruzei com muitos turistas brasileiros no museu onde trabalho, na rua, em lojas. Com alguns troquei o mail e recebi belas fotos para guardar de lembrança. Com outros, a conversa foi rápida, dei algumas dicas e a vida continuou. Sempre é uma boa surpresa encontrar com brasileiros, mas é ainda melhor descobrir que eles moram por perto, nesse caso faço como a Laura e o Alvim, troco os telefones e dou o primeiro passo. Fazendo um balanço, tenho certeza de que a nacionalidade nos aproxima, mas são os gostos, as semelhanças, as prioridades, a certeza de que podemos contar com elas e uma energia em especial que vão fazer com que essas pessoas entrem definitivamente na nossa vida, sejam brasileiras ou não.
5 comments Novembro 30, 2008
Meu povo brasileiro, em Paris
Ingrid Mantovani
Paris, França
Antes de colocar meus pezinhos no velho continente tinha idéias completamente distintas das realidades que foram encontradas (já perceberam que sou uma pessoa bem imaginativa?).
Com relação aos imigrantes brasileiros não foi diferente, principalmente em Paris. Antes, achava que, como nos anos 60, os brasileiros iam para estudar nas ótimas universidades ou com objetivos políticos (como os refugiados da ditadura) ou iam para se apaixonar e ter inspirações para suas obras de artes.
Não era tão ingênua a ponto de achar que não existiam imigrantes ilegais a busca de dinheiro, mas achei que seria mais difícil encontrá-los, afinal, Paris não é a melhor cidade para guardá-lo. O índice de desemprego é alto, assim como o custo de vida e a dificuldade de encontrar um emprego sem uma situação legal.
Mas estava enganada. Existem milhares e milhares de brasileiros ilegais na França, que, por um motivo ou outro,acabaram lá. Um dos casos mais conhecidos é quando o imigrante tenta entrar na Inglaterra pela França. Mas como a imigração inglesa é mais rígida, eles acabam voltando para a França e ficando por lá.

Minhas amigas brasileiras na Cité Universitaire
Outro imigrante brasileiro muito comum de se encontrar é o cônjuge de cidadão francês. Com os avanços da internet,o incentivo ao turismo e o barateio das viagens de avião, ficou muito mais fácil corações solitários encontrarem seus pares,mesmo que do outro lado do oceano.
Claro que ainda encontrei muita gente indo para Paris para fazer mestrados e doutorados. O governo incentiva muito o estudo, mesmo para os imigrantes estrangeiros e se torna uma ótima oportunidade para o cidadão brasileiro já graduado que procura aprofundar seus conhecimentos, além de ampliar seu campo de visão do mundo e conhecer uma nova cultura.
E, obviamente ainda existem os eternos apaixonados e os artistas que largam tudo só para passar uma temporada às margens do Sena.

La Maison du Brésil
Acredito que o que falta para os expatriados brasileiros em Paris é união. Como morei em Londres antes, percebi a diferença. Em Londres a comunidade brasileira é muito unida, então tudo ficava mais fácil de entender (onde fazer o insurance number, onde procurar emprego, como funciona o transporte público e etc). Já em Paris, tudo foi muito confuso (eu me sentia dentro do livro O processo de Franz Kafka). Os poucos brasileiros que eu conhecia sabiam o mesmo que eu e tive que aprender tudo à cabeçadas. Foi por causa dessas cabeçadas, na verdade, que surgiu a idéia de fazer esse blog. E espero que esteja ajudando muitos brasileiros que esperam ir ou já estão no exterior a preservar mais suas cabeças, mas é claro que muita coisa só se aprende na marra mesmo.
Links:
Brazuca – é uma revista Brasileira com circulação em Paris e na Bélgica.
Jangada - Associação de cultura brasileira na França.
La Maison du Brésil - a “república” brasileira para os estudantes da Cité Universitaire.
Consulado Brasileiro em Paris .
13 comments Novembro 30, 2008
Italiano: a eterna língua de Dante
Luciana R.
Colaborando de Roma, Itália
A língua italiana ou italiano é uma língua românica falada por cerca de 70 milhões de pessoas, a maioria das quais vivem na Itália e na Suiça italiana. O italiano padrão baseia-se nos dialetos da Toscana e é de certo modo intermédio entre as línguas da Itália do sul e as línguas galo-românicas do norte. O italiano tem consoantes duplas (ou longas) tal como o latim, mas ao contrário da maior parte das línguas românicas modernas, como por exemplo, o francês, o espanhol ou o português elas são distintas. E além das consoantes duplas serem ambas pronunciadas, elas diferenciam o significado das palavras. Exemplo: ano (ânus) e anno (ano), nona (nona) ou nonna (avó), dita (empresa) ou ditta (dedos) ou ainda pene (pênis) e penne (macarrão penne). Nesse caso, a pronúncia correta seria algo tipo: non-na, pen-ne, an-no, dit-ta. Foi assim que o nosso professor de italiano nos ensinou a pronunciar as vocais duplas: simplesmente separando-as e pronunciando uma letra de cada vez. Para quem estuda música e sabe ler partituras, o conceito da “duração musical” na pronúncia da consoante dupla é o mesmo.
