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As universidades de Aix-en-Provence e Marselha
Tenho recebido alguns e-mails com a mesma pergunta: quais as universidades mais prόximas de Marselha e de Aix-en-Provence? Se você faz parte deste grupo e também está pensando em fazer um mestrado ou doutorado no sul da França, anote as faculdades que você vai encontrar no campus Aixois. Este campus é constituído de três universidades que foram divididas entre as Aix e Marselha, ou seja, dependendo do curso que você quer fazer a estadia será em uma ou outra cidade.
Université de Provence (Aix-Marseille I): letras, histόria, geografia e línguas. 29, avenue Robert Schuman, Aix-en-Provence – 04 42 95 32 23,
Université de la Méditerranée (Aix-Marseille II): ciências econômicas e informática. 14, avenue Jules Ferry, Aix-en-Provence – 04 42 21 59 87 e 413, avenue Gaston Berger, Aix-en-Provence – 04 42 93 90 00,
Université Paul Cézanne (Aix-Marseille III), onde fica a Faculté de Droit, d’Economie et de Sciences e o IAE – Escola Superior de Administração : 3, avenue Robert Schuman, Aix-en-Provence – 04 42 17 27 18.
Vale lembrar que as datas do ano letivo por aqui são diferentes do Brasil. O semestre começa em setembro ou outubro e termina em junho ou julho, depende da universidade escolhida. As férias de verão duram dois meses e vão de julho ao começo de setembro. Caso o seu interesse seja em outra área dá uma olhada nessas possibilidades: Conservatoire National des Arts et Métiers, Ecole Nationale des Ingénieurs des Arts et Métiers, Institute for American Universities, Institut Universitaire de Technologie, Sciences Economiques, Institut d’Etudes Politiques – IEP.
Add comment Novembro 7, 2009
Exposição reúne quadros de Picasso e fotos que mostram o mestre no castelo do sul da França onde ele morou por dois anos.
Ana Tereza
Aix-en-Provence, França
Exposição Picasso-Cézanne 2009 :
Bilhete individual : 10€
Visita com guia (em francês) : bilhete de entrada + 4,50€
Bilhete com tarifa especial (estudantes, pessoas com mais de 60 anos) : 8€
Bilhete gratuito : menores de 13 anos, desempregados.
1 comment Junho 17, 2009
Natal e Réveillon na Provence.
Ana Tereza
Aix-en-Provence, França
Este foi o quinto Natal que passei na França, com uma exceção: em 2006 fui de mala e cuia para o Brasil visitar a família. Mas tenho a impressão de que vou precisar de muitos outros para me acostumar com esta festa por aqui. Como no Brasil o Natal é um encontro da família – este ano nos reunimos na casa da minha sogra – íntimo, com árvore toda enfeitada e mesa farta.
O problema está justamente aí, na mesa. Nunca tinha dado muita importância ao peru inteiro dourado, com as patinhas cobertas por “sapatinhos”, ao salpicão e à farofa, mas assim que a data do 24 de dezembro vai se aproximando vou deprimindo. Não que não seja bom o que vai ser servido, normalmente é, mas o que acha de comemorar o Natal com o seguinte menu: como entrada fatias de salmão defumado com creme e cebola e ostras, no prato principal camarões assados, lagostins e escargots (os famosos caracóis que meu sogro adora e nunca tive coragem de experimentar), de sobremesa você pode esquecer a rabanada, a mousse de manga, o pavê de chocolate porque vai rolar a tradicional Bûche de Noël (troco de árvore), um rocombole coberto de creme feito com manteiga e de figurinhas que representam o Papai Noel e companhia. Para acompanhar vinho e champagne. Coca-cola ou suco de fruta na mesa são considerados uma heresia.
Engraçado como a cultura é algo forte que está encravada na nossa alma, mesmo com um esforço dos meus queridos sogros não gosto da mesa do Natal aqui. Acho fria e sem criatividade. No almoço do dia seguinte o chapon (o nosso chester) com cogumelos desceu com mais prazer, muito bem temperado e preparado por Reine.
