Posts filed under 'Espanha'

Horários Espanha&Brasil

Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha

 

Sempre que comento com alguém sobre a hora do almoço na Espanha a pessoa se apavora. No Brasil, normalmente estamos acostumados a comer entre meio dia e duas da tarde. Pois na Espanha o horário de almoço começa as duas e vai até as quatro, cinco horas…

Em muitas regiões do país existe a famosa “siesta”, que nada mais é que alguns minutinhos de descanso depois de comer, um tempinho para repor as energias para a jornada da tarde. Sentir aquele sono logo após o almoço não é nada de outro mundo, mas os espanhóis (principalmente os do sul, que sofrem também com o calor do verão) sabem melhor do que ninguém como aproveitar a sonolência e unir o útil ao agradável. Dizem os especialistas que este tempo de repouso é ótimo para a saúde, mas não deve ultrapassar os 30 minutos.

O fato de almoçar tão tarde faz a manhã ficar interminável. Quem começa a trabalhar as oito, nove horas da manhã logicamente não agüenta ficar só com o café no estômago até as duas. Ai vem outra curiosidade espanhola: o pessoal toma dois cafés da manhã!!! Um quando sai de casa cedo (mais leve) e outro no meio da manhã (com direito a tostadas* e tudo mais). Obviamente, isto não é regra geral, mas a grande maioria faz isso sim!!!

Em Sevilla, a hora da “siesta” é sa-gra-da. Tudo, exceto bares e restaurantes (claro), fecham entre duas e cinco da tarde. Somente as grandes lojas multinacionais mantêm as portas abertas. Não adiante espernear, ou se acostuma, ou se acostuma. No inicio é bastante complicado, mas é assim: supermercado, farmácia, ferragem, papelaria… tudo fechado até depois das cinco horas, fazendo a jornada de trabalho se estender até as oito, nove horas.

Uma longa manhã, uma paradinha de 3 horas para comer e dormir e, é claro, uma longa tarde. Juro que me impressionava quando alguém marcava comigo as oito, nove horas da tarde!!! Não seria oito horas da noite? Para os espanhóis não.

E lojas 24 horas? Existem em Sevilla? Poucas, dá para contar nos dedos. Hoje em dia a cidade está lotada de “chinos” (como são chamados os pequenos mercados dos imigrantes chineses) que não cumprem os horários estabelecidos para o comércio. São os salvadores da pátria porque ficam abertos durante todos os dias da semana (ah, supermercado também não abre no domingo) até as 23 horas, às vezes até mais tarde. Uma loja de conveniência da rede do famoso Corte Inglés, chamada “OpenCor” também diz que funciona 356 dias ao ano até as duas da manhã. As farmácias da cidade fazem uma espécie de revezamento durante o mês (são as chamadas “farmácias de guardia”) e para saber qual delas estará aberta durante a madrugada ou nos domingos devemos consultar uma lista (ainda bem que é disponibilizada na internet). As lojas de roupas e os centros comerciais só funcionam aos domingos em temporada de Natal ou nos primeiros dias das liquidações.

Enfim, é tudo bastante diferente do Brasil. No inicio é complicado se acostumar com a confusão de horários, não só da hora do almoço, mas principalmente do comércio. Mas pouco a pouco o ritmo é absorvido e já não parece coisa de outro mundo almoçar na hora no café da tarde ou esperar até depois da cinco para comprar qualquer coisa.

*sobre as famosas tostadas eu prometo escrever um post especial!

1 comment Dezembro 16, 2009

Intercâmbio na Espanha

Se você pensa em vir para Espanha fazer intercâmbio estudantil, nada melhor que conhecer as experiências de quem já passou por isso. Esta é a História do Luiz Paulo, um recifense que está em Sevilla desde setembro e nos conta como foram os passos para chegar até uma universidade européia, a adaptação na nova cidade e as impressões sobre os estudos. Também criou um blog chamado Se villa nos 30 onde escreve sobre sua vida na Europa.

Vir estudar no exterior por um semestre não é uma tarefa muito fácil. Ao menos que você queira vir só para farra, o que realmente não vai lhe exigir muita coisa. Mas se você se interessa por um pouco mais que isso é realmente necessário pensar. Deixem apresentar-me, antes de tudo. Me chamo Luiz Paulo e faz alguns meses que estudo na Universidad de Sevilla, na Espanha. Vim para cá a partir de um convênio com a minha universidade do Brasil, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Além disso, estudo História.