A língua italiana atual deriva em grande parte do latim vulgar, que era falado pelos soldados e pelos povos dominados pelos romanos. O italiano estandardizado, usado hoje na Itália, é descendente dos dialetos da Toscana, especialmente aquele falado em Florença, um dos mais importantes centros culturais da História italiana. Este dialeto ganhou prestígio sobretudo após ser usado por Dante Alighieri, o maior escritor italiano. Desta forma, o “italiano padrão” só era falado na região da Toscana. Com a unificação italiana, o dialeto de Florença foi escolhido como língua oficial da Itália.
A Itália, anteriormente dividida em diversos reinos, com línguas e dialetos próprios, só se unificou na segunda metade do século XIX. Diversos idiomas e dialetos prevaleciam entre a população do País. Estes dialetos eram, na maioria das vezes, incompreensíveis entre si. Por exemplo, um italiano que fale um dialeto do sul da Calábria não entende o dialeto de alguém do norte da Calábria. De uma cidade para outra, os dialetos italianos podem mudar completamente. Em conseqüência, era necessário unificar a população italiana dentro de um único dialeto que, no caso escolhido, foi o dialeto toscano.
Em 1861, ano do Risorgimento italiano, apenas 2,5% da população italiana se comunicava em italiano e outros 10% compreendiam a língua. A esmagadora maioria da população nem ao menos possuía conhecimento da língua. O italiano só se tornou dominante nos últimos cinqüenta anos, com a alfabetização em massa da população italiana e o desenvolvimento de tecnologias como a televisão, que contribuiu para a divulgação da língua italiana.
Apesar disso é muito importante saber que o dialeto faz parte da vida dos italianos, principalmente quem vem de áreas rurais e de pequenos aglomerados urbanos, seja eles no extremo Norte ou no Extremo Sul. Muitos italianos que não moram em grandes centros urbanos ainda usam os dialetos locais para se comunicar em família e com os cidadãos locais, e deixam o italiano somente para uso nos bancos da escola, da universidade e no trabalho, ou seja, em “ambientes oficiais”. Muitas vezes eu já conversei com pessoas idosas e uma vez aconteceu uma coisa muito curiosa: uma senhora siciliana ficou pasma for ver que eu sendo estrangeira “falava italiano com desenvoltura”, já que ela só começou a “falar italiano” com 28 anos, quando emigrou de uma cidadezinha da Sicília para Roma. E me contou, ainda, que quando ela voltava à Sicília, durante as férias, os parentes e amigos logo logo lhe perguntavam “como era falar italiano”, ou ainda, alguns riam e diziam que “ela estrava falando uma língua estrangeira”.
E qual é o nível de facilidades ou dificuldades para um brasileiro?
É claro que sendo o italiano uma língua de origem românica, a gente encontra uma facilidade natural em achar que vai abrir a boca e sair falando italiano. Mais ou menos no mesmo esquema que se revela com o “portunhol”. Aliás, muitas vezes brincamos e usamos o termo “portuliano” para essas misturas que o estrangeiro logo faz de cara.
Outra coisa muito curiosa, é que já percebi, de maneira muito simpática, que alguns brasileiros gostam muito de fazer a seguinte combinação: falar “portuliano” juntando com aquele sotaquezinho italiano forçado que a gente vê nos personagens das novelas da Globo, tipo Terra Nostra. Roba da Matti! (Coisa de louco!).
Inicialmente um brasileiro que possua um bom nível de alfabetização, não terá problemas em ler o italiano escrito. Com uma boa percepção do funcionamento de regras de morfologia da língua portuguesa e aglutinação de prefixos e sufixos, ele também logo logo vai compreender que muitas coisas funcionam de modo similar. Palavras como: embrione (embrião), panteon (panteão), camion (caminhão), sapone (sabão), patata (batata). Ou também temos palavras idênticas tanto na escrita, como quase na pronúncia, mas com significados totalmente diferente: morbido (it: mole), cintura (it: cinto), testa (it: cabeça). Também temos palavras cuja pronúncia e grafia nos fazem recordar palavras em português, mas cujo significado também são diferentes. Exemplo: debosciato [pronúncia: “debochato”, portanto lembrando o nosso debochado], que em italiano significa, entre outra coisas, depravado, corrupto, degenerado. Ou ainda sciatto [pronúncia: chato], mas em italiano uma pessoa “chata” é uma pessoa descuidada, relaxada.
Uma outra peculiaridade do italiano é que a formalidade ou informalidade é dada pelo verbo. No Brasil nós usamos “o senhor”, “a senhora” ao invés de tu ou você, para dar formalidade ao tratar uma pessoa. Na Itália praticamente a segunda pessoa do verbo (tu) é sempre informal e a terceira pessoa do verbo é sempre formal. Se eu digo “Podes me indicar onde fica a Piazza di Spagna?”, eu estou dando a uma pessoa um tratamento informal. Já se eu digo “Pode me indicar onde fica a Piazza di Spagna?”, eu estou dando um tratamento formal.
Os italianos fazem ou não questão dessa formalidade?
