Posts filed under 'Israel'
Yaffo, o farol do Mediterrâneo
Gabriel Guzovsky (divulgare)
Jerusalem, Israel
Yaffo é uma antiga cidade portuária, situada ao sul da moderna cidade de Tel Aviv. A cidade é o ponto histórico antigo que mais contrasta com a cosmópolis judaica. Acredita-se que pela zona do porto de Yaffo, Jonas tenha sido raptado engolido por um peixe grande (interpretado por muitos na forma de baleia).
A cidade de Yaffo esteve nas mãos de diversos povos, nos últimos séculos cruzados, franceses, turcos e britânicos desfrutaram da bela cidade portuária que dá fácil acesso marítimo à sagrada Jerusalém. A cidade predominantemente árabe é um dos exemplos de convivência pacífica.
Uma dica para os brasileiros passeando por Yaffo é o evento de sextas feiras no fim da tarde, início da noite na cidade antiga de Yaffo: o Sambadobom. Nilson Muniz (voz), André Golovaty (violão, percussão e vocais), Daniel Ring (violão, cavaquinho, percussão e vocais) e eventuais convidados especiais comandam o samba tupiniquim que conta com uma platéia assidua de amantes do bom samba no cenário pitoresco de Yaffo.
Uma combinação de sucesso, um belo programa para todos que buscam um lugar descontraído para começar o fim de semana. Não são só os brasileiros que apreciam o samba, o evento cresce cada dia mais e atraí uma gama de visitantes curiosos e simpatizantes do conceito.
O evento Sambadobom rola todos as sextas feiras, de 17:00 – 22:00, na rua Mazal Arieh 5 (em frente ao beit mayumana). Há estacionamento no local, e o passeio pelas ruelas da cidade antiga para chegar até o local do evento já vale a viagem.
Em frente ao Sambadobom está o Beit Mayumana (a casa de Mayumana) que é o teatro e local de ensaios do grupo Mayumana, outra iniciativa com influências latino americana que conquistou o cenário cultural em Israel e logo no mundo. O grupo usa coisas do dia a dia para batucar e criar melodias que não costumamos encontrar nessas mesmas coisas contextualizadas em nossa rotina. Outra dica para que vêm para Yaffo é aproveitar para ver este espetáculo, que na sexta-feira começa as 22:00 – justo no final do Sambadobom. Vale a pena fazer a casada e passar uma bela noite de sexta em Yaffo.
Show: Bejuntos
Local: Mayumana Hose – Yaffo
Quando: Sextas, às 22:00
Ligar para confirmar horários de shows e temporada: +972-3-6811787 ( dentro de Israel: 03-6811787)
Para mais informações sobre Yaffo e algumas imagens da cidade, suas vistas e seus arredores, clique em qualquer umas das fotos e entre no Álbum de fotos de Yaffo do divulgare photos.
Imagens e palavras se cumprimentam e complementam.
Pássaro no cume do minarete antigo de Yaffo
Conversas beirando o Mediterrâneo
Vistas panorámiscas de Yaffo desde Tel Aviv
Lugares históricos
Memórias alheias
Tel Aviv desde Yaffo
3 comments Maio 5, 2009
Mercado Machane Yehuda em Jerusalém
Gabriel Guzovsky (divulgare)
Jerusalem, Israel
Recentemente postado no divulgare photos, minha galeria pessoal de fotografias, um novo álbum com fotos do Mercado de frutas e verduras (e outras cositas mais) Shuk Machané Yehuda (ou traduzido literalmente ao português: Mercado Acampamento de Judá) em Jerusalém.
Como é chamado pelos mais íntimos, a Machne é um mercado que atrai todos os dias e principalmente sexta-feira muitos habitantes locais em busca de comida fresca. É também uma atração turística pela variedade de artigos e comidas da região.
Neste álbum se pode ter um panorama interessante do que se encontra no mercado, suas cores, sabores e personalidade(s).
Clique em qualquer uma das imagens abaixo para visitar o álbum completo:
Tomates e Pepinos
Definitivamente a verdura (pepino) e a fruta (tomate) mais vendidos em Israel e parte de todas as saladinhas básicas do país.
É muito comum como acompanhamento de qualquer lanche rápido a combinação desses em cubinhos bem pequenos, temperado com azeite de oliva e salsinha a gosto.
Gamão na sombra
Campeonato amador de gamão na rua, jovens senhores da terceira idade escapando de suas mulheres enquanto elas fazem as compras no mercado.