Pois bem, decidi ir estudar no exterior. Foi preciso ver as universidades européias que tinham convênio com a minha e optei pela Universidad de Sevilla. Por quê? Primeiro por causa da língua, que já tinha certo domínio e enganam-se aqueles que acham que vir para aqui só falando português não tem problema, tem sim, tente fazer isso e verá. Segundo, pois aqui é onde se encontra o Archivo General de Índias, local onde está reunida grande parte da documentação da história da América colonial, meu objeto de estudo. Então tudo se encaixou muito bem. Além disso, pesquisei bastante sobre a cidade, conversei com pessoas que vieram ou que moravam aqui em Sevilla, o que foi de grande auxílio.

Após a decisão de vir para cá, iniciei os procedimentos burocráticos. Primeiramente me inscrevi no programa de intercâmbio da minha Universidade. Depois tirei passaporte e visto. Se foi fácil fazer o visto de estudante? Digamos que foi. Levei a documentação requerida no Consulado da Espanha em Recife: formulário, fotografias, passaporte, carta de aceitação* pela universidade na Espanha, comprovação de disponibilidade financeira**, seguro de saúde internacional***, certificado médico****, antecedentes criminais*****. Esses dois últimos geralmente só são requisitados para vistos de um ano. Enfim, depois da documentação entregue esperei menos de um mês e o visto chegou nos conformes. Daí foi só esperar a data para viajar.

 A data da viagem foi chegando e ainda não tinha arrumado nenhum local para ficar em Sevilla, daí reservamos 4 noites em um albergue e viemos eu, Débora (minha namorada), Natália e Luísa (amigas nossas) com o intuito de correr atrás de um apartamento para não termos que ficar em albergue por mais tempo. Ir para um lugar sem ter onde ficar é realmente difícil, mas pelo menos você não corre o risco de ir para um local que não se conhece muito e ficar num apartamento ruim. O ideal é sempre conversar com pessoas que estão na cidade para onde você vai, ou se possível dar sorte e ficar no apartamento dela. No nosso caso tivemos que ir para albergue mesmo. Alerto ainda, que se você vem para Europa no meio do semestre brasileiro, isso é, Agosto e Setembro, é bom chegar cedo, pois todos os europeus que participam do programa Erasmus (intercâmbio entre os países europeus) chegam entre Julho e Agosto e alugam seus quartos ou apartamentos. Corre o risco de você chegar e não ter boas opções.

Chegamos a Sevilla e uma das primeiras coisas que fizemos foi comprar celulares, pois você precisa de um se quiser manter contato com algum proprietário de imóvel. Depois disso, foi passar o dia ligando para telefones de apartamentos que estavam disponíveis para aluguel. Como chegamos no final de Setembro, toda vez que ligávamos as pessoas diziam que o dito apartamento já estava alugado. Quando não era esse o problema, os proprietários pediam “nominas”, comprovante de renda espanhol, coisa que não possuímos. Passamos um dia inteiro ligando e conseguimos apenas uma visita para o mesmo dia. Fomos ver o apartamento e ele estava um pouco caro, ficava no bairro bom, mas estava bastante mal cuidado. Ficamos tristes, pois percebemos que íamos ter que ficar ali mesmo, porque já não restava muitas opções e tínhamos medo de inclusive perder a oportunidade. Ficamos de dar resposta no outro dia para a proprietária. Na saída do prédio fomos resmungando em português, até que um cara que saía do mesmo prédio nos perguntou se éramos brasileiros. Foi aí que conhecemos Paulo, paulista que há alguns anos vive por aqui. Daí ele nos disse que recentemente tinha ajudado algumas meninas de Santa Catarina a encontrar um apartamento e que elas deviam ainda ter alguns números de aluguel. Então fomos ao apartamento delas, que era muito perto. Lá foi uma mobilização na procura por um apartamento para nós seis que conseguimos marcar uma visita ainda para o mesmo dia, num apartamento a 5 minutos de onde estávamos. Então fomos e chegando lá não deu outra, lugar perfeito. No outro dia nos mudamos. Bem, não esperem contar com essa sorte que tivemos.

