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Brasil: Voltar ou não voltar?

27/06/2011

Edu
A Coruña, Espanha
.

Moro na Espanha há 7 anos.  Sou filho de espanhóis, portanto tenho dupla nacionalidade e consequentemente não sou ilegal.  Não ser ilegal é um quesito básico para morar em qualquer país do mundo. Do contrário você vai viver literalmente “à margem” da sociedade, sem um emprego decente, sem acesso a saúde, etc.

Bom, como dizia, cheguei ha 7 anos na Espanha. Sou formado em Administração de Empresas e tenho MBA. Consegui um emprego em uma empresa de desenvolvimento de software assim que cheguei  em 2004, desde então trabalho na mesma empresa. Portanto, consegui um emprego estável (por enquanto, a crise tá pegando) e tenho levado uma vida tranquila, batalhando todos os dias, mas não posso me queixar. 

Muitas pessoas me perguntam: QUANDO você vai voltar para o Brasil? 

Bom, quando as pessoas usam a palavra “quando” na pergunta, soa um pouco imperativo, como se eu tivesse obrigação de voltar. E se eu não quiser voltar? Tem muito imigrante que saí do país com a intenção de nunca mais voltar, a não ser que seus planos não saiam como o previsto. Os meus planos foram cumpridos, entre altos e baixos, mas fui conseguindo as coisas que almejava.  Portanto, não parece lógico você deixar para trás tudo aquilo que lutou muito para conquistar. 

Esta introdução foi apenas um “aquecimento” para a pergunta: Voltar ou não voltar?

Parece clichê, mas pelos meus amigos e familiares, eu voltaria sim. As amizades que fiz aqui na Espanha por muito que eu as valorize, não se comparam aos meus amigos de infância e adolescência. Portanto, se tem algo que me faria “puxar” de volta para o Brasil são os amigos. Só que os amigos, por melhores que sejam, não podem resolver sua vida. Todos nós temos que correr atrás dos nossos objetivos, e muitas vezes para isso, você tem que se mudar para longe. Meus motivos para não voltar são outros:

Quem mora no exterior (principalmente na Europa e USA ou Austrália e Japão), valoriza muito o fato de viver tranquilo. Você abre o jornal, assiste o noticiário na TV e são raríssimos os casos de homicídio ou latrocínio (roubo seguido de morte). Desde que me mudei para a Espanha nunca mais me preocupei com violência. Há 7 anos que eu não sei o que é cruzar com alguém estranho na rua. E perder isso é perder qualidade de vida. 

Não ser julgado pela roupa que visto ou pelo bairro que eu moro. Pessoal, neste quesito, o Brasil é uma tristeza. As pessoas estão continuamente analisando as roupas que você usa, o carro que você tem e o bairro onde você mora. É uma competição insana.  Paga-se 4.000 Reais por uma bolsa só para desfilar com ela no escritório. Compra-se um carro de 100.000 Reais só para chegar no churrasco e todo mundo ficar comentando. Muitas vezes essa bolsa vai ser paga em 24x sem juros no carnê, mas isso ninguém precisa saber. O negócio é se exibir. Isso é triste. Você vai a uma festa e se vê rodeado de “marcas” desfilando por todos os lados. As pessoas fazem questão de dizer que pagaram caro, quando o natural seria se vangloriar por ter pago uma pechincha. Isso é algo que me irrita e que pelo menos aqui na Espanha, onde eu vivo e com quem eu convivo eu não vejo acontecer.  

Ter que dar satisfações sobre minha vida.  Moro em um prédio que tem 4 apartamentos por andar. Cruzo com meus vizinhos quase diariamente no elevador há anos, e juro que eu não sei o nome deles. Ninguém no meu prédio sabe da minha vida, e o que é melhor NÃO SE INTERESSAM pelo que eu faço. Cada um na sua. No trabalho ocorre o mesmo. Eu saio de férias, e quando eu volto as pessoas no máximo perguntam se eu disfrutei. Não ficam perguntando onde eu fui, onde eu comi, com quem eu fui, quanto custou o hotel, quanto custou a passagem de avião, se eu comprei isso, se eu visitei aquilo, se eu pretendo voltar…. Quando morava no Brasil lembro que ao voltar ao trabalho das férias, o povo do escritório dizia: “Edu, a gente combinou de almoçar todos juntos para você nos contar TUDO sobre suas ferias”…

Existem outros motivos que eu não vou ficar expressando aqui, porque senão vou passar por chato. Mas envolve educação, bons costumes, civilidade, organização, etc. Posso ser chato, mas acredito que muita gente concorda comigo. Só para resumir este post, eu só quero viver minha vida tranquilo, sem stress e sem ter que dar explicações aos outros. E acho que aqui na Espanha, de alguma forma, eu encontrei o que buscava.