Panorama do Mercado “Shuk Machané Yehuda” (Acampamento de Judá)
Vista geral da parte coberta do mercado em Jerusalém.
Artigos Judaicos (Judaica Art)
Loja de artigos judaicos no mercado de comidas judaico Machane Yehuda, na cidade de Jerusalem.
Frutas Secas
Variedade de frutas secas, remanescentes das festividades de Tu Bishvat (festa da colheita e da natureza) aonde se costumam comer frutas secas da região e em geral.
4 comments Abril 15, 2009
Diáspora ou Sião? Eis a questão…
Gabriel Guzovsky (divulgare)
Jerusalem, Israel
O tema da última semana no nosso querido blog multinacional é a eterna dúvida que todo expatriado sempre vai ter: Será que teria sido melhor no Brasil? Será que se eu voltar agora eu posso ter uma nova chance? Será que no Brasil eu seria mais feliz, perto de amigos de infância, de épocas ilustres e da querida família?
Não é fácil realmente decidir qual o destino final dos seus sonhos. Afinal, que lugar irá servir de cenografia e que pessoas irão fazer parte dos próximos atos dessa canção que chamamos vida? Uma coisa é certa: ficar no Brasil sempre vai ser mais fácil – não parar para pensar nessas mudanças fazem com que pelo menos estemos conformes. Quanto mais se conhece, mais se deseja, mais se questiona e menos seguros estamos de nossas decisões – por que sabemos que existem diversas outras opções possíveis e pensamos não estar seguindo a correta quando nos debatemos com algum obstáculo no meio do caminho.
Eu escrevo desde Israel, dos países que temos correspondentes no BrasilcomZ, acho que é o país mais cheio de obstáculos. Só pelo conflito constante já é complicado, a guerra então nem se fale, os atentados ai ai ai, o serviço militar obrigatório ui ui ui, a escassez de emprego xiiii…, a língua difícil com letrinhas e pontinhos diferentes oi oi oi, salários relativamente baixos e custo de vida alto, ei! Quem não fica loco com essa situação?
Os obstáculos não são poucos e durante os anos que estou aqui, pelo menos 50% das pessoas que chegaram e estudaram hebraico comigo nos primeiros meses de adaptação já decidiram que era demais para eles. Que não valia a pena ultrapassar esses obstáculos e que a experiência haveria servido para abrir os seus olhos de que o lugar que sempre buscaram para viver na verdade era aquele em que se sentiam mais em casa, o nosso querido Brasil.
Israel foi idealizado como uma solução para o povo judeu, uma maneira de garantir uma soberania nacional para o povo judeu e garantir a sua sobrevivência nessa nova etapa da soberania mundial. O movimento sionista surgiu como resposta natural a nacionalização de diversas nações no mundo – para os que não sabem, as nações como conhecemos hoje surgiram apenas no século XIX. A idéia era de que para que sobrevivessemos como judeus, era fundamental que houvera um corpo nacional que defenda nossos direitos. O movimento surgiu no fim do séc. XIX, mas só obteve resultados em 1948, depois que 6 milhões de judeus foram massacrados. Antes disso ninguém acreditava de que Israel fosse realmente necessária, pensavam que era um capricho de poucos que não estavam preparados para superar os obstáculos sociais de uma Europa em estado de nacionalização.
Um dos grandes retardatários da necessidade de um estado judeu se chama América. Naquele momento, quem pudesse e quisesse, poderia imigrar para a América, a terra dos sonhos de muitos imigrantes de todo o mundo. Dentre esses imigrantes, milhões de judeus chegaram a todos os portos do nosso querido continente preparados para superar os mais diversos obstáculos que viessem pela frente. Para essas pessoas não existia a dúvida de voltar ou não voltar, naquele momento não havia essa possibilidade – uma viagem durava meses e custava muito dinheiro. As telecomunicações como conhecemos hoje não existiam. As condições eram realmente adversas e a única esperança que restava era superarse nesta nova realidade. E foi o que muitos fizeram e de esperança e dedicação construíram suas famílias, seus negócios – enfim, fizeram da América o que é a América.
