Os desafios da língua inglesa

Novembro 14, 2008

Flor do Exílio
Londres, Inglaterra

Edição Definitiva

Ao contrário do que diz o título, esse livro dá dicas de como evitar os erros mais comuns de uma forma simples e divertida - Como Nao Aprender Ingles de Michael A. Jacobs

De onde surgiu a língua inglesa? Uma longa história que talvez seja mais prático você pesquisar no Google se estiver realmente interessado, do que eu tentar explicar com o meu fraco vocabulário desperdiçando esse espaço precioso com tamanha chatice na minha opinião.

O inglês é a língua que boa parte do mundo é “forçada” a aprender. Felizes são aqueles que já nascem falando ou não têm necessidade de falar em inglês. Imagine quantos cursos existem por aí, quantos se tornam professores e quantas pessoas gastam tempo e dinheiro só pra aprender a bendita língua?

O motivo de eu estar hoje em Londres vem disso. Um dia deu na telha que eu queria trabalhar de comissária de bordo então fiz o curso e tirei a licença. Pra conseguir um trabalho em uma companhia aérea mais rapidamente, resolvi investir minha poupança em uma viagem para Inglaterra para aperfeiçoar meu inglês. Acabei ficando e hoje dou graças a Deus por não ter me tornado comissária: não só odeio voar como também não uso mais sapatos de salto alto.

Assim que cheguei, passei quatro semanas estudando e morando com uma família inglesa em Brighton (45 minutos de trem de Londres). Gostei muito, mas passou muito rápido. Em Londres, estudei inglês por dois anos. Enquanto ainda tinha algum dinheiro, estudei na Callan School na Oxford Street. Mais cara comparada com as outras escolas da época, ela prometia um aprendizado mais rápido baseado em um polêmico método de repetição. Os professores eram todos muito bacanas, as classes eram incrivelmente divertidas, mesmo apesar do tédio de repetir as mesmas frases, e a atmosfera geral da escola era ótima. Mas quando atingi um certo nível e meu dinheiro começou a acabar, tive que procurar uma outra escola. Acabei na Evendine College (que hoje não existe mais) para onde me arrastava todo dia pois o lugar era meio deprimente. Os professores eram bons, mas a classe era só eu e alguns gatos pingados da Polônia que a maioria dos alunos só se matriculava naquela escola por causa do visto de estudante.

Hoje em dia, falo um inglês respeitável e não tenho maiores problemas em me comunicar embora volta e meia ainda dê as minhas escorregadas. Há pouco tempo troquei fireplace por fireworks ao elogiar a lareira da casa de uma amiga. Esse tipo de coisa acontece, não tem o que fazer.

Observando as pessoas que falam inglês como segunda língua, todo mundo erra. Até mesmo os próprios ingleses, muitos nem sabem falar direito, muito menos escrever corretamente, acreditem em mim. Muitos são incapazes de falar uma frase sem nenhuma das seguintes palavras: great, basically, really, amazing, brilliant, fantastic, crap, rubbish etc. A pobreza de vocabulário impera na linguagem falada no dia-a-dia.

Existem tantos sotaques diferentes pelo mundo afora que não vale a pena perder tempo com isso. Concentre-se em falar claramente, sem pressa e com a pronúncia correta pois o importante é ser compreendido. Não tenha vergonha de errar ao falar baixo pois você pode até estar falando certo, mas ninguém vai entender o que voce está querendo dizer. Em um lugar cheio de imigrantes como Londres, o sotaque é um detalhe irrelevante. Não interessa quantos anos você estudou ou morou na Inglaterra ou Estados Unidos, aceite o fato de que você sempre terá sotaque.

Há pouco tempo, assisti uma entrevista com o cineasta brasileiro Walter Salles no HardTalk da BBC2, um programa do estilo Marília Gabriela onde o entrevistador coloca o entrevistado na parede e o metralha com as questões mais complicadas de se responder. Com um inglês perfeito, ele fez bonito mas apenas pecou no sotaque americano do qual não tem culpa nenhuma. Se antes tinha sempre o Rubinho Barrichello dando entrevista para a TV inglesa, agora tem o Felipe Massa, ambos com o sotaque brasileiro. E o Felipão, atualmente técnico do Chelsea, já começou a dar entrevista em inglês.

Para os que estão pensando em ir estudar inglês no exterior, qualquer tempo livre pode ser usado para praticar o inglês:

  • Compre livros em inglês, de preferência sobre algum assunto do seu interesse que te prenda na leitura.
  • Assista a programas em inglês se voce tiver TV a cabo: noticiário da BBC ou CNN, seriados tipo Seinfeld ou Friends, programas de culinária tipo Jamie Oliver etc.
  • Use google.com ao invés de google.com.br. Tente evite usar páginas brasileiras para se habituar a navegar nos sites em inglês.
  • Matricule-se num curso ou se puder pague aulas particulares para aumentar a motivação, mas não deixe de ir às aulas por preguiça disfarçada de falta de tempo. Se for para gastar dinheiro à toa, melhor economizar para a viagem em si.