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23 Comentários leave one →
  1. 28/06/2011 8:37

    Adorei Edu, falou e disse! E quem disse que eu tenho que voltar para o Brasil? só por que nasci lá? Bem, o importante é estar bem, independentemente de onde se vive! E é tudo muito diferente mesmo, aqui na Itália as pessoas também não ficam reparando em vc, se vc tem dinheiro ou não tem, aliás é praticamente impossível de se saber na rua quem tem e quem não tem… é outro tipo de vida, outros pontos de vista, outras preocupações, ou seja, outra cultura! bju

  2. 28/06/2011 10:34

    Edu, vc tem um tipo de personalidade que gosta de se preservar, encontrou um ambiente perfeito no país em que vive agora, mas sente saudade do Brasil. Volte e se imponha quando for cobrado pelos amigos. Responda com um sorriso quando quiserem entrar em sua intimidade. E procure só os amigos que respeitam a sua privacidade. Falo com segurança pois eu sou como você, escolho a dedo os amigos que me sacam e não avançam o sinal. É uma questão de colocar limites, não tenha medo de eles não gostarem mais de você, as pessoas preferem autenticidade à tibieza de quem faz para agradar.
    Abraço!

  3. 28/06/2011 12:20

    Obrigado pelos comentários. Chico, eu nao quero voltar para o Brasil por causa dessa “cultura do esnobismo”. Posso conviver com isso perfeitamente, fazendo exatamente isso que vocè disse. O que me prende aqui é qualidade de vida, que é algo muito abrangente (segurança, saúde, educaçao, cultura, etc.) E isso, infelizmente, o Brasil ainda nao pode proporcionar.

    • 28/06/2011 20:18

      Entendo, Edu, eu fiz meu comentario porque senti alguma coisa que traduzi como “saudade” no seu post. Eu aprecio muito a qualidade de vida do primeiro mundo, mas o contato humano no Brasil (e no 3º mundo em geral) não troco por nada.
      Abraço!

  4. Leti - Suíça Link Permanente
    28/06/2011 17:30

    Bingo, Edu! É assim que eu respondo quando as pessoas perguntam se eu sinto saudades do Brasil, são estes mesmos os meus argumentos. Claro que existe um lado difícil de morar fora, mas pra mim pessoalmente, essa segurança e tranquilidade que eu encontrei aqui são indispensáveis. Isso não quer dizer que eu nunca voltaria, mas agora posso dizer que não tenho vontade nenhuma. Eu sinto uma coisa tão boa, no fim de cada dia de trabalho, que pego a minha bicicleta na estação de trem e volto pra casa, sem trânsito, sem perigo e rodeada pela natureza. Tudo isso estando a 20 minutos do centro da cidade.
    Abraços

  5. 28/06/2011 20:09

    Edu, penso muito como vc e a pergunta “quando” me incomoda ainda mais.
    Gostei muito do que vc disse e “nao disse” (último parágrafo).
    :)

  6. Mariana Link Permanente
    29/06/2011 2:29

    Primeira vez que entro no blog e me deparei com seu post. E me veio uma sensação de: éé, é issso aííí, pô achei que eu tivesse louca, parece que eu sou a única que se incomodo com isso!!
    A vida da ostentação, da boa roupa, do bom carro ( prefiro morar de aluguel mas ter o carrão do ano). Não se vai ai bom restarante pq ele é bom, mas pq ele é da moda. E óbvio, vamos publicar (viva o foursquare) para que todos saibam que estou no tal do bom restaurante.

    Adoro meu país, adoro São Paulo, adoro os brasileiros. Temos nossos defeitos, mas igual a nós, não existe.E acho que nisso, todos concordam, até os estrangeiros.
    Mas são coisas pequenas que me dão motivo pra querer sair: qualidade de vida, poder viver com metrõ, ônibus e bicicleta, poder usá-los à noite sem morrer de medo e outras coisas que não vejo muitas pessoas reclamando… e não sei se não reclamam pq não vêem alternativa, ou se não reclamam porque acham normal.