Para parte do povo judeu, imigrar para a América foi uma solução adotada por muitos para escapar da ameaça eminente. Para outra parte bastante menor de corajosos idealistas, imigrar para a então Palestina Inglesa foi a solução. Por mais que os obstáculos na América fossem grandes também, os obstáculos na Palestina eram muito maiores. Uma terra abandonada por anos, aonde as coisas mais simples tinham que ser construídas do zero. Estes pioneiros que chegaram antes da criação de um estado judeu criaram um novo tipo de sociedade socialista igualitária e em grupo superaram obstáculos nunca antes imaginados. Os chalutzim (חלוצים, pioneiros) formaram os conhecidos kibutzim (קיבוצים) e muniram de esperança milhares de imigrantes idealistas que fugiam decepcionados da então em formação União Soviética que traiu aos judeus que tanto apoiaram a revolução, pensando que ela finalmente traria igualdade entre todos.
Estes jovens foram buscar formar na Palestina essa sociedade ideal.
- Imigração para Israel – Independência para o nosso povo
- Pioneiras vindas da Russia
- Asfaltamento – é necessário o movimento para o desenvolvimento
- Pântanos, um dos maiores desafios
Hoje Israel é um país diferente, moderno, e que não lembra muito seus primeiros anos de pionerismo. A igualdade entre todos ficou esquecida com a ofensiva de nossos vizinhos que tomaram a entrada dos judeus como uma ameça para sua soberania ideológica sobre os habitantes da região. Os sheikes(dominadores árabes) não gostavam nada das histórias de bicho grilo dos pioneiros de que tudo era de todos e que todos eram iguais. Tudo e todos são do sheike e de ninguém mais. E agressão de um lado, agressão de outro e paz e amor acabou escapando e se refugiando em Tel Aviv, em forma de cultura.
A verdade é que quando penso em voltar, acabo entrando nesse transe histórico e sinto que é aqui mesmo aonde devo estar. Não importa os obstáculos, superar cada um deles só irá fortificar. Não sou religioso praticante, mas acredito que todos os judeus dispersados devem ter a opção de vir se estabelecer em Sion. E nós que estamos aqui hoje, vamos garantir que isso seja possível.
1 comment Março 7, 2009
Preconceituoso, eu?
Gabriel Guzovsky
Jerusalem, Israel
Bem vindos á Israel, um país de 20,770 metros quadrados (para comparar: Brasil = 8,511,952 m2) em que habitam 7 milhões de habitantes de absolutamente todos os lugares do mundo. Israel é um país muito jovem e que fazem 30 anos tinha a metade da população atual, aqui Israelense (Sabra) é coisa rara. São poucas as gerações de nativos com excessão de famílias escassas e tradicionais de judeus que seguiram vivendo nessas terras durante as diversas ocupações deste terrêno. Israel foi berço de Cnaaneus, Israelitas, Assírios, Babilônios, Persas, Gregos (Helênisticos), Macabeus (Hasmoneus), Romanos, Bizantinos, Árabes, Cruzados, Mamelucos, Turcos Otomanos e Ingleses – nesta ordem.
No séc. XX, no ano de 1948 - 50 anos depois da criação do movimento sionista e meses depois do segundo maior massacre de judeus na história – o Holocausto, a Terra de Israel voltou para as mãos do povo de Israel, agora conhecidos como judeus, que durante 1900 anos de refúgio nunca se esqueceram de onde vieram e para onde deveriam retornar. Israel e Jerusalém são parte inseparável do imaginário popular judaico desde sempre, mesmo sem Estado.
“Israel não é um país solo. Israel são todas as comunidades judaicas do mundo.” – disse um general anônimo do exército Egípcio durante a guerra de Yom Kippur em 1973, ao comentar sobre uma batalha vencida pelo Egito que se defendia em sua fronteira no Canal de Suez. Ao ver aviões americanos caírem ao serem abatidos o comandante entende que a guerra contra Israel não é apenas com aquela população que habita ali, mas contra todos os judeus do mundo.
Essa perspectiva traz um aspecto interessante deste lugar, a vida aqui depende da vida ali. O israelense em geral vê muito bem a presença exterior. Aqui se entende que sozinhos não se vai a lugar nenhum. Mas seria então Israel um país sem preconceitos?
Israel é uma democracia parlamentarista, aqui realmente a maioria decide e por isso existem diversos partidos e representantes para quase todo tipo de pessoa. Israel tem de todo tipo de pessoa, desde diferentes países, religiões, cores e sabores. Mesmo entre os judeus, não existe um estereótipo de judeu – há muitas variedades entre o povo dependendo da região aonde estiveram seus antepassados e das variações religiosas. Por essa diferença de raízes, também existe uma diferença cultural. Isso sem contar os cristãos e muçulmanos que também tem algumas várias divisões.
