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Ciência sem Fronteiras – fazendo a diferença

24/10/2013

    Carla

                          Roma, Itália

Outro dia escrevi um post lá no meu blog Sonhos na Itália, falando de intercambistas, principalmente os bolsistas do Ciência sem Fronteiras, o programa do governo brasileiros para estudantes de graduação e pós-graduação no exterior, pelo qual também sou uma bolsista.

Naquele post (se não leu ainda (clique aqui) eu elogiei e falei da importância do programa.

Hoje venho falar das dificuldades e também quero fazer um apelo aos bolsistas.

O programa tem sido chamado de “Turismo sem Fronteiras” , “Ciência sem Vergonha” ou ainda “Vergonha sem Fronteiras”…

As críticas têm sido:

- o despreparo dos alunos bolsistas (que muitas vezes chegam no país de destino sem falar o idioma, além do que muitos alunos têm sido reprovados nas matérias cursadas no exterior sem implicar nenhuma “punição” na volta ao Brasil)

- o alto valor da bolsa (principalmente para os jovens da graduação, que dividem quarto e apartamento pagando pouquíssimo e não tem família pra custear, ao contrário dos doutorandos ou pós-doutorandos)

- da não fiscalização do uso do dinheiro concedido aos estudantes.

 Claro, com bolsa alta, consequentemente sobra dinheiro e muito, e ao invés de ser investido em cursos (idioma principalmente), é “investido” em turismo. Não que não seja importante, é também! Afinal turismo também é cultura, é bagagem, é experiência, com certeza muda muito a visão de mundo, de tudo. Mas o que tem acontecido é que tem muitos que estão fazendo do intercâmbio uma viagem turística. Quase não frequentam aulas (mesmo porque muitas universidades europeias principalmente não são obrigatoriamente  presenciais, o aluno só vai depois fazer as provas), e ainda estão sendo reprovados, voltando para o Brasil com quase nenhum conteúdo científico significativo, sem tirar proveito da oportunidade dada!

Conversei com um professor da USP que esteve aqui na Tor Vergata e ele disse que onde ele esteve na Espanha, os alunos brasileiros do programa estão sendo chamados de “fumaça”, pois somem rapidinho, ninguém os vê! Triste né? Além do que o programa está sendo muito mal falado no Brasil.

Portanto, fica o meu apelo.

Pra vocês bolsistas CsF: Aproveitem 100% a oportunidade. Façam o maior número de matérias possíveis (não o mínimo exigido), assistam às aulas, se empenhem, estudem o idioma, se destaquem! Isso fará toda a diferença para vocês no futuro e claro, também para o programa, que foi feito cheio de boas intenções mas é ainda cheio de falhas.

Viagem claro, mas que essa não seja a prioridade!

Usem o dinheiro pra aquilo que foi destinado, principalmente o seguro viagem/saúde – contratem um seguro decente, que cubra despesas emergenciais, acidentes e até mesmo morte. Tem já casos de bolsistas que foram vitimas fatais de acidentes e não estavam cobertos pelo seguro, pois não fizeram e usaram o dinheiro para outros fins.

Portanto saibam fazer a diferença!

É o futuro em jogo!

É isso aí!

Eu estou fazendo a minha parte!

Baci a tutti!

http://sonhosnaitalia.blogspot.com

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14 Comentários leave one →
  1. chris pinheiro permalink
    24/10/2013 13:37

    Oi Carla muito bom seu comentario, bastante pertinente.Eu sou bolsista pela UDC Universidad de A Coruña, Espanha, na qual faço um Máster.A bolsa é bem menor que a do ciencias sem fornteiras, o orçamento é apertado porém condizente com o objetivo.Creio que como para nós brasileiros isso é muito novo além de que temos aquela idéia de autodesvalorização, tentou-se criar bolsas de estudos super estimadas para que o “brasileiro nao passasse aperto no país dos outros “. Falei com alguns bolsistas que me disseram que o criterio de seleção não é tão rígido e que a faixa etária abarca pessoas muito jovens. Somado à isso essa vontade nossa- brasileiros vindos de crises e subdensenvolvimento- de querer fazer coisas antes impossíveis(viajar, conhecer o mundo e mostrar que também podemos. Seu recado deveria ser muito levado em conta.tEMOS QUE APROVEITAR A CHANCE e nao fazer mais uma fama ruim!! Bacio, Besos desde couña

  2. 25/10/2013 15:12

    Muito bom seu post, Carla!

    não só você aponta um dos (vários) motivos que causam a imagem negativa que @s brasileir@s tem em outros países, mas também, ao apontar para a necessidade de uma atitude séria, respeitosa e responsável, você dá ao não-brasileiro a fantástica possibilidade de perceber que sim, se pode ser decente, honesto, honrado e digno, apesar de ser brasileiro. Ufa!

    obrigada.
    Touché

    • 25/10/2013 17:53

      ;) obrigada pelo comentário!

