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A saudade congênita dos Portugueses
Olha só! Achei que eu estava atrasada, mas vou inaugurar o novo tema: comportamento!
É tão difícil falar do comportamento alheio, não é? Para mim, o traço mais marcante do povo português é uma certa nostalgia. Nostalgia do que? Não sei, acho que nem eles sabem. Talvez da riqueza dos tempos de império? Pode ser. Ou talvez seja uma saudade que nasce com as pessoas.
Esta nostalgia se expressa no fado, aquele lamento que se ouve saindo duma janela qualquer em Alfama. Transparece também num arrepio que alguns portugueses têm quando se fala de alguma inovação, alguma mudança na cidade, nos costumes, um jeito novo de fazer algo que sempre foi feito da mesma forma…
O exemplo mais marcante disso, pra mim, é que ainda têm os Escudos, a antiga moeda, como referência pra tudo. “O café aqui custa 0,55€, isso dá sei lá quantos Escudos!”. Até no mercado tem o preço das coisas nesta moeda e olha que o Euro já foi implantado aqui faz uns 10 anos! Imagina se no Brasil alguém ainda lembra quando custava algo em Cruzados?
Eu acho que é por causa desta nostalgia que a primeira impressão que tive do povo Portugues é que as pessoas tinham uma tristeza no olhar (e é mesmo o país mais deprimido da Europa!). Mas vai ver não era mesmo tristeza: era saudade.

5 comments Janeiro 25, 2009
Português daqui, português de lá
Antes de eu vir para cá, perdi a conta de quantas vezes alguém fez a velha brincadeira “ah, mas vai ser difícil porque você não domina a língua”. E eu dava risada, porque, afinal, não estava indo pro Japão ou algo assim (tenho uma amiga que mora no Japão há 1 ano e não fala japonês, isso sim).
Mas a verdade é que, não, eu não domino a língua portuguesa. Pelo menos não o português daqui. E acredite, as diferenças são muitas. O suficiente para tudo o que eu escrevo ter que passar por revisão. Fora o desdém pelo português do Brasil: aqui é chamado de “brasileiro”, como se fosse uma língua à parte e já tive que ouvir que é um “dialeto”. Engraçado, não é? Um dialeto ser falado por mais gente que a língua original? Pois é.

Então vivo uma relação de amor e ódio. A língua que sempre foi tão minha, agora não me pertence mais. E ter um português impecável sempre foi uma das coisas que eu sabia sobre mim (ter sido revisora é um orgulho, sim). E agora nem sempre acerto, não posso mais confiar no que sei. Começo a ado(p)tar as letras extra e os acentos ausentes do português daqui, os ora pois, os ó pá, os “a fazer, a enviar”, o se faz favor. Já pergunto pela casa de banho sem nem pensar duas vezes.
O que dá um nó na cabeça, na hora de escrever no meu blog ou em outros lugares, é que agora o que eu escrevo aqui não está certo pra quem me lê do Brasil e de repente se depara com um “c” ou um “p” no lugar errado e também não soa bem pra quem me lê daqui, com todos os brasileirismos. Um nó na minha cabeça, sabe?
Mas vem aí o acordo ortográfico… mmmwwwhhhauahuahuah!
12 comments Novembro 23, 2008
uma casa portuguesa, com certeza!
Não sei se já contei pra vocês, mas o apartamento em que eu moro aqui foi um achado. Eu adoro adoro adoro minha casinha. Mas vou ter que mudar daqui até dezembro…snif. É que a dona do apê tinha saído daqui pra morar com o namorado…mas aparentemente não deu certo e ela quer voltar. Muito ruim, vou ter que procurar outro ninho. A parte boa é que tenho várias dicas novas para quem quer mudar pra Portugal e procura uma casa aqui.
A principal delas é: achou uma casa que é tudo que você queria? Pegue no telefone e ligue imediatamente! As casas boas, com este perfil “low cost” que a gente procura, um quarto ou kitnete, mobiliado e tal, essas desaparecem do mercado rapidinho!
A segunda dica, são links dos sites onde você vai encontrar sua casa. E não se preocupe: tem muita casa boa no mercado!
www.expatriates.com (eu achei minha casa atual nesse site)
Boa sorte!
1 comment Novembro 2, 2008
Cada um no seu quadrado (infelizmente)
Quando vim de férias pra Europa, 2 anos atrás, uma das coisas que mais me marcou foi a clara divisão entre as pessoas de diferentes raças: branco com branco, preto com preto, oriental com oriental; sem hipótese de mistura. Isso era muito forte em todos os países que visitei. Não me lembro de em nenhum lugar ter percebido a miscigenação que temos no Brasil. Só isso, pra mim, já é claro sinal de preconceito racial.
Mas quando vim para Portugal, vi a situação mais de perto e é muito pior do que eu pensava. Aqui, os estrangeiros são cidadãos de segunda classe mesmo, principalmente os negros e orientais. Sabe aquelas piadas de preto que seu avô faz e todos na mesa ficam constrangidos? Aqui é a coisa mais normal de mundo zoar os negros, chamá-los de burros, fedidos. Sério, ninguém tem vergonha não.