Aqui o preconceito é tão forte que é parte integral da cultura. No discurso, no julgamento, em todo o dia – é necesário julgar para evitar um choque cultural. Esse mecanismo de defesa acaba criando uma tensão intensa. O raciocínio é bem simples, você tem um colega com um nome característico de uma “tribo” diferente da sua, você assume que já conhece ele, você já sabe como ele é, já sabe do que ele gosta. Você não é assim, digamos que você seja exatamente o oposto ou pelo menos pense isso. Então para que se relacionar com essa pessoa? Parece uma perda de tempo…
Este tipo de estereótipo é muito comum, cada pessoa têm a sua marca pessoal muito trabalhada pela sociedade como um todo. E as vezes é difícil sair da bolha para pensar nas tantas possibilidades que temos bem na nossa cara.
A aproximação entre os diferentes existe em algumas situações aqui em Israel – e os mais flexíveis se adaptam muito bem a esta nova realidade e vivem a realidade global deste país; mas ainda existe uma porcentagem que acredita na separação e no desenvolvimento de suas idéias como verdades absolutas dentro de um grupo limitado – muito mais seguro e acolhedor que o vasto mundo de diferenças que nos rodeia.
Não vou entrar no conflito árabe-israelense neste momento à fundo, não é absolutamente relevante. Mas com relação aos árabes, é claro que existe um preconceito mútuo que não é geral, mas que deve ser combatido por ambas as partes agora. O que posso dizer é que em Israel existe um esforço grande para combater esse tipo de preconceito e acalmar o conflito. O problema são os extremistas de ambos os lados que cativam esse preconceito com objetivo de ativar o conflito e lograr seus objetivos.
Israel é um país de diferenças, de preconceitos e de iluminação – tanto religiosa quanto científica. É um país em formação, 60 anos de imigrações e dilemas. Como todo país do mundo, sofre as inevitáveis feridas do fenômeno da globalização e tenta adaptar-se a esta nova realidade pluralista.
Desde o meu ponto de vista, o preconceito é algo que se pode entender que exista em época de transição de sistemas fechados para abertos, um efeito amargo inevitável e lamentável. E por isso é algo que deve ser combatido como prioridade se há o interesse de garantir que esta nova realidade siga vigente e não regressemos à épocas muito mais brutais da história da humanidade.
“Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada. Mas a IV Guerra Mundial será lutada com paus e pedras.” – Albert Einstein
1 comment Outubro 2, 2008
Trabalho em Israel
Gabriel Guzovsky
Jerusalem, Israel
Faz 60 anos, o Estado de Israel foi fundado. Não foi fácil construir este país do zero. Existiam algumas coisas por aqui antes de que se iniciasse a colonização judaica, mas realmente não muita coisa, quase nada. Milhares de judeus vieram antes mesmo de existir um estado judaico, sobre autoridade turca e logo inglesa, para iniciar os trabalhos de construção da nova realidade.
Dois grandes ideologos dessa época são Dov Ber Borochov e A. D. Gordon. Os dois figurinhas entenderam desde um princípio que o burguês judeu da Europa (Oriental principalmente, pois os judeus eram proibidos de ter bens como terras e portanto se prendiam ao bem financeiro como forma de juntar herança) teria que agarrar as ferramentas e trabalhar na agricultura em um princípio e subseqüentemente nas fábricas. Borochov desenvolve a teoria da pirâmide invertida, aonde as massas são profissionais (como advogados, doutores, engenheiros, etc) e não trabalhadores. E portanto, esses profissionais recém chegados teriam que colocar a mão na massa e juntar-se a classe trabalhadora para que se possa levantar essa nova sociedade.
Quando era mais jovem carregava essa idéia na cabeça, de justiça social, de uma sociedade igualitária, aonde todo o povo como um trabalha para concretizar um ideal, o Sionismo Trabalhista pelo qual fui ativista no Brasil durante muitos anos. Esses foram os anos mais duros da história de Israel, mas foram os anos de maior calor, anos dourados para muitos que ainda se lembram da época em que todos eram mais simples juntos, uma sociedade extremamente unida e com objetivos claros – levantar o estado judeu em Israel, na terra prometida ao povo durante milhares de anos. A sensação de trabalhar por esse ideal movimentou este país por muitos anos.