    Me senti menos perdida por me identificar com os motivos que vc citou.Obrigada!
    Tenho uma saída do país a longo prazo para o próximo e ano e ali no fundo,algo me diz, mesmo que meio mal humorada, que acho que é uma ida sem volta.

  7. 29/06/2011 21:50

    Com certeza concordo com vc com o q não foi dito , te entendo (muito bem) em não dizer!

  8. 30/06/2011 15:31

    Gostei bastante da sua honestidade. Gosto de pessoas assim, que falam o que realmentem sentem.
    Bem, eu defendo que o importante nessa vida é ser feliz! Não importa onde, com quem, fazendo o quê. Se vc é feliz na Espanha, se vc não ver e nem sente motivos pra voltar, encerra o assunto. Bota um ponto final e diz pro povo que enche o saco te perguntando quando vc vai voltar, que vc está bem onde está, ora bolas.
    Eu, quero voltar, apesar de me beneficiar de tudo isso que vc comentou. Mas, eu quero voltar pela minha família porque eu sei que eles sofrem vivendo longe de mim e eu tb. Com todos os problemas, eu me sinto mais feliz quando tenho eles mais perto de mim.
    Beijos

  9. 30/06/2011 21:43

    As diferenças culturais são realmente muito grandes, vai do que cada um prefere para si.

    Mas apenas uma observação, moro em um prédio em São Paulo, com 8 apartamentos por andar, não sei o nome de nenhum dos meus vizinhos e apenas os cumprimento cordialmente quando os encontro, incluindo as duas mulheres que moram “porta-com-porta” comigo. Nunca dei intimidade e nenhum deles tomou comigo. Não sei se tem a ver com o país em que você mora ou com a atitude de cada um.

    Ou será que São Paulo é que é “fria” assim?

    Vicky

  10. 01/07/2011 7:16

    Pessoal, obrigado pelos comentarios, mas acho que eu nao me expressei corretamente no meu post.

    O objetivo do post nao é questionar o fato das pessoas ficarem perguntando quando eu vou voltar. No meu caso, meus amigos nem me perguntam muito isso, porque já sabem que (a principio) eu nao devo voltar mesmo.

    A questao do post era dizer os motivos que me desmotivam a fazer um hipotético retorno, que se resumem basicamente em segurança, qualidade de vida e essa cultura besta de querer ser mais bonito, mais rico e melhor que os outros.

    Lógico que aqui na Espanha tem gente que vive de aparência. Isso é inerente no ser humano (a vaidade e a necessidade de auto-promoçao), mas acho que O Brasil tem um abismo social gigante que beneficia este tipo de comportamento, que chega a ser descarado. É só ligar a TV e ver essas pseudo-celebridades se achando o máximo.

    Olha, dizem que no Brasil tem muito racismo. Nao vou dizer que nao tem, seria louco de dizer o contrário. Mas, se fizermos uma reflexao, o que predomina mesmo no Brasil é classimo, ou seja “preconceito contra pobre”. Digo isso porque qualquer individuo independente de raça, credo, ou religiao, quando é rico, raramente sofre preconceito.

    Ambos (classismo e racismo) sao abomináveis. E infelizmente isso tem em qualquer lugar, seja no Brasil, na Espanha ou na Dinamarca.

  11. Márcia Link Permanente
    04/07/2011 18:40

    Nao sinto a mínima saudade do tempo em que vivi no Brasil. Nao gostava e pronto. Meus pais escolheram o RJ para viver e me levaram com eles, nunca me senti identificada com a maneira de ser da maioria dos brasileiros e muito menos da violencia que existia e existe naquele país. Quando voltei para Portugal, para dizer a verdade, também nao me identifiquei com os meus patrícios, que em matéria de esnobismo e aparencias sao tal e qual os brasileiros. Fiz duas carreiras e nada me deixava mais irritada do que o Sra. arquitecta para aqui, doutora tal para lá. Encontrei o meu lugar em Espanha, e olha que já viajei e conheço muitos países, mas nao viveria em nenhum dos que tive o prazer de conhecer. Adoro a vida que tenho aqui, nao ganho milhoes, mas vivo tranquila, sem medo de ser assaltada, a cidade que escolhi para viver é óptima, em todos os sentidos, e para ser melhor adoraria que os poucos brasileiros que aqui vivem (os que só sabem falar que no Brasil é que
    era bom) voltassem para o Brasil e quando digo brasileiros, digo também alguns portugueses que só sabem falar mal de Espanha, para terem uma ideia quando vao a Portugal até margarina Vaqueiro trazem. O pessoal ridículo! Outra coisa que odeio sao os extrangeiros, nao importa a nacionalidade que só sabem comer a comidinha do seu país, fazer tudo da mesma maneira que faziam no seu país, etc. As pessoas sao livres para escolher onde querem viver, se nao estao satisfeitas que se mudem, foi isso que fiz quando estava no Brasil e também em Portugal. E outra coisa que me faz rir sao os brasileiros que só porque escolheram os países mais “ricos” pensam que sao melhores do que os da periferia. Pobres coitados!