Já com um apartamento alugado, tive mais tempo para conhecer a cidade e ver um pouco como funcionam as coisas por aqui. A adaptação nos primeiros dias foi bem fácil. O povo sevillano é muito afável e prestativo, obviamente existem uns que não se parecem nem um pouco com isso, mas ao menos nos primeiros dias não tive contato com eles. Sobre o espanhol? Bem, diz uma professora minha daqui que se você entende um andaluz você entende qualquer espanhol. E começo achar isso verdade. Por exemplo, logo que cheguei conheci dois rapazes de Cádiz e tentamos conversar, mas não entendia nada que falavam, não deu outra, conversamos em inglês. Mas com o tempo você se acostuma e daí vai acontecer o que aconteceu comigo quando fui para Madrid, quando se entende perfeitamente um espanhol falando. Uma outra coisa bastante interessante por aqui é a famosa siesta. Entre 14:30 e 17:30 praticamente tudo fecha para que o espanhol vá pra casa comer e tirar seu cochilo. De início isso é um pouco confuso, mas depois você se acostuma a fazer tudo o que quer antes ou depois da siesta.

As maiores diferenças, no entanto, aparecem quando falamos da universidade. Ainda que eu só possa fazer uma boa comparação em relação à universidade em que estudo em Recife, tenho certeza que no quesito organização, estrutura e comprometimento dos professores a Universidad de Sevilla está muito a frente da maioria do Brasil. O que pude ver de pior foram os alunos. Ao que me parece, no Brasil temos um conhecimento geral mais amplo do que os europeus possuem. Além disso, todos ele são viciados no que aqui se chama de “aula de apuntes”, que são como ditados onde os professores vão falando e os alunos anotando tudo. Bem, para mim essa não é a melhor maneira para aprender. Seria mais fácil o professor enviar-nos um email com tudo que ele fosse dizer. Mas felizmente, meus professores têm ojeriza a esse tipo de aula. Enfim, vir estudar no exterior exige muita organização e reflexão sobre os objetivos da empreitada. Falando da minha, juro que está valendo muito a pena e encorajo aqueles que tenham a mesma vontade de ver o mundo. Sem dúvida, não irão se arrepender.

Por Luiz Paulo Ferraz

Outras informações em: Onde, como, quando o quê estudar na Espanha

*em papel timbrado do centro de Estudos Oficial ou Privado – com endereço e telefones/fax do centro-, legalmente reconhecido, para realizar estudos com mais de 15 horas letivas semanais. IMPORTANTE: O texto da carta deve conter nome do estudante, curso a realizar com datas – dia, mês e ano- de inicio e final de curso. ** no meu caso foi equivalente a 1.000€ por mês de permanência (xerox autenticada) e se o estudante não dispõe de meios econômicos próprios e sua manutenção corre a cargo de um familiar: Compromisso público de manutenção (expedido por tabelião) acompanhado da última declaração do imposto de renda do declarante (familiar em questão) da escritura pública e um recibo pela aquisição de moeda estrangeira (euros/us dólares) por um valor total de 1.000 €, para os gastos iniciais de chegada. *** a cobertura do seguro deve ter de pelo menos 30.000€ e incluir seguro de repatriação em caso de falecimento e também repatriação sanitária em caso de acidente ou doença grave. **** acreditativo de não padecer de nenhuma das seguintes alterações: A) Doenças quarentenarias (cólera, peste, febre amarela, etc.).B) Drogadição, alterações psiquicas importantes, estados manifestos de pertubação psicopatica com agitação, de delirium, de alucinações ou de psicose de confusão. ***** com vigência mínima de 15 dias para maiores de 18 anos, expedidos pela: Secretaria de Segurança Pública do Estado- Polícia Federal.

3 comments Novembro 30, 2009

Qual a melhor época para visitar Sevilla?

Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha

Sevilla é uma cidade ótima para ser visitada no inverno. O frio parece que custa bastante a chegar por essas terras e enquanto os termômetros marcam temperaturas baixas na maioria da Europa, por aqui costumamos desfrutar de um outono muito agradável. A Andalucía (Comunidade Autônoma da qual Sevilla é a capital) é uma região com temperaturas médias superiores aos 16 graus e um índice de 300 dias de sol ao ano, o que significa um inverno ameno e relativamente seco.