Me lembro que quando eu comecei a estudar francês, acho que uma das primeiras coisas que eu aprendi era “não ser informal com quem não é super meu amigo”. Na Itália existe um misto: com pessoas jovens a gente sempre trata com informalidade, mais ou menos acima de uns 30 sempre com formalidade. Mas tudo também depende da região: eu já percebi que mais para o Norte, onde se diz sempre que o pessoal é mais “fechado”, normalmente se usa muito mais a formalidade. De Roma para baixo, onde o mundo parece ser um “eterno carnaval”, usa-se mais a formalidade. Por default, eu sempre uso formalidade no primeiro tratamento, mas aqui em Roma é muito normal as pessoas nos tratarem com um “tu” e ponto final. Meu marido que é de Milão (mas filho de pai meio romano e meio toscano, e de mãe bolonhesa), e que mora em Roma há mais de 20 anos, às vezes faz comparações muito simpáticas entre o super-informalismo dos romanos até em repartições públicas ou situações que exigiriam formalidade, etc. e do “mega-formalismo” dos milaneses.
Considerando, enfim, que a Itália é um país de super-idosos, onde os idosos não possuem essa cultura do “velhinho jovem que quer ser tratado como jovem”, não faltará jamais a oportunidade do uso da formalidade.
Nota da redatora: para a parte histórica desse post, a fonte usada foi o Wikipedia
9 comments Novembro 28, 2008
CONTERRÂNEOS – Brasileiros ao redor

Essa quinzena o BZ discute sobre nossos patrícios, conterrâneos, os familiares estranhos que encontramos em todos os lugares do mundo: os outros brasileiros. Como são, o que fazem, como pensam e como vivem os nossos irmãos pátrios no país onde vivemos
imagem: Weeping-Willow
2 comments Novembro 25, 2008
Português daqui, português de lá
Antes de eu vir para cá, perdi a conta de quantas vezes alguém fez a velha brincadeira “ah, mas vai ser difícil porque você não domina a língua”. E eu dava risada, porque, afinal, não estava indo pro Japão ou algo assim (tenho uma amiga que mora no Japão há 1 ano e não fala japonês, isso sim).
Mas a verdade é que, não, eu não domino a língua portuguesa. Pelo menos não o português daqui. E acredite, as diferenças são muitas. O suficiente para tudo o que eu escrevo ter que passar por revisão. Fora o desdém pelo português do Brasil: aqui é chamado de “brasileiro”, como se fosse uma língua à parte e já tive que ouvir que é um “dialeto”. Engraçado, não é? Um dialeto ser falado por mais gente que a língua original? Pois é.

Então vivo uma relação de amor e ódio. A língua que sempre foi tão minha, agora não me pertence mais. E ter um português impecável sempre foi uma das coisas que eu sabia sobre mim (ter sido revisora é um orgulho, sim). E agora nem sempre acerto, não posso mais confiar no que sei. Começo a ado(p)tar as letras extra e os acentos ausentes do português daqui, os ora pois, os ó pá, os “a fazer, a enviar”, o se faz favor. Já pergunto pela casa de banho sem nem pensar duas vezes.
O que dá um nó na cabeça, na hora de escrever no meu blog ou em outros lugares, é que agora o que eu escrevo aqui não está certo pra quem me lê do Brasil e de repente se depara com um “c” ou um “p” no lugar errado e também não soa bem pra quem me lê daqui, com todos os brasileirismos. Um nó na minha cabeça, sabe?
Mas vem aí o acordo ortográfico… mmmwwwhhhauahuahuah!
12 comments Novembro 23, 2008
Apaixonado por Japonês(as)
Julio Cesar Caruso
Colaborando de Tóquio, Japão
Falar do idioma japonês é um prazer. Não sou descendente de japoneses – sou de sangue Pereira Dias e com sobrenome Caruso – mas me apaixonei pela língua japonesa na hora em que eu vi e peguei pela primeira vez um livro escrito naquele idioma. O mais impressionante para mim naquela época – e até hoje acho interessantíssimo – foi, e é, o fato de ser um livro aparentemente comum, mas escrito na vertical e da direita para a esquerda. Até hoje, muitos livros, revistas, jornais e letreiros são escritos em japonês são na vertical (縦書き/ tategaki). Há também os, digamos, escritos ao modo ocidental, mas na minha opinião, o famoso “escrito em pé” é muito mais bonito!
Quem tiver curiosidade de ler/ver uma revista em japonês acesse o link da Revista Mais Brasil, uma revista toda em japonês só sobre o nosso grande Brasil! Anota aí: www.revistamaisbrasil.com

A língua japonesa recebeu forte influência da língua chinesa que “emprestou” muitos de seus ideogramas, o famoso “kanji”, como alguns preferem dizer. Talvez por isso, muitas gente pensa que é tudo a mesma coisa, mas na verdade, não é. Sempre me perguntam se “dá pra entender chinês”. Bom, falado, não se entende patavinas! Escrito? Depende. Não chega a ter a semelhança que existe entre português e espanhol, por exemplo, mas como há ideogramas comuns, usados tanto na China como no Japão, é possível, ao menos em certos casos, não ficar boiando. Mas a compreensão pode ser prejudicada pela existência de ideogramas que só existam em chinês mas não em japonês. Do mesmo modo, hoje já existem ideogramas que só existem em japonês e não em chinês. Há também casos em que os ideogramas, que na verdade foram trazidos da China via Coréia, passaram por uma modificação e até simplificação no número de traços quando aportaram em terras nipônicas.