    • 22/10/2013 20:02

      o seu comentario e tao tipico de portugues q odeia os brasileiros,morei 8 anos na Europa hoje moro no Canada e o ultimo pais q moraria no mundo seria Portugal pois acho q e o pais mais preconceituoso do mundo

  12. 19/07/2011 14:45

    Olà garotos,
    Olhem sò, eu discordo de quem diz que no exterior (na Itàlia por exemplo) é impossìvel saber quem tem dinheiro ou nao.
    Fala sério, acho que a esmagadora maioria dos imigrantes, sobrevive.
    Nao passam fome, é certo, mas e daì?
    Nem sò de comida vive o ser humano. Agora, se para muitos, isso jà é o bastante, paciencia!
    Eu mesma vivo na Itàlia, e ainda nao cruzei com nenhum estrangeiro/imigrante bem-vestido ou perfumado, de carrao, que more num condomìnio “realmente” decente. Pelo contràrio.
    E por falar em condomìnio, existe e eu conheço pessoalmente, agentes imobiliàrios que reservam inteiros prédios sò para imigrantes, e outros sò para italianos. Embora isso cheire a segregaçao, até agora ninguém denunciou, ou se o fez, acabou dando em nada.
    Sei là, acho que tem uma hora que a gente precisa cair na real. Tudo tem dois lados, mas a ditadura da maioria, reina soberana nessa tendencia a ver somente “flores” nessa coisa de morar fora. Consequentemente fala-se ou escreve-se somente sobre elas.
    Maria

  13. 17/01/2012 0:49

    Edu: fantástico. “Não ser julgado pela roupa que visto ou pelo bairro que eu moro.” “Ter que dar satisfações sobre minha vida.” Vc resumiu em duas frases o âmago do meu incômodo, e eu ainda adicionaria: Não achar que trabalhar e ganhar as coisas por mérito é uma coisa feia, vergonhosa.

  14. Márcio Link Permanente
    07/02/2012 22:47

    Edu,

    Você descreveu com perfeição vários motivos que fazem querer deixar o Brasil. Também não suporto a indiscrição, falta de bom senso, exibicionismo, valorização do dinheiro e falta de educação da grande maioria das pessoas aqui. Sem falar dos problemas já “clichês”: violência, saúde pública, educação pública, etc.

    Abraço!

  15. 14/09/2012 14:53

    Vivo em España a 6 anos e esse país descrito neste site, eu nao conheço. Minha cidade tem 22 mil habitantes e aqui as pessoas vivem de aparência e adoram tomar conta da vida dos outros. Existe preconceito social e racial sim. Notamos, principalmente com os árabes que em sua maioria vieram de povoados muitos pequenos e pobres. Nao falo dos que, como dizem aqui : “nao querem se adaptar”, mas sim dos que estao em situaçao contraria.
    Nem eu nem meu marido sofremos desse mal, ainda, mas que existe, existe.
    Todos reparam na sua roupa, no seu carro, no seu emprego, sejam estes observadores ricos ou pobres.
    Nao se trata de educaçao, nem civilizaçao e sim de gostar ou nao de gente, de convivio social, etc…
    Quanto a violência, realmente nao tem nem comparaçao quanto ao Rio de janeiro, mas se vivemos ou simplesmente passeamos em cidades como Madrid ou Barcelona o stress com a bolsa e a camera fotográfica é igual. Realmente os noticiários nao divulgam chacinas, mas as outras desgraças do mundo marginal sim. Nunca falei mal de España, até porque me parece de extrema má educaçao falar mal da casa de outras pessoas, e como sou uma pessoa super positiva, sempre aproveito o melhor que a vida pode me dar, seja no meu país ou em outro qualquer.
    Portanto, se Europa fosse tao maravilhosa nao existiria um numero tao alto de suicídios e doenças mentais.
    Paremos para pensar um pouco e nao generalizemos nossas opinioes particulares como se fossem a verdade existente no mundo.