Ou seja, um friozinho gostoso com aquele solzinho para aquecer. Não há clima melhor!

Os dias ensolarados convidam a caminhadas pelas ruas do centro antigo, um descanso no Parque Maria Luisa, uma conversa jogada fora às margens do rio Guadalquivir, um passeio pela Alameda de Hércules… enfim, ninguém fica em casa embaixo das cobertas mesmo no inverno! A temível depressão invernal passa bem longe de Sevilla.

E as temperaturas mais baixas trazem também o famoso chocolate com churros e as castanhas assadas, vendidas por ambulantes. A cerveja segue sendo a bebida oficial, mas também podemos encontrar uma espécie de vinho quente (quentão para os gaúchos) que é uma ótima opção para aquecer. A sopa finalmente aparece nos cardápios, mas definitivamente não é o prato preferido no inverno e há pouca diferença entre as comidas servidas no verão.

Fica aqui a dica: fuja do verão em Sevilla (que começa a dar as caras em março e só acaba em outubro) e aproveite as temperaturas mais frias para conhecer a cidade e todos os seus encantos.

Foto PresleyJesus

 

3 comments Novembro 29, 2009

Sevilla Festival de Cine Europeo

bzGlenda Dimuro
Sevilla/ Espanha
 
 
 
SFCE_09_cartelComeçou ontem o Sevilla Festival de Cine Europeo, que durará até o dia 14 de novembro. Este ano o festival vai homenagear o cinema britânico, repassando alguns dos melhores títulos de sua cinematografia e abrindo espaço aos novos talentos. Destaque para “Das Weisse Band” de Michael Haneke, “Looking for Eric” de Ken Loach, “Un Prophète” de Jacques Audiard e “Vincere” de Marco Bellocchio.
 
Está programada uma seleção de filmes do cineasta Nicolas Roeg e o espanhol Fernando Trueba receberá o prêmio de Honra do Festival por sua carreira, projetando sua ultima produção “El baile de la Victoria”, selecionada para representar a Espanha no Oscar. O filme “Triage” protagonizado por Colin Farrell e pela sevilhana Paz Veja será apresentando no ato de inauguração do festival.
 
A programação oficial pode ser consultada aqui.
 

Add comment Novembro 7, 2009

Arte num dia de domingo…

bz

Glenda Dimuro
Sevilla/Espanha
 

PAU_3122Uma dica de passeio para quem vive em Sevilla, ou está aqui de passagem, é a feira de arte que ocorre todo domingo na Plaza del Museo. Ali vários artistas expõem seus trabalhos que vão desde pinturas de natureza morta até estilos mais contemporâneos. Não são apenas telas o que se pode encontrar, mas também esculturas, desenhos e algumas coisas de artesanato. Os preços são variados e é uma ótima opção para quem quer levar uma recordação diferente de Sevilla.

O museu que dá nome à praça é o de Bellas Artes, que fica ao lado e precisamente nos domingos a visita é grátis até as 14hs. Vale a pena conferir!

2 comments Outubro 12, 2009

Artistas brasileiros em Barcelona

Para quem mora em Barcelona ou para quem estará por lá entre os dias 19 até 30 de outubro não deixe de prestigiar os três artistas brasileiros Claudio Trindade, Lela Martorano e Roberto Freitas e o artista grego, de Thessalonik: Haris Pallas na exposição “[In] Transparencias. Variaciones de lo diáfano” na Gracia Arts Project .
A inauguração será dia 22, mais informações sobre cada uma das exposições aqui.

Add comment Setembro 30, 2009

Espanha: sem papéis mas com assistência

bz

Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha

 

1004193Uma reportagem que saiu em diversos jornais hoje me chamou a atenção. A Espanha é um dos países europeus com maior porcentagem de “sin papeles” (vulgos imigrantes ilegais) que dispõem de cobertura sanitária. A ONG Médicos do Mundo realizou uma pesquisa em diversos países da Europa e constatou que o direito à saúde não está plenamente garantido e que a maioria das leis discrimina abertamente os ilegais.