Assim como português e espanhol têm lá seus “falsos amigos”, ou seja, palavras que são iguais mas significam coisas distintas, em japonês e chinês também os têm. A palavra “carta” em japonês, se escreve com os ideogramas de “mão” + ”papel”. Assim: 手紙. A mesma combinação de ideogramas, na língua chinesa, quer dizer “papel higiênico”!!!
O que os dois povos concordam e sabem muito bem é que ideograma é imagem! Há ideogramas que os próprios japoneses não sabem como ler corretamente, mas sabem o que o significa, o que representa aquele “desenho”, e isso é o que mais importa na hora de ler um texto. Também não são raros os casos em que ao perguntar o significado de uma palavra a um japonês, ele possa a princípio parecer não saber do que se trata, apenas ouvindo a palavra. Mas tente mostrar os ideogramas da palavra que você quer saber. É provável que depois de um longo ahhhhhhh, ele comece a te explicar o que significa tim tim por tim tim!

Mas o grande diferencial mesmo entre japonês e chinês é que um texto em chinês é escrito somente com ideogramas. Em japonês, além dos ideogramas, há mais dois silabários usados em um mesmo texto. Aliás essa é outra pergunta do meu FAQ depois que comecei a estudar japonês. “É verdade que em japonês eles usam três alfabetos?” Sim! Eu diria silabário, porque dizemos ka, ki, ku, ke, ko, sa, shi, su e assim por diante. Mas que são usados três ao mesmo tempo, isso sim é verdade. Um deles é usado na maioria das vezes, somente para palavras que não são de origem japonesa. A maioria vem do inglês. Parênteses: além do inglês, alemão, holandês etc, há palavras com suas origens no português também, como: karuta (carta) , kappa (capa de chuva), koppu (copo), biidoro (vidro), rozario (rosário) etc. Eu acrescentaria até asai (açaí) e pondekeijo (pão de queijo), que estão ficando bem famosos ultimamente por aqui.
Aprender japonês é como qualquer outro idioma, digo, no tocante à premissa de que a prática leva à fluência. É o famoso “Ah se não usar esquece mesmo!”. A dificuldade pode estar no fato de que não são usadas letras romanizadas e, para saber ler e escrever, é preciso, mesmo depois de adulto, fazer exercícios de letras pontilhadas e usar caderno quadriculado para escrever as “minhas primeiras letrinhas”.
Eu costumo dizer que sei tanto incentivar uma pessoa a aprender japonês, assim como sei fazê-la desistir na mesma hora. Como estratégia-chamariz, eu diria que não há conjugação de verbo. É um verbo para “eu”, para “tu”, para todo mundo! Também não há flexão de gênero ou de plural. É ótimo para maridos com esposa ciumenta! Basta dizer que vai sair com “tomodachi”, que não dá para saber se é amigo ou amiga e nem se é singular ou plural. Maneiro não? Claro que se a patroa for ciumenta até da própria sombra e o marido quiser poupar seus tímpanos, ele pode especificar que vai sair com amiGOS, utilizando os ideogramas de “homem” e o número de amigos, na frente da palavra “tomodachi”. Assim, tudo estará perfeitamente esclarecido! Outra vantagem pode ser encontrada nos idiomas dos países, bem como seus gentílicos. Em japonês não tem essa de “Quem nasce no Sri Lanka é o que?”. Se o país se chama スリランカ/ suriranka, quem nasce lá é スリランカ人/ surirankajin. Repare que foi acrescido somente o “jin”, que quer dizer “pessoa”. Pronto! Se “Brasil” em japonês é ブラジル/ burajiru, eu sou ブラジル人/ burajirujin. E como, mencionei antes, não há variação de gênero ou grau, eles são “burajirujin”, ela é “burajirujin”, nós somos “burajirujin” e Deus é “burajirujin”. O mesmo é válido para os idiomas. Você sabe que idioma é falado em Laos? Tudo bem, se for em japonês, não precisa esquentar. Basta acrescentar o ideograma (語/ go) para “idioma” depois do nome do país e pronto. Se “Laos” se diz ラオス / raosu, o idioma falado lá éラオス語/ raosugo!! Simples! Claro que há casos em que um pouquinho de conhecimento de história mundial basta para saber que, com exceção do Brasil, nos outros países da América latina se fala スペイン語/ supeingo e que no Brasil, não se fala ブラジル語/ burajirugo, mas sim ポルトガル語/ porutogarugo.
Agora há também outras características do idioma japonês que faz muita gente me dizer “Cruuuz credo!” , “Ah meu Deus essa língua é muito difícil” ou ainda “Cara não sei como tu consegue!”. Entre as características espanta-leigo, eu destacaria, bom, os ideogramas em si, já que devemos saber pelo menos uns 2 mil para se ler um jornal, sendo que cada um possui mais de uma leitura diferente. Depois talvez pelo fato de existir três grandes formas básicas de se expressar no idioma japonês. Tudo vai depender da minha posição hierárquica para com quem eu esteja falando.

Trocando em miúdos: se o sujeito da frase for alguém superior a mim eu falo de um jeito. Se for do mesmo nível, eu uso outra forma e se for de nível mais baixo, eu uso uma terceira forma. Nível? Como assim? Como exemplo básico pense em três figuras: chefe, amigo e pessoa mais nova. É comum em japonês pensarmos na relação “superior” e “inferior”, na hora de falar. Um comerciante por exemplo, jamais pode tratar o cliente do mesmo nível. Por isso, nas lojas, os funcionários se expressam sempre se colocando em posição inferior em relação aos clientes. Isso quer dizer que até os verbos usados são nítidamente de inferior para superior.