  16. 09/10/2012 20:50

    Moro em um povoado de mil hab no norte da Itàlia. Aqui as pessoas nao sao esnobes, mas falam da vida dos outros. Sinto uma nostalgia mto grande do Br, mas odeio a mania do brasileiro de querer ser melhor, mais rico e mais bonito do que o amigo e o vizinho. Parece que trabalham so pra isto! E se vc for um tipo que vive pra construir algo solido pra vc e sua familia, parece que esta ” fora de moda”. Amo minha familia e meus amigos, mas prefiro aqui.

  17. 30/11/2012 15:00

    Sou brasileira moro no Paraguai, tenho uma vida boa aqui porque meu marido trabalha muito.Faz 29 anos que moro aqui e estou pesquisando para que lado do Brasil eu vou porque tenho medo da insegurança , e gostaria de viver tranquila .O Paraguay é o pior Pais do mundo, no que se refere autoridades, pessoas que odeiam os estrangeiros e se o Pais cresceu foi graças aos estrangeiros……. é um Pais corrupto em todos os sentidos a lei é a pior lei quero dizer nao existe.Voce sai na rua de carro só por ser estrangeiro ja inventa alguma coisa para tirar seu dinheiro.Estou buscando qualidade de vida mas tenho medo da violencia do nosso Pais.Fui um dia no Rio Grande do Sul e gostei muito tambem me falaram de Florianopoles e ja fui tambem mas derrepende voce fica tao insegura que voce nao sabe para onde correr.

  18. 11/12/2012 21:24

    Faz 11 anos que moro em Madrid, também sou filha de español portanto com nacionalidade espanhola desde o meu primeiro dia de vida. Desde minha chegada nao tive nenhum problema nesse sentido, mas sofri a discriminaçao do sotaque e de vir de um país do terceiro mundo. Tive que deixar de lado minha profissao para poder sobreviver (economicamente), já que trabalho de psicóloga hospitalar é muuuuuito dificil, sendo estrangeira mais ainda. Mas batalhei muito para conseguir respeito, um bom trabalho, e ter direitos que no Brasil nem poderia sonhar como reduçao da jornada laboral por ser mãe. Adoro este país que me acolheu bem, me apaixonei por um espanhol e tenho uma filha nacida aqui. Óbvio que poderia detalhar inúmeras coisas que não gosto daqui, costumes, o frio, mas o grande problema é que em cada viagem ao Brasil descubro uma série de outras coisas que não gosto dali.
    Hoje me encontro numa situação pessoal um pouco difícil de explicar… já não sou daqui, mas tampouco dali.
    No final das contas, só existe uma coisa que me mantém aqui e que ao mesmo tempo me leva ao Brasil cada día que se chama FAMÍLIA. Se pudesse levaria meu marido, minha filha e com certeza ia embora, só para poder ter aos meus pais e irmãos perto. O que me impede??? Trabalho, hipoteca, custo de vida, dinheiro, etc, etc. Se tudo isso tivesse solução, continuaria sabendo que, ainda assim não seria completamente feliz.
    Sonhando alto, confesso que meu ideal impossível seria, como se de um desenho se tratasse, amassar o papel e fazer com que ambos países se juntassem, fazendo que Madrid tivesse fronteira com São Paulo.
    Enquanto isso não acontece vivo eternamente cheia de SAUDADE!!!

  19. 24/02/2013 17:46

    vivo desde hace once años en españa y te digo que todo lo que tienes aqui se compra com dinero,mientras que todo lo que realmente te va llenar esta en brasil y eso no tiene precio,yo pensava como tu hasta que cai enferma y mayor,ahora solo valgo el dinero que tengo,abre te los hojos mietras puedas.