Para os que acabaram de chegar e estão apanhando com os ingleses que “falam com uma batata quente na boca”, o mesmo se aplica:

  • Assista a TV inglesa que é infinitamente melhor que a TV brasileira. Não se restrinja aos canais principais. Como já sugeri anteriormente, compre o aparelho do Freeview que custa pouquíssimo para ter acesso a dezenas de canais gratuitos e você pode adicionar legenda para te ajudar a entender melhor o que está passando.
  • Leia os jornais diariamente. Se você não quer comprá-los, servem os jornais gratuitos que também quebram o galho.
  • Caso você já esteja frequentando alguma escola, não deixe de tentar prestar exames como o IELTS ou os exames da Cambridge University.
  • Não fuja dos brasileiros mas também não grude neles como se sua vida dependesse deles. Não perca oportunidades de conhecer pessoas de outras nacionalidades e de carona praticar o inglês.

Aprender qualquer língua é um desafio permanente, ingrato, caro e sem fim. Sempre haverá quem fale melhor, mas felizmente sempre haverá quem fale pior do que você. Por melhor que você fale ou entenda, sempre haverá alguma palavra que voce ainda não conheça. Por mais que você acerte, será impossível não errar. No final das contas, o que realmente importa é entender e ser entendido. Indeed!

Alguns sites úteis:

http://www.britishcouncil.org/learnenglish.htm

http://www.bbc.co.uk/worldservice/learningenglish/

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7 Comments Add your own

  • 1. Tati  |  Novembro 14, 2008 at 11:00 pm

    é difícil mesmo! ha quanto tempo você está em Londres? Eu há seis meses na Irlanda, morando com nativos há 3, ainda erro horrores! entendo muito mais do que falo, e já estou pensando em ficar mais tempo do que o previsto só em função do inglês…
    parabéns pelo post! beijos!!

    Responder
  • 2. Caruso  |  Novembro 18, 2008 at 3:00 am

    Mandou muito bem!! Olha, se depois de ler suas dicas alguém ainda ficar perdido, aconselho a estudar português primeiro!! (rs) Muito bem explicado e bem incentivador. O último parágrafo então, eu só tiraria a palavra “ingrato”, mas de resto, concordo com o parágrafo inteiro”. Perfect!!

    Responder
  • 3. ShigueS  |  Novembro 19, 2008 at 3:49 pm

    Olha, falou tudo. Mas o que o Caruso falou eu assino em baixo! Muita gente tem dificuldade em aprender outra língua por não dominar nem mesmo a própria língua-mãe. Como um sujeito pode entender a gramática de uma outra cultura se ele não sabe nem como combinar as palavras quando fala sua língua nativa? E digo mais: FUJAM DOS BRASILEIROS SIM! Há um consenso geral entre os brasileiros não-estudantes de que não “pega nada” falar errado ou até mesmo não falar nada da língua do país onde se vive. Fique sempre perto de quem quer aprender, quer estudar e crescer. E estudar não significa ir para a escola todos os dias, significa encarar uma palavra desconhecida e investigá-la até entendê-la por completo, significa buscar o entendimento mútuo. Significa CRESCER. E todos sabem que não há solo mais fértil nesse mundo que não o da nossa bendita pátria. O brasileiro tem tudo para florescer, só falta deixar essa acomodação de lado e partir em busca de mais conhecimento!

    Responder
  • 4. Marcel  |  Novembro 20, 2008 at 6:00 pm

    Oi Flor, sou de Florianopolis cheguei aqui em londres ha uma semana e tambem ja estou completamente apaixonado pela cidade.. ja falo ingles bem entao pra mim ta sendo mais facil.. aconselho a todo mundo a tentar aprender um pouco antes, ou se nao conseguir vir pra ca e realmente tentar falar, pois ja conheci brasileiros aqui que moram a anos e nao falam nada, e consequentemente nao aproveitam nem metade do que a cidade tem a oferecer.. que pelo que to vendo ‘e muitoooo =).. fiz um blog tambem com as minhas impressoes, na verdade tava mandando emails pra minha irma ai todo mundo da familia e amigos comecou a pedir tambem reslovi fazer o blog.. por isso esses primeiros posts estao meio estilo diario.. mas com o tempo quero deixar ele mais legal.. impressionante como londres inspira a ler e escrever.. sempre li muito, mas aqui da vontade demais!! saudacoes e se puder da uma olhada no meu blog =)

    Responder
  • 5. Frederico  |  Março 16, 2009 at 1:30 am

    Gostei do texto.

    Só acrescento que também no Brasil, nas ruas, impera a pobreza vocabular. É mais fácil ouvir “pegar um ônibus” do que ouvir “embarcar”. É fácil ouvir “peguei um resfriado” do que “contrai um resfriado”. É mais fácil ouvir “peguei fulano com a boca na botija” do que ouvir “flagrei fulano”. O verbo “pegar”, igual ao “get”, serve para muita coisa.

    Quanto ao material para estudo, atualmente, pode-se baixar podcasts e ouvir no mp3 player. O site http://www.eslpod.com fornece material de qualidade para quem quer aprender expressões (acrescento que é inglês americano).

    Valeu.

    Responder
  • 6. hiata  |  Agosto 27, 2009 at 11:55 pm

    que bom

    Responder
  • 7. Luis  |  Outubro 2, 2009 at 12:26 pm

    i liked all this things that i have read in this page. thanks for colaboration

    Responder

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