Acho que seria interessante dizer também que há palavras que só homem pode falar e outras que só mulher pode. OK! Aí alguém vai pensar: e os gays japoneses falam qual? Depende de cada um. Já vi homens gays falando como mulheres, como também há os que mantêm o “H” maiúsculo ao menos quando se expressam oralmente em japonês. Até o próprio pronome pessoal do caso reto “eu” tem diferença. Homem pode dizer 俺/ ore, mas mulher não. Assim como uma mulher pode falar アタシ/ atashi, mas homem, homem mesmo, não. Existe a forma “coringa”, que seria, “watashi” ou “watakushi”. Essa todo mundo pode usar.
Outra coisa que deixa qualquer um desesperado é o fato de o sistema de contagem ser diferente dependendo do objeto em questão. Por exemplo: em português dizemos um, dois, três, quatro … pessoas, livros, animais etc. Certo? Em japonês, se eu for contar pessoas, eu conto de um jeito. Se eu estiver contando animais é de outro. Se for livros é outra contagem, diferente da usada para lápis, por exemplo. Sentiu o drama?
Bom, mas é uma língua muito interessante, cheia de história, tradição, influências, peculiaridades etc. Eu sou suspeito para falar. Eu comecei a aprender não por pressão da família ou só para “botar no currículo”. Eu comecei a estudar para saber como é a língua e fui gostando cada vez mais. Hoje eu falo, leio e escrevo. O que não significa que eu sei tudo, entendo tudo e não estudo mais. Procuro sempre ler algo em japonês. Na minha bolsa tem sempre um livro ou uma revista em japonês para eu ler no trem. Jornal japonês, eu também leio todos os dias. Para me informar, claro, e me aprimorar também. Sempre aprendo algo. Aliás descobri que era capaz de fazer isso quando assumi as páginas com matérias do Japão e tinha que ler os principais jornais, fazer um resumo e traduzir para português. Eu já mudei de empresa, mas continuo trabalhando fazendo traduções, em geral do japonês para o português.
Não é impossível aprender. Basta gostar e, como eu sempre digo, ter mente aberta. É colocar na cabeça de que é outra língua, de um outro povo, com uma outra cultura. Não se deve esperar que as regras sejam como na língua portuguesa. Saber curtir as diferenças é importante e ajuda a evoluir. Mas o importante mesmo é, principalmente, soltar o verbo! Mas prestando atenção nos três níveis hierárquicos hein!! (risos).
Caruso é formado em Letras pela UFRJ e vive no Japão com sua família há mais de 7 anos. Mantém o blog Muito Japão, onde disserta sobre a língua, as maneiras e os costumes dos japoneses.
8 comments Novembro 22, 2008
Aprendendo o francês na marra!
Ana Tereza
Aix-en-Provence, França
Tente visualizar a cena : em um jantar com amigos alguém fala de um garde-côte e na maior inocência você pergunta “guarda-costas de quem?”. O problema é que garde-côte em francês não tem o mesmo significado que em português e você sό percebe isso pelos colegas que tentam segurar o riso, e não conseguem, é claro. Garde-côte é um funcionário do porto que ajuda os navios atracarem, ou seja, nada a ver com o “nosso” guarda-costas.
Aiiii, um buraco, aliás, buracos, por que gafes como essa foram muitas nesses quatro anos vivendo na França. E olha que ainda no Brasil decidi não fazer tão feio, por isso freqüentei as aulas da Aliança Francesa de Brasília por cerca de seis meses e no último contratei a professora do curso para um intensivo em casa. Cheguei na França pensando que estava podendo, mas na realidade não podia nada: comprar pão, conversar com o médico, ir ao cinema (todos os filmes são dublados!), nem ler as placas. Livro? Só se fosse para olhar as ilustrações. Para ser bem honesta comecei com as revistas em quadrinhos e mesmo assim ainda precisava do dicionário.
Antes que a depressão tomasse conta me matriculei no Institut d’études Françaises pour Etudiants Etrangers em Aix-en-Provence. O instituto fica no centro da cidade, em frente à catedral Saint-Sauveur e vizinho à universidade onde Paul Cézanne cursou direito.
Primeira etapa: um teste de nível. São cinco, entrei no segundo. Comemoração em casa, pelo menos não comecei do zero. Ledo engano. Depois da primeira aula achei que o teste não foi justo, podia mesmo ter começado…do começo! Entre as disciplinas: história, cultura e costumes da Provence, pronúncia e dicção (h-i-l-a-r-i-a-n-t-e), literatura e ortografia. Aqui entre nόs tinha a impressão de que estava aprendendo chinês. Alias, chineses não faltavam entre os colegas de classe. Americanos, dinamarqueses, tailandeses também não, a maioria de jovens que vieram curtir o sul da França. A escola é tradicional com aulas todos os dias pela manhã e à tarde e os professores não estão para brincadeira, mas nos tratam como crianças. Sό consegui um pouco mais de respeito quando anunciei que estava grávida. As aulas ficaram prejudicadas pelos enjôos e pelo sono, mas consegui terminar o ano (Chloé nasceu nas férias de agosto!) e obter o meu certificado.