Estes dados também derrubam o mito da “imigração sanitária”, já que os pesquisadores constataram que a maioria dessas pessoas não vem à Europa em busca de tratamento médico nem para “se aproveitar” dos sistemas europeus de cobertura sócio-sanitária. Segundo a pesquisa, em alguns países, como a Suécia, as pessoas sem visto de residência não têm direito a nenhuma cobertura sanitária gratuita, nem mesmo se precisar fazer um parto de emergência. Em outros como a Alemanha, os poucos direitos que existem são praticamente anulados porque as instituições sanitárias têm o dever de denunciar os irregulares que solicitam atendimento. O Reino Unido oferece algumas coberturas, mas deixa de lado o pré-natal, por exemplo.

No caso da Espanha, aqueles que solicitam asilo ou que não têm permissão para residir no país têm os mesmos direitos ao atendimento sanitário e nas mesmas condições dos espanhóis, ainda que em alguns casos encontrem algumas dificuldades com os processos administrativos, já que necessitam, pelo menos, estar “empadronados” (o que significa ter uma residência fixa registrada). Mas ao atendimento de urgência TODOS (independente de “empadronamiento”, nacionalidade ou documentos em dia) são atendidos.

Mas o que me chamou mais ainda a atenção foram os comentários, feitos pelos próprios espanhóis, com relação à notícia. Reproduzo na integra o que o Manuel (Manu ou Manolo como deve ser conhecido por aqui) e alguns outros escreveram:

“Vergüenza nos tendría que dar, llegan de fuera y le atienden antes que a los propios españoles, no hay más que ver la cantidad de inmigrante que hay en las consultas y en los hospitales que tienen asistencia gracias a nosotros, subida de impuesto pues claro esto es jauja. Y no solo la seguridad social sino educación y mil cosas más, que vaya un español a un país árabe o africano a ver si le van a dar religión a tu hijo, a tragar por lo que te digan”.

“Los ilegales no solo no tendrían que tener cobertura, es que no tienen que seguir en este país, o es que solo tenemos obligación de cumplir la ley los de siempre?”

“Me gustaría saber si un españolito de a pie sufre una apendicitis en uno de “estos” países cómo sería el trato recibido…”

“Esto es indignante, si tenemos la posibilidad de identificar a un irregular porque acude a hacer uso del servicio sanitario que pagamos los demás ¿es mal momento para cogerlo, esposarlo, y deportarlo en 24h? Hay cosas que son indignantes”.

Deixo que cada um de vocês tire as suas próprias conclusões sobre as palavras desses cidadãos. Tem muita gente que pensa como o Manolito e considera o sistema sanitário espanhol “flojo”, ou seja, que facilita muito a vida de quem nunca colaborou um tostão com a “Seguridad Social” (o SUS espanhol). Na minha opinião, gente sem memória, sem noção da realidade mundial, sem um pingo de cultura que espera ser bem atendido em um hospital ao sentir dor de barriga quando estiver de férias por um safári pelo Quênia. Este último então diz que deveriam aproveitar a situação de doença de um ilegal para pegar-lo, algemar-lo e deportar-lo em 24 horas. Isso sim que é indignante!!!

A boa notícia é que muita gente também é a favor desse sistema. Eu acho que o sistema médico espanhol pode ser considerado um exemplo. Claro que está longe da perfeição, mas o direito ao atendimento sanitário deve ser universal e igualitário. A maioria dos ilegais não está nesta situação porque quer, obviamente, e com certeza preferiria contribuir à viver na ilegalidade (na grande maioria dos casos). Ou seja, o buraco é bem mais embaixo e aqui, mais um vez, acho que o que deve pesar é o “sirvo, logo existo”. Coloco aqui os comentários escritos por pessoas mais sensatas, inteligentes, humanas, cultas e menos xenófobas (sim, porque elas existem).

“Legalmente no pueden tener cobertura sanitaria, pero humanamente si ……que al fin y al cabo son gente que huye de una guerra o de la hambruna”.

“Por humanidad y solidaridad todos los extranjeros deberían tener derecho a la sanidad en España. Que bastante mal lo pasan en sus países de origen que son pobres y subdesarrollados. Lástima que haya una minoría racista y inhumana, a ver si les discriminan cuando se vayan a otros países de vacaciones o a vivir va a ver lo que sufren estas personas. Es increíble este país de prehistóricos que ha salido de las cavernas. Y no terminan de evolucionar en pleno siglo XXI en el año 2009”.