      • 25/10/2013 20:51

        ciao Carla,

        nada a agradecer, fiquei feliz em poder ler algo tão interessante. Se vier à Antwerpen terei prazer em te mostrar um pouco das belezas desta cidade.
        grazie.

  3. LUCIMARY AMORIM DA SILVIERA permalink
    29/10/2013 19:16

    Legal isso mesmo , voce esta certissima fazendo seu apelo , mas eu acho que o governo doBrasil tem que ter mais responsablilidade no sentido de administrar seus alunos . Porque claro ;e muito e ai queima a nossa reputa#ao . Que chato isso somos sempre visto por baixo , nunca afazemos nada correto , infelizmente a nossa cultura ;e assim . Mas ja esta na hora de crscer ne GENTE , vamos crescer JUNTOS . Eu tou dentr , fica dentro voces tambem . bjs

    • 29/10/2013 19:28

      O Brasil vai mudar quando o seu povo mudar. Mentalidade, atitude, e tudo o mais! bj

  4. 03/11/2013 12:25

    Muito bons seus comentários Carla ! Os gestores do programa devem estar atentos à sua eficácia, pois o Brasil não tem condições de ficar esbanjando dinheiro. A maior parcela do povo sofre privações e pagam caro para dar condições a esses estudantes .
    Esse é o ciclo de desenvolvimento que falta ao Brasil, o ciclo da educação.

  5. 25/11/2013 15:31

    Carla, parabéns pelo seu post!
    Realmente o incentivo é bom, mas não pode ser feito de forma tapar buracos para a base fraca da educação e somente uma forma de arrecadar mais votos!

    Quem vai sofrer no futura serão os próprios alunos, que na hora de ir para o mercado de trabalho verão se os 2 anos “de turismo” irão mesmo fazer diferença em seu currículo ou apolicação de seus conhecimentos

    • 26/11/2013 19:31

      Obrigada Leandro.
      Claro que não deve ser feito pra tapar buracos ou arrecadar votos, eu acredito na ideia, e acho super importante..
      o que vale agora são os que estão conseguindo essa oportunidade valorizarem nesse um ano fora. ciao

  6. 26/11/2013 18:26

    Concordo que os brasileiros devem valorizar a sua bolsa, mas aqui em Pittsburgh onde estou o pessoal é super antenado, e tem brasielrios dando aula na universidade americana, o que é muito difícil de entrar. Quanto à língua, embora se faça teste de proficiência para participar de um programa, não é garantia de que você vai sair falando, existe um tempo de adaptaçao…mesmo os outros estrangeiros têm problemas com a língua, nao só os brasileiros….acho que este problema acontece aí na Espanho, até porque aqui nos EUA assiti uma americana falar que colheu seus dados na Espanha e lá os alunos não estão nem aí…quer dizer isto é a visão do americano em relaçao aos espanhóis….tudo é relativo, veja bem o que vc vai sair falando porque o Ciência sem fronteiras é uma ganho pro Brasil, não vejo como esse oba-oba todo…

    • 26/11/2013 19:33

      Adriana, claro que não são todos! Graças à Deus! E eu como doutoranda sou uma dessas que está tentando aproveitar ao máximo! Claro que são os poucos milhos podres que acabam se destacando de um monte de milhos bons! mais ou menos assim que se diz ne? Entao por esses poucos que nao estao valorizando vai fazendo a fama do programa de bolsas e dos brasileiros. Mas com certeza tem muitos fazendo a diferença. Talvez vc nao entendeu que o meu post é justamente para alertar isso.. pois citei o que andam dizendo, não o que eu estou dizendo do programa, entendeu? Ciao

  7. Roberta permalink
    15/01/2014 12:15

    Adorei o seu post Carla! Realmente o ciência sem fornteiras está qualificando muitos os estudantes tanto no quesito idiomas quanto acadêmico. Durante o meu curso de espanhol na Espanha, eu conheci vários brasileiros que estavam em Madrid fazendo intercâmbio universitário e noto que vem ocorrendo bastante mudanças positivas no nosso Brasilzão. Eu fiz 6 meses de intercâmbio em Madrid estudando espanhol e foi bastante interessante.Estudei em uma escola chamada Sprachcaffe que fica bem no centro da cidade e foi muito muito divertido e curtir minhas férias de montão. Espero que o ciência sem fronteiras continue este sucesso e relato a minha experiência de um intercâmbio de idiomas no exterior como também compartilho a dica da escoia http://www.sprachcaffe.com/portuguese/study_abroad/language_schools/madrid/main.htm

  8. Nayara R permalink
    25/03/2014 2:51

    Poxa, não sabia que por ai estava sendo assim. Irei tentar o CsF e sinceramente é triste saber que as pessoas estão sendo tão desleixadas, ou sem vergonhas com isso, até porque, com esse tipo de atitude, o projeto nao vai pra frente :/

    • 25/03/2014 8:52

      Então Nayara, acontece.. espero que não sejam a maioria. Se vier faça a diferença vc também! boa sorte!

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