O diploma não foi possível porque o meu francês escrito não melhorou muito mesmo com esforço e dedicação. Em seguida, com o tal certificado, meu diploma brasileiro em jornalismo e muita coragem encarei uma prova de títulos para fazer um mestrado. Com o meu francês ainda macarrônico entrei na IEP – Institut d’Etudes Politiques para fazer um Master II (o equivalente ao nosso mestrado) e passei um ano a sofrer o martírio com os exercícios escritos, as aulas intermináveis com o professor sentado em cima da mesa a falar sem parar (nem uma apostilazinha para ajudar) e o rapport de stage, um mínimo de cinquenta páginas para convencer o diretor do curso que você aproveitou alguma coisa do que foi dito. Um ano e três estágios depois, vitória! Diploma com menção très bien em comunicação institucional internacional. As aulas me ajudaram muito a melhorar a base da língua e a fazer amigos, mas foi no dia a dia com a família e principalmente no trabalho que meu francês se aperfeiçou. Os escorregões acontecem com menos freqüência, mas ainda tenho dificuldade com os fonemas que não existem em português.
Ouf! Como você pôde ver, aprender o francês não é simples. Por isso, se você esta pensando em cursar alguma coisa por aqui começe a estudar, e muito, antes de comprar a passagem ou a decepção pode ser grande, a não ser que tenha tempo suficiente para ter um bebê, casar, arrumar um emprego ou simplesmente passar um ano delicioso no sul da França!
4 comments Novembro 18, 2008
Os desafios da língua inglesa
Flor do Exílio
Londres, Inglaterra

Ao contrário do que diz o título, esse livro dá dicas de como evitar os erros mais comuns de uma forma simples e divertida - Como Nao Aprender Ingles de Michael A. Jacobs
De onde surgiu a língua inglesa? Uma longa história que talvez seja mais prático você pesquisar no Google se estiver realmente interessado, do que eu tentar explicar com o meu fraco vocabulário desperdiçando esse espaço precioso com tamanha chatice na minha opinião.
O inglês é a língua que boa parte do mundo é “forçada” a aprender. Felizes são aqueles que já nascem falando ou não têm necessidade de falar em inglês. Imagine quantos cursos existem por aí, quantos se tornam professores e quantas pessoas gastam tempo e dinheiro só pra aprender a bendita língua?
O motivo de eu estar hoje em Londres vem disso. Um dia deu na telha que eu queria trabalhar de comissária de bordo então fiz o curso e tirei a licença. Pra conseguir um trabalho em uma companhia aérea mais rapidamente, resolvi investir minha poupança em uma viagem para Inglaterra para aperfeiçoar meu inglês. Acabei ficando e hoje dou graças a Deus por não ter me tornado comissária: não só odeio voar como também não uso mais sapatos de salto alto.
Assim que cheguei, passei quatro semanas estudando e morando com uma família inglesa em Brighton (45 minutos de trem de Londres). Gostei muito, mas passou muito rápido. Em Londres, estudei inglês por dois anos. Enquanto ainda tinha algum dinheiro, estudei na Callan School na Oxford Street. Mais cara comparada com as outras escolas da época, ela prometia um aprendizado mais rápido baseado em um polêmico método de repetição. Os professores eram todos muito bacanas, as classes eram incrivelmente divertidas, mesmo apesar do tédio de repetir as mesmas frases, e a atmosfera geral da escola era ótima. Mas quando atingi um certo nível e meu dinheiro começou a acabar, tive que procurar uma outra escola. Acabei na Evendine College (que hoje não existe mais) para onde me arrastava todo dia pois o lugar era meio deprimente. Os professores eram bons, mas a classe era só eu e alguns gatos pingados da Polônia já que a maioria dos alunos só se matriculava naquela escola por causa do visto de estudante.
Hoje em dia, falo um inglês respeitável e não tenho maiores problemas em me comunicar embora volta e meia ainda dê as minhas escorregadas. Há pouco tempo troquei fireplace por fireworks ao elogiar a lareira da casa de uma amiga. Esse tipo de coisa acontece, não tem o que fazer.
Observando as pessoas que falam inglês como segunda língua, todo mundo erra. Até mesmo os próprios ingleses, muitos nem sabem falar direito, muito menos escrever corretamente, acreditem em mim. Muitos são incapazes de falar uma frase sem nenhuma das seguintes palavras: great, basically, really, amazing, brilliant, fantastic, crap, rubbish etc. A pobreza de vocabulário impera na linguagem falada no dia-a-dia.
Existem tantos sotaques diferentes pelo mundo afora que não vale a pena perder tempo com isso. Concentre-se em falar claramente, sem pressa e com a pronúncia correta pois o importante é ser compreendido. Não tenha vergonha de errar ao falar baixo pois você pode até estar falando certo, mas ninguém vai entender o que voce está querendo dizer. Em um lugar cheio de imigrantes como Londres, o sotaque é um detalhe irrelevante. Não interessa quantos anos você estudou ou morou na Inglaterra ou Estados Unidos, aceite o fato de que você sempre terá sotaque.