“Es una de las cosas de la que los españoles deberíamos estar orgullosos. Y un ejemplo para el mundo entero. Otra, es que podamos con todo este gasto”.

A eterna luta entre os de baixo e os de cima promete continuar, infelizmente… já que nem quando o processo é igualitário e tenta diminuir as diferenças, todos saem contentes.

2 comments Setembro 28, 2009

O terrorismo na Espanha

bz

Glenda Dimuro
 Sevilla/Espanha

 

250_0_ndiadaquema110908Desemprego, terrorismo e imigração. Estes são os três maiores problemas dos espanhóis, segundo pesquisa realizada pelo Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) no inicio do ano. Desemprego é uma resposta lógica em tempos de crise, quando todos temem perder seu trabalho e não ter dinheiro para pagar suas dívidas, já que afinal de contas, os bancos só emprestam dinheiro para clientes que podem pagar (como o Real Madrid, mas isso não vem ao caso). Nessa bola entram os imigrantes, que querendo ou não, acabam “roubando” os poucos postos de trabalho que restam. Mas e o terrorismo? De tipo de terrorismo, palavra preferida dos presidentes norte americanos, os espanhóis têm tanto medo?

Ainda que existam diversas definições para a palavra terrorismo, podemos dizer que é o uso sistemático do terror para coagir, através da violência (física ou psicológica), a indivíduos, sociedades ou governos. É utilizado por uma ampla gama de organizações para a promoção dos seus objetivos, sejam elas partidos políticos nacionalistas ou não, de direita, de esquerda, bem como grupos religiosos, racista, colonialistas, independentistas, revolucionários, conservadores, ecologistas. Existe o terrorismo indiscriminado, aleatório, seletivo, narco-terrorismo, terrorismo nuclear, terrorismo de Estado e até ecoterrorismo

Os espanhóis não estão tão preocupados com a Al Qaeda, a FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia) ou com a FLA (Frente de Liberación de los Animales). Euskadi Ta Askatasuna (Euskadi y Libertad), mais conhecido como ETA, é o que tira o sono do povo por aqui.

Todo o dia se fala do ETA na televisão, jornais, internet. Em 2009, a organização terrorista já provocou doze atentados provocando a morte de três civis. Desde a sua criação por um grupo de estudantes radicais em 1959, os membros do ETA já mataram mais de 850 pessoas. Nasceu como uma alternativa ideológica aos postulados do Partido Nacionalista Vasco (PNV) com quatro pilares básicos: a defesa do euskara, o etnicismo (como fase superada do racismo), o anti-espanholismo e a independência dos territórios que, segundo reivindicavam, pertenciam a Euskadi (Álava, Vizcaya, Guipúzcoa, Navarra, na España, y Lapurdi, Baja Navarra y Zuberoa, na França).

Euskara? País Vasco? ETA? No Coisa Parecida, meu blog pessoal, tentei resumir e contar um pouco sobre o terrorismo na Espanha, sua história, organização, principais atentados, as tentativas de tréguas e negociações e o que pensam e como atuam os espanhóis frente a este tema. É uma série de vários posts que podem ser encontrados nos links abaixo. Pode ser bastante interessante, principalmente para aqueles que vêm viver na Espanha, estar “al dia” com um dos maiores desafios dos espanhóis: a luta contra o terrorismo.

 Euskadi -  ETA -  primeiros atentados - etarras -  tréguas do ETA -  respostas da sociedade

3 comments Agosto 25, 2009

Granizado para o calor!

bz

Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha

 

Quem avisa amigo é, já dizia o ditado… Mas se ainda assim você insistir em visitar Sevilla nos meses de verão, uma ótima dica para refrescar sua garganta é o GRANIZADO. Lembram daquela “raspadinha” vendida em carrinhos nas praças e parques de antigamente? Aquela que o cara raspava um gelo e acrescentava groselha ou outra coisa doce? Pois é exatamente isso, só que com um pouco mais de tecnologia e menos doce, principalmente os sabores de limão e laranja (entre os mais comuns também está o de morango) e ainda existem receitas caseiras mais elaboradas. Aqui não é um vendedor que bate o gelo com as próprias mãos, são máquinas de granizado que preparam a mistura e que nos meses de verão se espalham por cafeterias, bares, quiosques, todos os cantos.