Para dar uma levantada no moral fizemos o Réveillon lá em casa entre amigos. A maioria brasileiros que você já conhece: Nete e a irmã Zélia que mora na Inglaterra, Ludovic e Tiago; Danielle, Jean-Christophe e Lucas e Anne Sybille. Um casal francês: Daniel e Noemi completavam a mesa. O menu seguiu a mesma inspiração: um lombo de porco assado com frutas, arroz e farofa de ovo. Me senti realmente em casa, falando português, comendo o que me faz lembrar a minha infância, escutando samba e bossa nova, vendo a saudade ir embora com a última porção de farofa.
Como uma poção mágica a comidinha com o tempero brasileiro me deu forças para começar o novo ano com o pé direito e com esperança de voltar ao Brasil o mais cedo possível para degustar uma boa coxinha de galinha, cocada, churrasco, maionese de batata além de “apresentar” para a minha Chloé as delícias inesquecíveis da culinária brasileira.
Feliz 2009!
1 comment Janeiro 2, 2009
Brasileiros no sul da França.
Ana Tereza
Aix-en-Provence, França
O tema desta quizena é ao mesmo tempo muito simpático e espinhoso: os conterrâneos que temos por perto. Laura e Alvim foram os dois brasileiros que conheci assim que cheguei na França. Ela dava aulas de português para o Nicolas (que ele abandonou assim que desembarquei de mala e cuia) e Alvim – que estava na França fazendo um PHD em transporte de gás - era uma espécie de «Embaixador do Brasil». Eles conheciam TODO MUNDO e foi através deles que aumentei o número de brasileiros entre os meus contatos. Sempre que encontrava um brasileiro Laura passava o meu telefone, foi assim que fiquei conhecendo a Rosinete em 2005, recém-chegada da Alemanha, onde ela morou por um ano. A aventura estrangeira da Rosinete começou em 1998 quando ela foi para a Inglaterra trabalhar para uma família de diplomatas. Foi em uma cidade do interior do país, durante um curso de salsa, que ela conheceu o francês Ludovic.
O Alvim tinha a mesma tática da Laura, era brasileira? “Pas de problème: anota o telefone da Ana”. Desse jeito entrei em contato com a Letícia, que já tinha ouvido falar da Sônia, que conhecia a Danielle, que me apresentou a Anne Sybille, que era amiga da Ana Carolina. Em seguida, a Cris entrou no grupo depois de dez anos morando nos Estados Unidos. Para começo de conversa tínhamos duas coisas em comum: éramos brasileiras e os nossos maridos franceses. Para uma parte do grupo o tempo trouxe a distância. Depois de terminar um mestrado em direito e conseguir um emprego no departamento jurídico da L’Occitane a advogada Letícia se mudou para a montanha. A sempre-indisponível-Sônia sumiu do mapa. A Laura e o Alvim voltaram para o Brasil deixando saudades. Para os que decidiram ficar os laços foram se estreitando: a Rosinete me ajudou várias vezes cuidando da Chloé quando estava fazendo os estágios, a Cris foi se aproximando trazendo com ela os três filhos lindos, no ano passado Danielle foi a minha madrinha de casamento e a Anne Sybille e a Ana Carolina vejo com freqüência nas festas que fazemos regularmente. Neste fim de semana, por exemplo, nos reunimos para o chá de bebê da Rosinete que espera o segundo filho. Este costume não existe na França, normalmente as francesas guardam segredo até o terceiro mês da gravidez – mesmo para a família – e só começam a fazer o enxoval às vésperas do parto. Relembrar os hábitos brasileiros e falar sem se preocupar com os erros de gramática são apenas dois dos melhores motivos para nos encontrarmos, também poderia citar os brigadeiros e as empadinhas da Nete, ou ainda, ver nossos maridos e filhos soltando o verbo na língua de Camões. Também é um prazer ver brasileiras que saíram do país por diferentes motivos – estudo, marido, trabalho – estarem com os papéis em dia, tenham ingressado no mercado de trabalho, se tornaram proprietárias e estejam vivendo bem e normalmente.
Depois de quatro anos vivendo por aqui cruzei com muitos turistas brasileiros no museu onde trabalho, na rua, em lojas. Com alguns troquei o mail e recebi belas fotos para guardar de lembrança. Com outros, a conversa foi rápida, dei algumas dicas e a vida continuou. Sempre é uma boa surpresa encontrar com brasileiros, mas é ainda melhor descobrir que eles moram por perto, nesse caso faço como a Laura e o Alvim, troco os telefones e dou o primeiro passo. Fazendo um balanço, tenho certeza de que a nacionalidade nos aproxima, mas são os gostos, as semelhanças, as prioridades, a certeza de que podemos contar com elas e uma energia em especial que vão fazer com que essas pessoas entrem definitivamente na nossa vida, sejam brasileiras ou não.