Há pouco tempo, assisti uma entrevista com o cineasta brasileiro Walter Salles no HardTalk da BBC2, um programa do estilo Marília Gabriela onde o entrevistador coloca o entrevistado na parede e o metralha com as questões mais complicadas de se responder. Com um inglês perfeito, ele fez bonito mas apenas pecou no sotaque americano do qual não tem culpa nenhuma. Se antes tinha sempre o Rubinho Barrichello dando entrevista para a TV inglesa, agora tem o Felipe Massa, ambos com o sotaque brasileiro. E o Felipão, atualmente técnico do Chelsea, já começou a dar entrevista em inglês.
Para os que estão pensando em ir estudar inglês no exterior, qualquer tempo livre pode ser usado para praticar o inglês:
- Compre livros em inglês, de preferência sobre algum assunto do seu interesse que te prenda na leitura.
- Assista a programas em inglês se voce tiver TV a cabo: noticiário da BBC ou CNN, seriados tipo Seinfeld ou Friends, programas de culinária tipo Jamie Oliver etc.
- Use google.com ao invés de google.com.br. Tente evite usar páginas brasileiras para se habituar a navegar nos sites em inglês.
- Matricule-se num curso ou se puder pague aulas particulares para aumentar a motivação, mas não deixe de ir às aulas por preguiça disfarçada de falta de tempo. Se for para gastar dinheiro à toa, melhor economizar para a viagem em si.
Para os que acabaram de chegar e estão apanhando com os ingleses que “falam com uma batata quente na boca”, o mesmo se aplica:
- Assista a TV inglesa que é infinitamente melhor que a TV brasileira. Não se restrinja aos canais principais. Como já sugeri anteriormente, compre o aparelho do Freeview que custa pouquíssimo para ter acesso a dezenas de canais gratuitos e você pode adicionar legenda para te ajudar a entender melhor o que está passando.
- Leia os jornais diariamente. Se você não quer comprá-los, servem os jornais gratuitos que também quebram o galho.
- Caso você já esteja frequentando alguma escola, não deixe de tentar prestar exames como o IELTS ou os exames da Cambridge University.
- Não fuja dos brasileiros mas também não grude neles como se sua vida dependesse deles. Não perca oportunidades de conhecer pessoas de outras nacionalidades e de carona praticar o inglês.
Aprender qualquer língua é um desafio permanente, ingrato, caro e sem fim. Sempre haverá quem fale melhor, mas felizmente sempre haverá quem fale pior do que você. Por melhor que você fale ou entenda, sempre haverá alguma palavra que voce ainda não conheça. Por mais que você acerte, será impossível não errar. No final das contas, o que realmente importa é entender e ser entendido. Indeed!
Alguns sites úteis:
7 comments Novembro 14, 2008
O espanhol e o portunhol
Glenda Dimuro – Sevilla, Espanha
Que a língua oficial da Espanha é o espanhol todo mundo sabe. Também é assim em boa parte da América Latina. Por isso, o idioma espanhol ou castelhano é o segundo mais falado no mundo, depois do chinês (pelo número de habitantes que a possuem como materna). Depois do inglês, dizem que é a língua mais estudada.
O espanhol deriva de um dialeto do latim, falado nas zonas da Cantabria, Burgos, Álava e La Rioja, províncias do norte da Espanha. Converteu-se no principal idioma popular do reina de Castilla quando o idioma oficial era o latim. Por isso ele também pode ser chamado de “castellano”, uma referencia à zona geográfica onde se originou. A denominação “español” procede do latim medieval Hispaniolus, denominação latina da Península Ibérica Hispania.
É a língua oficial em mais de vinte países e é falado nos cinco continentes. A maioria dos “hispanohablantes” se encontra na América: Argentina, Bolívia (co-oficial com outras línguas indígenas), Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, república Dominicana, Equador, EL Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai (co-oficial com o guarani), Peru (co-oficial com outras línguas indígenas), Porto Rico (co-oficial com o inglês), Uruguai e Venezuela. Nos Estados Unidos sabemos também que muita gente fala espanhol. Na Ásia é falado nas Filipinas (antiga colônia espanhola); na África é falado principalmente no Norte do continente e obviamente nas Ilhas Canárias, Ceuta e Melilla. (território espanhol); na Oceania é praticado na Ilha de Páscoa (território chileno), Sydney (devido a grande quantidade de espanhóis que vivem por lá) e na Nova Zelândia.
Assim como nós brasileiros não falamos o português de Portugal, a diferença entre os diversos “espanhóis” é tremenda. O sotaque latino é mais doce e suave. Os argentinos e uruguaios são encantadores com o seu “vos” e seu chiado. Os mexicanos falam as vogais mais abertas e são cheios de gírias. Mas as diferenças não são apenas intercontinentais já que dentro da Espanha existem alguns idiomas co-oficiais (Catalán, Valenciano, Gallego, Euskera, Aranés) e outros que são falados, mas não são reconhecidos como oficiais (Andaluz, Aragonés, Asturleonés, entre outros).
Aqui em Sevilla se fala o Andalú (Andaluz), caracterizado por cortar palavras (principalmente o final delas), por falar muito rápido e “cecear”, ou seja, falar com a língua presa. Exemplo: “Zapato”. Na América e em alguns lugares da Espanha se fala com som de “s”, mas aqui na Andalucía se fala com um som de super “ssssss” (língua presa e meio que se babando). Outra frase que adoro é “No to pá na” (No estoy para nadie). Enfim, quem entende o andaluz está preparado para entender qualquer castelhano falando. O valenciano tem muitas coisas do italiano, o catalão do francês e o euskera, na minha opinião, de russo!!!