Mas tudo que é bom dura pouco, e com o passar dos anos essas visões foram ficando de lado e o país esta cada vez mais parecido com países europeus, aonde o interesse econômico tem forte influencia.
Não recomendaria vir para Israel se não tiver um vínculo forte com a ideologia sionista. Aqui não se fazem fortunas em trabalhos simples como em alguns países europeus. O auto convencimento de que você esta trabalhando por algo maior que dinheiro é o que me move aqui. Outro detalhe não muito agradável para a grande maioria é que o exército aqui é obrigatório, mesmo se você resolveu imigrar aos 23 anos. No exército, a ideologia é fundamental para se manter no lugar(mentalmente) e sentir alguma gratificação em servir para o sistema militar. O exército de Israel é considerado um dos melhores do mundo, mas para os jovens Israelenses, significam 3 anos de escravidão para um sistema estúpido de coerção.

Soldada - Protegendo o Estado
Por ser obrigatório e realmente uma necessidade, para a sobrevivência do estado que se encontra rodeado por território hostíl, o exército ganha força nas batalhas por que para aqueles judeus, é o tudo ou nada. Não se trata de um exército de mercenários, mas um exército de cidadãos defendendo diretamente suas famílias. Imagina você mesmo tendo que defender o Brasil lutando na Floresta Amazônica, por ex., ou lutando a 60km da sua casa com mísseis caindo na zona onde toda sua família vive. É claro que no segundo caso você vai entrar com muito mais garra pra vencer – por que é tudo ou nada.
Mas não vou entrar no tema exército nesse artigo, por que tenho muito conhecimento nessa área, servi como oficial de relações públicas do exército e tive que dar muita explicação pra gente importante sobre as ações do exército de Israel nos últimos anos.
Esse trabalho no exército me abriu muitas portas aqui em Israel. O exército é a primeira experiência de “trabalho” de todo jovem israelense. Logo depois da escola o jovem passa por diversos testes e entra no exército para servir de acordo com seus talentos. Isso acaba definindo muitas vezes os papéis desses jovens na sociedade posteriormente. Também existem jovens que decidem seguir carreira militar, o que é um grande prestígio para os mais idealistas e têm também diversos beneficios para a família e aposentadoria.
O mercado de trabalho para estrangeiros em Israel não é muito grato. Como é no Japão com os decendentes de japoneses, em Israel, os decendentes de judeus tem direito imediato a um visto de trabalho, e os que não tem decendência podem vir trabalhar, mas tem que ter um empregador disposto a contratar essa pessoa para que o empregador possa aplicar frente ao ministério responsável o pedido de visto.
Uma coisa que é certa em Israel, ser doméstica, pedreiro, motorista, trabalhar pesado dá muito mais dinheiro que em qualquer país de terceiro mundo e muito mais cobertura médica em caso de acidente e parecidos. Mas não há nenhum interesse do estado e de empregadores em receber residentes temporários e pagar visto de trabalho para fazer esses trabalhos. O que acaba ficando como um belo mercado de trabalho para os imigrantes, decendentes de judeus, de países de terceiro mundo que já faziam isso ou que estavam desempregados em seu país por muitos anos e que tudo o que necessitavam era uma oportunidade para poder trabalhar e se sustentar dignamente. Muitos decendentes de judeus argentinos durante e depois da crise recente vieram se refugiar em Israel e tem tomado muitas posições na base da economia israelense como os que citei antes.
Uma das melhores maneiras de vir para Israel e se autosustentar é o voluntariado em um kibbutz (קיבוץ). Os kibutzim são sociedades agrícolas que foram formadas pelos mesmos ideólogos do Sionismo Trabalhista. É uma sociedade igualitária, aonde todo o fruto do trabalho é dividido entre seus chaverim (membros). A força do trabalho coletivo movimentou a economia e o desenvolvimento do país durante muitos anos, mas o sistema kibutziano se encontra em decadência e necessita da ajuda de voluntários para poder manter suas portas abertas e a ideologia socialista de pé. É por isso que já tem alguns bons anos que se pode conseguir permissão de trabalho e vivenda em um kibutz através do movimento kibutziano em Israel.
Não tem nenhuma representação do movimento ai no Brasil, tudo deve ser feito aqui, mas dá pra ligar ou mandar e-mail e se informar se você fala Inglês:
Site do Movimento “Kibutzi Artzi” (קיבוצי ארצי “Kibutziano” Nacional).