É perfeito para os dias de calor. Vale muito a pena provar porque realmente refresca mais que qualquer outra bebida. ¡Pruébalo!

4 comments Junho 20, 2009

Vem chegando o verão…

bz

Glenda Dimuro
Sevilla, Espanha

 

183219869_bc61dd2641_oO verão na Europa se aproxima… Em Sevilla parece que já chegou. Enganam-se aqueles que pensam que pelos lados de cá o calor é menos intenso, principalmente nos países mediterrâneos. Sevilla é uma das cidades mais quentes e secas de toda a Espanha, um verdadeiro caldeirão. No auge do verão os termômetros beiram os 50 graus e às 9 horas da noite é muito comum ainda estarem por volta dos 35, 40. A praia mais próxima está a uns 80km mais ou menos. Alguns podem se perguntar, e como se vive em um clima assim? Sobrevive-se, claro.

Os sevilhanos natos já sabem de todos os truques para tentar diminuir a sensação de calor. Os estrangeiros, pouco a pouco, acabam aprendendo as “manhas”… Por exemplo, nas casas, ar condicionado é um artigo de extrema necessidade, nunca alugue um quarto ou um apartamento que não tenha pelo menos um bichinho desses. As janelas devem permanecer com os vidros e persianas fechados durante a maior parte do dia. O ar que vem da rua chega a queimar as narinas, portando colaborar com a inércia térmica é fundamental. Pela noite se abrem as janelas e se deixa correr um ventinho (claro, quando ele aparece), mas não devemos esquecer-nos de fechar tudo na manhã seguinte.

Mas não é só isso. Os horários das atividades cotidianas também se adaptam ao clima. Muitas lojas comerciais, supermercados e prestadores de serviços fazem horário de verão e funcionam apenas pelas manhãs. Alguns abrem pela tarde, lá pelas 18:30, já que depois das duas até mais ou menos por esse horário é bem comum encontrar as ruas completamente vazias. Aqueles que podem estão dormindo a “siesta” ou simplesmente fugindo do “inferninho”. Fora de casa, somente os desavisados (como eu costumo chamar os turistas que vêm à Sevilla em pleno agosto) ou os pobres coitados (quem não tem alternativa).

Janelas com cortinas externas para proteger do sol - Abanicos - Tinto de verano

Janelas com cortinas externas para proteger do sol - Abanicos - Tinto de verano

O lado bom é que as noites são ótimas e te chamam para tomar aquela cervejinha ou um “tinto de verano” num dos inúmeros bares ou “terrazas de verano” da cidade. É impressionante, mas depois das nove horas da noite parece que toda a população está na rua e não há buteco que não tenha clientes. Também são realizadas várias programações culturais ao ar livre, como projeção de filmes e shows. O lado ruim é que para dormir também é complicado e impossível antes da meia noite, um pesadelo para quem precisa acordar cedo (que é recompensado com as horas de “siesta” pela tarde).

Isso é um ótimo exemplo de como o homem adapta-se ao meio em que vive. No principio foi difícil, pois como viemos de uma cidade do Brasil que é bastante úmida, fazíamos exatamente ao contrário: abríamos as janelas para “ventilar” (não dá para imaginar a massa de calor que entrava todos os dias).

2785628537_ff91081d38_oPara quem vem à Sevilla fazer turismo, os meses de verão são uma péssima época, principalmente agosto. Passear no sol vira um pesadelo no deserto, isso que eu considero a cidade bastante arborizada e além do mais, a prefeitura “cobre” as principais ruas do centro antigo con toldos (como na foto). As dicas para quem se arrisca a enfrentar o desafio são: carregar sempre água (que em 5 minutos fica morna), ter um abanico (é o famoso leque da vovó, que aqui é um acessório feminino fundamental e que não sai de moda), usar roupas leves e claras, chapéu, protetor solar, sapatos confortáveis e evitar sair nas horas “pico” de calor. Se não cuidar dos detalhes, frita de verdade!

 Escrevi alguns posts no meu blog pessoal sobre o assunto. Quem quiser conferir, é só passar por lá! Verão em Sevilla

3 comments Junho 2, 2009

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