Em alguns lugares como na Catalunha ou no País Basco (leia-se terra original do ETA) o idioma co-oficial é falado no dia-a-dia e nem mesmo as crianças no colégio não são educadas em espanhol. Essa é uma “guerra” interna, alguns acham que estão certos, outros dizem que são preconceituosos… tema para outro post.
Ler espanhol é relativamente fácil, compreender quando falam também (dependendo da região). Encontrei mais dificuldades em escrever e principalmente em falar. Antes de vir morar aqui já tinha estudado o idioma por anos, então estava com a gramática na ponta da língua, melhor do lápis. No início o “portunhol” sai sem querer, pois embora muitas palavras se pareçam quando escritas, a pronúncia é completamente diferente. A maneira como as frases são construídas também é distinta, eles usam muitos pronomes que nós cortamos e muitas palavras mudam de gênero (la nariz, el color). Os “falsos amigos” (falso cognato) existem por todos os lados: apellido (sobrenome), lima (limão), limón (lima), zurdo (canhoto), pastel (bolo), presunto (suposto). Já passamos por vários micos, ampliados pela falta de “tato” dos nossos queridos espanhóis. Aqui, se não falas como tem que ser, eles te olham com uma cara de não entendo nada. Exemplo: dizia eu, “10 de junho” e não me entendiam!!! Só porque eu não dizia “juniiio”. Haja paciência… quantos meses tem um ano e quanto deles se parecem com “junho”??? Talvez o mais memorável foi quando meu marido procurava a “Sala Q em la Calle Metalurgia”. Ele dizia: “Salla Q (que) em la Calle Metalurgia (metalurría)”. Só que Q é “cu” e metalugia é metalúrgia (com a silaba forte no “lu”). E assim, pouco a pouco, se vai levando na cabeça e aprendendo!
Conheço muita gente que vem pra cá sem falar nada de espanhol e com o passar dos dias melhora. Existem outros que estão aqui há anos e não falam nem espanhol, nem português, criaram seu próprio dialeto. Acho importante praticar e tentar pronunciar as palavras com menos sotaque possível (embora muitas vezes isso seja impossível). As vogais são sempre abertas (banco é bánco e cama é cáma) e as história da língua presa para o “z” e o “c” é complicadinho, mas a gente tenta.
Para quem vem para ficar, sugiro que faça um cursinho básico de espanhol no Brasil, para não chegar sem nenhuma noção. Em Sevilla existe uma Associação chamada Sevilla Acoge que dá aulas grátis para os imigrantes. Os estudantes que vêm de intercâmbio também têm direito a aulas gratuitas na Universidade. Além do mais, muita gente vem para Sevilla estudar espanhol nas inúmeras escolas que existem por aqui, principalmente durante as férias de agosto. São mais caras, mas muitas vezes vale a pena. Abaixo o site das principais escolas:
Clic – Giralda Center - Don Quijote - IELE – Estudio Hispanico
Postado por: Glenda Dimuro
9 comments Novembro 12, 2008
E quando nevar?
Nosso leitor Augusto Correa, que mora 8 anos na região de Boston nos enviou um texto sobre a cultura local. Aproveitem;
A região de Boston é linda, conservadora e com uma fantástica educação, as universidades MIT – e HArvard são as vedetes nesse campo, mas um detalhe, elas estão lotadas de orientais, o que menos se vê, são americanos, até bem porque são extremamente caras, mas a educação nessa região realmente é coisa seria. Por lei as crianças devem ir para a escola ate completarem 18 anos, e caso não o façam, os pais são chamados a uma corte de família e podem ate perder a posse dos filhos, em algumas cidades da região como lexington (que é a cidade que moro), caso seu filho falte a escola, e você for ao supermercado com ela, provavelmente você ira ser interpelado por um policial que ira querer saber porque seu filho não esta na escola, e tenha um bom motivo como resposta senão já sabe, corte de família.
O inverno por aqui é muito rigoroso, as tempestades de neve são freqüentes, no último ano 2007, por mais de 15 dias consecutivos as temperaturas não foram superiores a 0 grau, mas a sensação térmica com o acumulo do gelo, empurra isso para menos 10 graus.
Gostaria de explicar algo as pessoas que moram em países que não neva muito, ou não neva. A neve quando cai é maravilhosa, a sensação térmica é de calor, abafado, porem quando neva pouco, não tem problema, em uma questão de horas, tudo estará derretido e a vida volta ao normal, o problema é quando neva muito, os chamados “STORMS” , tempestades de neve, nesse caso, a neve se acumula e muito, levando dias para derreter, mas caso esfrie muito, ou tenha outra tempestade, isso acumula mais..e vira gelo, como uma pedra, literalmente, essa neve, aliás, esse gelo só irá derreter em abril, quando entra a primavera. Durante o dia esse gelo derrete muito pouco, tornando se extremamente escorregadio e perigoso, principalmente para se dirigir automóveis, e caso você não tenha um carro 4 X 4, meu amigo você esta em maus lençóis, tração nas quatro rodas é mais do que necessário para se ter um menor risco.
3 comments Novembro 11, 2008