Kibbutz Program Center
Volunteer Dep. of the kibbutz movement
6 Frishman st., Tel Aviv
Tel: 972-3-5246156
Fax: 972-3-5239966
kpc@volunteer.co.il
www.kibbutz.org.il
Esse é o melhor caminho para vir a Israel passar um tempo, conhecer e não se preocupar com trabalho (pois você trabalha no kibutz garantido) e tem moradia, comida, roupa lavada, etc…
Não é uma maneira de fazer grana. Israel não tem nada para que você faça grana e volte para o Brasil sem ter imigrado. Existe uma onda de imigração ilegal da Tailândia e Filipinas e só é “aceito” por que são mão de obra extremamente barata e o mais importante: disciplinada. Não conheço brasileiros que tenham vindo para Israel trabalhar sem ter imigrado. Mesmo os que não tem descendência judaica, tem esposa judia ou israelense.
Se você tem na sua família algum judeu, você pode aplicar para imigrar e se aprender o hebraico e se integrar na sociedade com seu talento, pode ter sucesso neste novo país. Mas como disse e repito, Israel não é um país de oportunidades, é um país para idealistas.
Para informações sobre imigração, aqui está o site da Agência Judaica sobre Aliá (imigração עליה).
Se a sua não é trabalho, mas sim estudos, Israel é uma ótima opção! É um dos países com mais instituições de ensino superior por habitante do mundo, existem muitos especialistas de diversas áreas aqui. Há programas de intercâmbio na Universidade Hebraica de Jerusalém, Tel-Aviv, Bar-Ilan e Haifa. Institutos renomados de ciência e tecnologia como o Weizmann e o Technion também aceitam estrangeiros com destaque em suas áreas. Também há uma instituição privada, o IDC em Herzelya, que tem programas com classes em inglês apenas em diversas áreas, inclusive humanas. Diversas pessoas em todo o mundo já estudaram em Israel, dentre elas o atual presidente do Uruguay, Tabaré Vasques, que estudou alguns anos no Instituto Weizzman e esteve esta semana aqui em Israel com um grupo de cientistas do Uruguay para tratar de aumentar a conexão e intercâmbio entre os dois países neste setor.
Para mais informações de como conseguir bolsas de estudo para estudar aqui em Israel, recomendo entrar no site da Embaixada de Israel no Brasil e se interessar pelo programa Mashav, que é um programa criado em 1950 (2 anos depois da independência de Israel) e foca no intercâmbio de mentes. Este pequeno país têm na ciência e no desenvolvimento do pensamento crítico grande parte de seus objetivos e desde um princípio isso fica claro – o primeiro presidente de Israel foi o renomado químico Chaim Weizmann que reuniu as grandes cabeças do povo judeu em Israel em busca de desenvolvimento acadêmico. Dentre eles, Albert Einstein que presidiu a Universidade Hebraica de Jerusalém durante 4 anos (1925-1928) antes mesmo da independência do estado. Einstein deixou para a Universidade uma bela herança: Todos os documentos escritos durante toda a sua vida, todas as suas teorias, invenções e até mesmo o direito de uso comercial da imagem do cientista são propriedade da mesma.
18 comments Agosto 26, 2008
Olimpíadas em azul e branco
Hoje vi nas notícias aqui em Israel que a cerimônia de abertura teve efeitos de pré-edição misturados a eventos reais para criar ao vivo uma sensação de perfeição. Todos caímos na propaganda e não para por aí, como todos sabemos, antes das olimpíadas houveram muitas manifestações em contra a sede dos jogos e diversos espectadores desistiram na última hora de vir para Pequim (Beijing para os mais íntimos). Parte por isso, a platéia nos jogos não tem sido essas coisas. Para remediar isso, os organizadores estão juntando galera nas ruas e colocando nos estádios para dar a sensação de que nada esta passando e evitar que se discuta o fato de que muitos desistiram de vir por que os jogos estariam sendo sediados na China. Além disso, para o povo chinês da a sensação de que o povo esta chegando aos jogos, de que não se trata de um evento inalcançável para a maior parte da população, como realmente é.
Mas eu não escrevo sobre a China nesse blog, apesar de esses últimos dias ter os meus olhinhos (puxados) voltados para a Grande Vermelha. Tudo isso para acompanhar os brasileiros e por que não, os israelenses que estão jogando em Pequim.