  20. 17/07/2013 12:50

    Oi Ana,
    Não se preocupe essa sua “situação um pouco difícil de explicar” é muito fácil de entender para nos, brasileiros “exilados”.
    Moro na França ha dois anos e meio, e morei na Austrália por um ano e meio.
    Quando morei na Australia, tinha toda a certeza que voltaria para o Brasil e, entao, era facil de lidar com a saudade, com os problemas, pois sabia que tudo isso acabaria um dia. Pude aproveitar as coisas boas e quando nao vi mais sentido em estar por la, voltei pra o Brasil.
    Hoje sou casada com um francês que morre de medo do Brasil apesar de adora-lo. Diz que ira comigo se assim eu quiser, mas no fundo sei que ele nao quer e mesmo eu nao sei se gostaria de ir.
    Era professora no Brasil, morava com meus pais porque meu salario nao era suficiente pra sair de casa. Hoje, estou desempregada ha dois meses porque mudamos de cidade. Estou tendo um acompanhamento com uma conselheira com o intuito de uma reconversao profissional, tenho seguro desemprego e as pessoas nao me julgam por ter 31 anos e nao ter certeza do que quero fazer.
    Além do mais, como a maioria dos brasileiros vive casos de violência. Sempre morei na periferia de Sao Paulo e ficava em panico cada vez que voltava pra casa, seja a pe ou de carro. Cada atraso da minha irma ou mesmo dos meus pais para chegar em casa, ja começava a imaginar o pior.
    Vivo a segurança em uma cidade linda, organizada… mas morro de saudades da minha familia e me sinto culpada por saber que os faço sofrer. Ao mesmo tempo me sinto culpada em pedir para o meu marido morar em um pais tao mais complicado e violento e se um dia tiver filhos, priva-los da qualidade de vida que a França pode proporcionar.
    Sei que aqui as coisas nao sao apenas “flores”, ha o frio, a neve, muitos franceses sao racistas (nao mais dos que os brasileiros), o desemprego esta aumentando, ha a crise, nao falo minha lingua no dia-a-dia.
    No entanto, poderia abandonar tudo isso (viver apenas nas férias), mas a grande duvida é se vou querer viver sempre longe da minha familia. Nao participar dos dias das maes, dos pais, dos aniversarios, dos almocos de domingo, do cineminha com as irmas durante a semana, da comidinha da mama, de partilhar a vida dos meus filhos com eles e dos meus sobrinhos que ainda nem tenho. Tenho medo de quando meus pais serao velhinhos e eu nao estarei la para ajuda-los. De quando eles nao estarao mais aqui e talvez eu me arrependa de nao ter aproveitado o suficiente.
    A escolha é muito dificil. Mas sei que um dia terie que decidir (mesmo sabendo que nada é definitivo), nao da pra viver nessa duvida a vida toda. Algumas colegas de trabalho, imigrantes, diziam que quando temos filhos a saudade diminui. Sera?

  21. 22/10/2013 20:21

    cada um tem os seus motivos para sair do Brasil e tambem p n querer voltar,concordo c o Edu, morei 8 anos na europa e agora ja moro a 3 no Canada,tentei voltar p o brasil pois a saudade da familia era imensa,mas apos 1 semana vivendo la,so pensava: Meu Deus oq foi q eu fiz? voltei correndo p a europa, e tudo, medo da violencia,desrespeito em todos os lugares, uma competicao em qualquer lugar q se va, pela roupa q esta vestindo ,o carro q dirige, sem falar ,desculpa a palavra (a putaria) que se instalou no Brasil e q e vista como uma coisa normal, palavroes nas novelas da tv, meninas dancando semi-nuas nas esquinas (funk ou sei la oque), um horror n sou e nunca fui moralista,mas e q e um choque voltar p casa e ver tudo isso, e feio na verdade, meu marido e canadense e quando ingravidei resolvi ter nosso filho no brasil p ter a familia por perto, me arrependi tambem,pq apesar de ter sempre pago plano particular de saude na hora do parto tive q pagar tudo particular por estar fora de la por tanto tempo,n cobria a carencia mesmo s nunca ter deixado de pagar, o brasil e um pais em q se pensa em levar vantagem em cima dos outros de tirar um por fora,sem falar na corrupacao,de morrer de tanto trabalhar e o dinheiro nunca dar p nada,prefiro a vida tranquila q levo hoje no Canada, de poder sair a rua s medo de deixar meu filho brincando na rua s preocupacao,de saber q ele vai ter a melhor educacao aqui s eu e meu marido termos q trabalhar a vida toda so p pagar bons estudos p ele, DE PODER RECEBER MINHA FAMILIA AQUI TODO O ANO E PROPORCIONAR A ELES FERIAS INESQUECIVEIS,de poder viajar todo o ano p um pais diferente s se interrar num cartao de credito p pagar a viagem,de viver numa casa propria pagando financiamento q custa a metade de um aluguel no Brasil, aos q querem voltar, meu respeito, espero q tudo de certo por la, mas no meu caso, Brasil, “NUNCA MAIS”

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