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Carnaval! Diferenças entre Brasil&Espanha

31/01/2010

Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha

 

Alguém ai já ouviu falar de Cádiz? Vou refrescar a memória… lembram da praia onde aquela tal de Cicarelli foi filmada fazendo “aquilo”? Então, o tal vídeo foi feito em Tarifa, uma cidade da Província de Cádiz.

A cidade de Cádiz é conhecida mundialmente por outros tantos motivos, muito mais relevantes do que o vídeo em questão. Por exemplo, é a cidade mais antiga do mundo ocidental, com mais de 3100 anos. Também foi uma localidade muito importante na época das grandes navegações. Do seu porto partiam inúmeros navios à América. 

Hoje em dia, além das suas belíssimas praias, outra coisa faz de Cádiz um local que atrai inúmeros turistas: o carnaval! É isso ai, gente. A tradicional festa popular também acontece por estes lados.

A origem do carnaval de Cádiz é cheia de possibilidades como a do nosso próprio: alguns dizem que se originou em festas da Grécia antiga e da Roma Clássica, como os Bacanais (festa em homenagem a Baco); outros dizem que veio do cristianismo, por ser os últimos dias de festa antes da quaresma. O fato é que seguramente este carnaval sofreu forte influencia de outro, também muito conhecido, o de Veneza. Cádiz era um grande centro portuário, e como toda a cidade com essas características absorvia culturas de diversas partes do mundo. Fantasias, máscaras, confetes e serpentinas são os elementos herdados dos italianos.

E assim é o carnaval, parecido com o que conhecemos ou ouvimos falar ai no Brasil. Povo alegre, feliz, fantasiado, pulando, bebendo, cantando e dançando ao som da música.

É exatamente ai onde está a primeira e talvez a principal diferença entre o carnaval espanhol e brasileiro: a música. Em Cádiz, o som vem das Chirigotas, Coros, Quartetos, e Comparsas, como são denominados os grupos musicais que participam de concursos durante a semana da festa. As Chirigotas são agrupações divertidas que fazem sátiras, principalmente políticas; os coros cantam tangos em espécie de carros; os quartetos fazem paródias; e os comparsas também fazem músicas reivindicatórias, mas, no entanto são mais sérios. Nada de trio elétrico, nada de samba, de pagode, de axé, de tamborim, de repique, de pandeiro. Na verdade, são músicas onde o que importa realmente é a letra e não o ritmo.

Confesso que depois que cresci um pouco, as festividades carnavalescas já não me agradavam mais (lembrem-se que sou gaúcha) e preferia passar meus dias de feriado bem longe do barulho, numa praia, ou melhor, acampando no meio do mato, longe de qualquer confete e serpentina. Mas o batuque sempre fez parte do meu imaginário e conceito de “carnaval” e é meio difícil conceber uma festa do tipo sem esses ritmos carnavalescos.

O segundo fato curioso são as fantasias. Os corpos são tapados com roupas de inverno, quentes e mais escuras. Pouquíssimas havaianas ou índias se animam a colocar suas pernas de fora com o frio que faz aqui nesta época do ano, agravado pelo vento litorâneo. Nenhuma melindrosa, nenhum malandro, nenhuma baiana. Muitas vacas e pintos feitos de pelúcia, freiras de todos os tipos e sexos, todos os personagens do Mágico de Oz, várias (os) “legalmente loiras”, mosqueteiros, caça-fantasmas, palhaços, além dos tradicionais profissionais como policiais, bombeiros, médicos, enfermeiras. E é claro, muito “homem vestido de mulher”, fetiche de todas as nacionalidades. Vi rainhas, mas não vi nenhum Rei Momo, nem com chave, nem sem chave da cidade.

É uma festa para todas as idades, crianças, jovens, adultos e até os mais velhos se fantasiam e curtem as festividades, que têm programações para quase todas as horas do dia.

Enfim, muitas semelhanças, mas há algo que torna as festas muito diferentes. Talvez o clima, que faz com que o nosso carnaval seja “más caliente”. Quem sabe são as pessoas, porque realmente talvez sejamos mais quentes que os europeus. O que importa é que, seja no hemisfério sul ou no norte, o carnaval é uma festa do povo e deixa transparecer sua personalidade. Diferenças a parte, o que vale é aproveitar, porque festa igual, só no ano que vem! ¡Y menos trabajo y más carnaval!

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One Comment leave one →
  1. 01/02/2010 3:20

    Poxa, passei umas horinhas em Cádiz e não achamos tanta graça na cidade. Vai ver que porque era inverno, não vimos praia e muito menos carnaval! Quem sabe da próxima vez… Beijos

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