5 comments Novembro 30, 2008
Aprendendo o francês na marra!
Ana Tereza
Aix-en-Provence, França
Tente visualizar a cena : em um jantar com amigos alguém fala de um garde-côte e na maior inocência você pergunta “guarda-costas de quem?”. O problema é que garde-côte em francês não tem o mesmo significado que em português e você sό percebe isso pelos colegas que tentam segurar o riso, e não conseguem, é claro. Garde-côte é um funcionário do porto que ajuda os navios atracarem, ou seja, nada a ver com o “nosso” guarda-costas.
Aiiii, um buraco, aliás, buracos, por que gafes como essa foram muitas nesses quatro anos vivendo na França. E olha que ainda no Brasil decidi não fazer tão feio, por isso freqüentei as aulas da Aliança Francesa de Brasília por cerca de seis meses e no último contratei a professora do curso para um intensivo em casa. Cheguei na França pensando que estava podendo, mas na realidade não podia nada: comprar pão, conversar com o médico, ir ao cinema (todos os filmes são dublados!), nem ler as placas. Livro? Só se fosse para olhar as ilustrações. Para ser bem honesta comecei com as revistas em quadrinhos e mesmo assim ainda precisava do dicionário.
Antes que a depressão tomasse conta me matriculei no Institut d’études Françaises pour Etudiants Etrangers em Aix-en-Provence. O instituto fica no centro da cidade, em frente à catedral Saint-Sauveur e vizinho à universidade onde Paul Cézanne cursou direito.
Primeira etapa: um teste de nível. São cinco, entrei no segundo. Comemoração em casa, pelo menos não comecei do zero. Ledo engano. Depois da primeira aula achei que o teste não foi justo, podia mesmo ter começado…do começo! Entre as disciplinas: história, cultura e costumes da Provence, pronúncia e dicção (h-i-l-a-r-i-a-n-t-e), literatura e ortografia. Aqui entre nόs tinha a impressão de que estava aprendendo chinês. Alias, chineses não faltavam entre os colegas de classe. Americanos, dinamarqueses, tailandeses também não, a maioria de jovens que vieram curtir o sul da França. A escola é tradicional com aulas todos os dias pela manhã e à tarde e os professores não estão para brincadeira, mas nos tratam como crianças. Sό consegui um pouco mais de respeito quando anunciei que estava grávida. As aulas ficaram prejudicadas pelos enjôos e pelo sono, mas consegui terminar o ano (Chloé nasceu nas férias de agosto!) e obter o meu certificado.
O diploma não foi possível porque o meu francês escrito não melhorou muito mesmo com esforço e dedicação. Em seguida, com o tal certificado, meu diploma brasileiro em jornalismo e muita coragem encarei uma prova de títulos para fazer um mestrado. Com o meu francês ainda macarrônico entrei na IEP – Institut d’Etudes Politiques para fazer um Master II (o equivalente ao nosso mestrado) e passei um ano a sofrer o martírio com os exercícios escritos, as aulas intermináveis com o professor sentado em cima da mesa a falar sem parar (nem uma apostilazinha para ajudar) e o rapport de stage, um mínimo de cinquenta páginas para convencer o diretor do curso que você aproveitou alguma coisa do que foi dito. Um ano e três estágios depois, vitória! Diploma com menção très bien em comunicação institucional internacional. As aulas me ajudaram muito a melhorar a base da língua e a fazer amigos, mas foi no dia a dia com a família e principalmente no trabalho que meu francês se aperfeiçou. Os escorregões acontecem com menos freqüência, mas ainda tenho dificuldade com os fonemas que não existem em português.
Ouf! Como você pôde ver, aprender o francês não é simples. Por isso, se você esta pensando em cursar alguma coisa por aqui começe a estudar, e muito, antes de comprar a passagem ou a decepção pode ser grande, a não ser que tenha tempo suficiente para ter um bebê, casar, arrumar um emprego ou simplesmente passar um ano delicioso no sul da França!
4 comments Novembro 18, 2008