A delegação de Israel é composta por 43 esportistas das mais diversas categorias, é a maior delegação olímpica da história do país. As esperanças estavam voltadas para o judô e a natação, por enquanto sem nenhum resultado. Tudo que é relacionado com navegação também é um forte dessa delegação e tem tido melhores resultados e por agora uma promessa de medalha. Israel têm no total, em toda a história, 6 medalhas olímpicas, 4 de bronze, 1 de prata e uma única de ouro, conquistada fazem 4 anos em Atenas pelo “windsurfista” Gal Friedman que também é responsável por uma das medalhas de bronze do país (Atlanta 96). Gal (גל) em hebraico significa onda, nome justo para um surfista.
A única medalha de prata foi conquistada em 1992 em Barcelona, pela judoca Yael Arad. As outras medalhas ficam por conta de dois judocas e um atletista, nos 500m rasos. Esse é todo o histórico olímpico de Israel, estou pensando em fazer um doutorado a respeito.
A verdade é que Israel, dentro de suas proporções, tem medalhas proporcionais. É um país pequenino, com aproximadamente 7 milhões de habitantes e pasmem, fazem 30 anos o país tinha menos da metade dessa população.
Grande parte do crescimento do país nos últimos 20 anos se deve a uma onda imigratória principalmente dos países soviéticos depois da queda do governo “revolucionário” e as novas medidas de Gorbachev. Mais de 1 milhão de soviéticos chegaram no início da década de 90 e hoje em dia compõem uma das maiorias dentro do país, quase tudo se traduz para o Russo também por mais que não seja oficialmente um dos idiomas do país.
E o governo vêm enfrentando desafios diários desde essa enorme imigração, para poder acolher a estes novos imigrantes e garantir a integração social. Com as olimpíadas no ar, não podiam deixar de lado a oportunidade baseada no fato de que 1/3 da delegação de Israel é composta por esses novos imigrantes, principalmente soviéticos. O ministério de absorção (misrad haklita – משרד הקליטה), responsável pelo bem estar destes novos imigrantes, colocou no ar uma campanha que fala sobre isso e coloca o novo imigrante como israelense, um representante do país. “Aqui, ele é um novo imigrante. Nas olimpíadas ele é um atleta israelense.” :
Propaganda do Ministério de Absorção. Neste vídeo o atleta de origem Etiope, Ayala Sataain.
Essa campanha reflete uma óbvia xenofobia por parte da população mais veterana e seus descendentes que de certa maneira sentem que o novo imigrante é um incômodo e não traz nenhum benefício para a sociedade, que só degride os valores já estabelecidos. A integração é um dos temas de maior importância para o estado internamente, por que não há um país forte sem unidade – principalmente com o tamanho e as ameaças que rodeiam Israel todo momento. Israel é um país novo para exibir esses sintomas de doença social de países com muitos anos de história e além disso, Israel foi criado com a ideologia de que todos os judeus do mundo devem vir para a Terra Prometida apesar de suas diferenças.
Por isso a campanha, que mostra novos imigrantes com chapéu de herói, me incentivou a escrever esse pequeno embolado – por que aqui, sou o novo imigrante do Brasil. Mas no BrasilcomZ, sou eu o israelense.
Shalom שלום
2 comments Agosto 12, 2008
Shalom ulpan ivrit (Olá ateliê de hebraico)
Cheguei em Israel no princípio de 2006. Geralmente quando se chega em Israel para ficar um bom tempo, a primeira coisa que se faz é estudar o hebraico.
O hebraico (ivrit-עברית) é a língua e alfabeto do povo judeu, é uma língua considerada Semita, parte da família de línguas afro-asiáticas e tem origem do Aramaico. Se acredita que o hebraico que conhecemos hoje haja sido desenvolvido no século VI A.C., durante o exílio do povo judeu na Babilônia. É a língua oficial aqui em Israel, junto com o Árabe e o Inglês – todos os documentos oficiais devem ser escritos nestas três línguas para serem considerados publicações legais e válidas.
Israel é um país bastante novo e o hebraico antes da idealização do estado era usado apenas para rezas e não em conversas do dia-a-dia. Foi em 1881 que começou a revolução linguística, liderada pelo visionário Eliezer Ben-Yehuda, imigrante russo que racionalizou a necessidade de uma língua nacional oficial para formar uma unidade nesta nova sociedade. Imagina se todos os judeus do mundo chegassem aqui e encontrassem um país que fale diversas línguas? Sem essa unidade, Israel seria uma verdadeira Babilônia. Ben-Yehuda recuperou muitas palavras de diversas fontes, racionalizou o idioma e criou novas palavras para coisas e ações que não tinham expressões próprias nas fontes históricas, por ser uma língua arcaica e de caráter religioso, mítico.
