Voltar ou não voltar?
Fevereiro 22, 2009
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Glenda Dimuro – Sevilla, Espanha
Volto ou não volto? Volto! Não, não volto ainda… ainda…
Quando a gente mora tão longe de “casa” sempre que acontece algum problema a primeira coisa que vem a cabeça é: o que estou fazendo aqui? Eu quero ir embora! Não preciso passar por isso, blá, blá, blá…
Acho que esse tipo de pensamento é mais do que normal e duvido que alguém que more no exterior nunca tenha pensado um dia (um diazinho sequer) em voltar para o Brasil, em largar tudo e pegar o primeiro vôo para São Paulo. Muitos vêm com a data do retorno marcada, outros largam todo um passado para começar uma nova vida sem hora para voltar. Seja qual for a situação, a tal dúvida volta e meia aparece. Já conheci gente que adiou o quanto pode o seu retorno e outros que contavam os dias para a data chegar, em ambos os casos as pessoas tinham que voltar.
Mas o que acontece com aqueles que não necessariamente precisam regressar? Aqueles que, como eu, precisam recomeçar uma vida nova no Brasil e que bem ou não já possuem a sua vidinha por aqui? É uma decisão difícil. Sempre digo que vai ser mais complicado tomar esta decisão do que um dia foi decidir morar na Europa, muito mais complicado.
Se não fosse a falta da família, amigos e de alguns costumes, eu viveria aqui a vida toda! Adoro a Espanha, sou completamente apaixonada por Sevilla e pela qualidade de vida que tenho. Certamente levo uma vida com menos luxo e conforto, facilmente trocados por uma vida com menos estresse e mais segurança. Conheço novos lugares, outras pessoas e culturas. Por outro lado, um estrangeiro é sempre um estrangeiro, por mais que sejas aceito dentro de uma comunidade. Não falo apenas da burocracia que existe para garantir a sua permanência legal no país, mas também com relação às personalidades. Obviamente um brasileiro é muito diferente de um espanhol, pensamos diferente, agimos diferente, falamos diferente. Não considero que isso seja algo bom ou ruim, simplesmente é assim e sabemos lidar com algumas situações melhor que outras.
A maldita crise pegou a Espanha em cheio e a situação está bastante complicada desde o ano passado. Desemprego, falta de dinheiro em circulação, pavor generalizado. Entre a comunidade de brasileiros que conheço o panorama é desanimador. Muitos não sabem como será o dia de amanhã e se terão que voltar mais cedo do que o planejavam para casa. Ganhar em euro é muito bom, mas quando falta dinheiro, não dá para comer na casa de mamãe e empurrar o problema com a barriga, infelizmente.
A vida aqui não é um mar de rosas, mas recomeçar uma vida no Brasil também não será. Me frustraria muito ter que voltar porque o dinheiro acabou e não simplesmente porque eu quis voltar. Quero muito voltar um dia, mas sinto que esta etapa da minha vida ainda não acabou, o ciclo ainda não fechou e ainda não está na minha hora. Mas enfim, me resta seguir lutando por continuar aqui e manter sempre o pensamento positivo. Afinal, somos brasileiros e não desistimos nunca!
O que eu queria mesmo é que existisse uma ponte aérea Sevilla-Pelotas sem escala e com preço reduzido!
Entry Filed under: Espanha. Tags: crise mundial, estrangeiro, Sevilla, voltar ou não voltar.
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1.
Sandra Santos | Fevereiro 23, 2009 at 10:32 pm
Seu desejo é parecido com o meu: antes de morrer queria que inventassem uma maquininha que me permitisse ir passar finais de semana (pagáveis) no Brasil sem me matar com 24 horas de viagem! Hehehehe… Dúvida cruel, essa de voltar ou nao voltar. Enquanto isso, aproveitamos a vida aqui, com todos os seus pontos positivos e negativos!…!
2.
::A “tal da crise” - diferentes perspectivas:: « Mineirinha n’Alemanha | Fevereiro 23, 2009 at 10:38 pm
[...] crise” vem. Por último, um texto sobre a dúvida cruel de muitos brasileiros no exterior: voltar ou n <!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; [...]
3.
CARUSO | Março 2, 2009 at 1:37 am
Muito interessante o que vc escreveu. Muita coisa eu entendo per-fei-ta-mente. Boa Sorte e Sucesso!
4.
Felipe Molon | Junho 29, 2009 at 5:48 pm
Olá novamente Glenda! Agora pouco comentei no título “Onde, como, quando, o quê estudar na Espanha”. Ao continuar lendo seus textos, encontrei este, onde diz que você gostaria que tivesse uma ponte aérea entre Sevilla e Pelotas. Escrevo novamente porque sou morador de Rio Grande, cidade vizinha à de Pelotas! Assim, se prcecisar de algo aqui em Rio Grande, ou até mesmo em Pelotas, só avisar. Só não peça para ir no campo do Xavante rsrsrs
Forte abraço!
5.
glendadimuro | Julho 7, 2009 at 8:54 am
OI Felipe! Valeu…
6.
Rafael | Julho 23, 2009 at 2:40 pm
Legal teu blog, Glenda. Sou de Pelotas e morro de vontade de viajar sem rumo. Aproveita pra dar uma olhada no meu blog sobre nossa cidade: http://pelotaspublica.wordpress.com/