Para se estudar o hebraico em Israel, existem locais que se chamam ulpanim (אולפנים), que significa atêlie, e que estão construídos para ensinar a língua hebraica para estrangeiros e novos imigrantes. Foi em um desses ulpanim que eu tive a minha “absorção” (klitá-קליטה) aqui em Israel. O ulpan se chamava Etzion e fica em um bairro de judeus de origem alemã bastante tradicional em Jerusalem. Comigo no ulpan tinha gente de todas as partes do mundo, com línguas e interpretações de mundo bastante diferentes. Nem todos falavam inglês e a comunicação em um princípio era bastante complicada.
O ensino do hebraico é padronizado e todos os ulpanim em Israel ensinam da mesma maneira, em um curso focado para adultos, que em poucos meses capacita a gente a entender e começar a formar frases, conversações e principalmente – trabalhar. Grande parte da preocupação desses adultos que chegam a Israel é o trabalho, como imagino que qualquer adulto responsável que chegue em um novo lugar. E por isso mesmo o ulpan se encarrega principalmente de cubrir a parte linguística relacionada ao dia a dia e trabalho.
Do ulpan não saiu nenhum gênio hebreu. A língua não é simples e leva algum tempo para entender e começar a viver realmente a sua versão em hebraico.
Em Israel, como em toda a região, se cumprimenta e se despede dizendo “paz” (shalom-שלום).
Postado por Gabirel Guzovsky
6 comments Agosto 2, 2008
Perdido na cidade de David
Shalom,
Sou Gabriel Guzovsky, publicitário de 25 anos que vive em Jerusalem. Vou escrever neste blog algumas das aventuras e coisas interessantes que há por estas terras.
Israel fica em um zona bastante interessante do mundo, no meio do choque entre as civilizações Ocidentais e Orientais. É um país de diversidade extrema e conseqüentemente, de protecionismos extremos.
A atenção da mídia global se foca no conflito que há por estas terras, não pelas pessoas que nela vivem, mas pelo que representa este conflito – a luta entre o tradicional e o novo, o religioso e o científico, o fanatismo e a paixão…
Em Israel há o choque entre 3 placas tectônicas, Eurasiática – Africana – Arábica. Do choque da placa Arábica com a Eurasiática acredita-se que surgiu o Mar Morto, o ponto mais baixo do planeta, a mais de 400m abaixo do nível do mar.
Por natureza Israel é uma zona de choque entre continentes. Sua realidade política não poderia ser distinta. Palco da redenção para as 3 principais religiões monoteístas, é possível que geopoliticamente falando, se torne realidade a profecia e que nesta terra se inicie o caos que abalará o planeta de maneira avassaladora.
Nossa esperança é que não, e o estado de Israel já vem lutando a anos para evitar essas profecias, pois não acredita em destino e sim que o homem pode fazer a diferença. Acredita na ciência e luta para que a região tenha mais em foco o aspecto científico das coisas, mantendo a religião como suporte moral. Essa mesma luta, acaba entrando em conflito com interesses de fanáticos religiosos nos países árabes que vem mantendo o poder em suas mãos durante séculos através da fé. Israel é uma ameaça para a hegemonia destes homens, e portanto, uma ameaça para o mundo árabe. O conflito é de certa forma antropológico e por isso muito difícil de encontrar uma solução simples, pois há que adaptar a paz para ambas as culturas. O que é paz para um pode ser uma declaração de guerra para o outro e vice versa.
Temos muito que discutir por aqui, vamos ver o que vocês acham que pode ser feito para acabar com o conflito em Israel.
Além de conflito, que por mais que tenha extensa cobertura dos meios de massas (justamente por ter cobertura dos meios de massas não tem cobertura relevante), temos outras coisas interessantes no dia a dia que vale a pena serem discutidas desde um ponto de vista mais terreno.
Lehitraot!
Postado por Gabriel Guzovsky
5 comments Julho 24, 2008













