Sabe como a faxineira é membro da família e interage com todo mundo na empresa? Na agência onde eu trabalho, as faxineiras negras são tratadas que nem cachorro e estão tão acostumadas com a situação que nem olham nos nossos olhos, andam com medo pelos corredores esperando a próxima patada.
Com brasileiros, acho que a coisa é mais light. Nosso povo, infelizmente, tem fama de preguiçoso e ladrão. O tratamento é o mesmo dado aos nordestinos em São Paulo: fazem piada com o sotaque, mas ouvem nossas músicas e se divertem com nossas novelas. Logo que cheguei, senti que eles tinham uma certa dificuldade em respeitar uma chefe brasileira (imagina ter alguém mandando em você com o mesmo sotaque da sua empregada?) e que estavam sempre esperando a primeira cagada. Mas a cagada não veio e hoje eles acostumaram com a idéia, penso eu. Fora isso, vejo pessoas olhando torto na rua quando percebem um sotaque e já fui maltratada por um taxista. Isso em 4, 5 meses que estou aqui.
É, sinceramente, a única coisa que não gosto em Portugal. Mas é uma mentalidade muito difícil de mudar.
4 comments Setembro 27, 2008
nham!
Todo mundo me pergunta sobre a culinária portuguesa. Ela não é assim tão conhecida como a francesa ou a italiana, mas também reserva boas surpresas!
Aqui, como em toda Europa, o fast food não tem vez. O pessoal curte mesmo as tascas: restaurantes com ambiente familiar, em que se come aquela comida preparada lentamente, saborosa, natural, comida de casa de mãe, sabe?
No geral, não é uma culinária tão diferente da do Brasil, mas é um pouco mais saudável: azeite extra virgem, peixe e vinho dominam as mesas portuguesas. Tudo acompanhado de batatas, claro!
E os pães? Sabe o que é querer dormir logo porque tem um pão delicioso pro café da manhã? hmmm.
Outra coisa em que os portugueses dominam é o chop, que aqui tem o justo nome de Imperial. Enquanto no Brasil temos que caçar um bar que tire um chop cremosinho, gelado, gostoso, aqui qualquer biboca serve uma imperial no ponto certo. Isso pra não falar no quanto os vinhos são baratos! E a sangria numa tarde de verão?! Nham….
De resto, quem vier pra Portugal não pode deixar de experimentar os pastéis de nata (ou de Belém), a alheira, o bacalhau e as ameijoas. São meus vícios em termos de comida portuguesa, mas ainda tenho 1 ano e meio pra descobrir outros…heheh.
2 comments Setembro 14, 2008
work, work, work…quem disse que ia ser fácil?
O tema do Brasicomz pra essa quinzena é o mercado de trabalho e é muito coerente considerando que a maior parte dos comments que recebi até agora pergunta sobre isso.
Bom, não sei se sou a melhor referência pra falar disso. Vim para Portugal em uma condição que sei que não é a da maioria das pessoas que vão pro exterior: estou trabalhando na minha área e em cargo de chefia. Como cheguei aqui? Foi uma daquelas coincidências que mostram o quanto o mundo é pequeno e o quanto algumas coisas parecem estar predeterminadas.
Estava descontente com o meu emprego no Brasil e, depois de ter passado umas férias na Europa, botei na cabeça que tinha que morar pra essas bandas por um tempo. Mas não queria de jeito nenhum trabalhar em subemprego, não podia interromper a carreira, bla bla bla. Como sou redatora de propaganda, Portugal foi a escolha mais lógica (apesar que tb procurei na inglaterra). Achei um site de empregos voltado à minha área e comecei a mandar curriculos loucamente. Turns out que um desses currículos caiu na mão de um ex-colega de faculdade que abriu uma agência aqui. E daí fizemos alguns testes e no fim do ano passado ele me chamou pra botar ordem na criação. O processo todo levou exatamente 1 ano. Persistência é a palavra.
Lógico que se eu topasse ser babysiter ou lavar pratos ou estagiar (e naada contra topa, vejam bem, só não é a minha), em 2 ou 3 meses poderia estar morando em qualquer país que escolhesse. Conseguir emprego na área é um cadinho mais complicado, principalmente considerando a fama que têm os brasileiros: gente que não gosta de trabalhar.
Mas já digo logo: não venha pra Europa se você só quer fazer um pé de meia. A não ser que sua situação no Brasil seja mesmo muito ruim. Aqui o custo de vida é menor que em São Paulo, por exemplo, mas eu ganho metade do que ganhava aí. Pra mim não sobra muito no fim do mês, meu estilo de vida aqui é beem mais econômico que ai, mas eu vim sabendo que ia ser assim. Ou seja: o espírito é muito mais de ganhar experiência, viver algo novo, conhecer o mundo. Espero ter ajudado. Os comments estão abertos para dúvidas
1 comment Agosto 17, 2008
prazer, eu sou a Thata
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Olá, pessoas!
Demorei mas cheguei. Se eu contar o que estou fazendo aqui em Lisboa, vocês vão entender por que demorei tanto pra me unir a este grupo animado. Foi o seguinte: no fim do ano passado, fui chamada pra ser diretora de criação numa agência aqui. Convenci o namorado, que virou namorido e embarcou nessa loucura comigo. Aí, pra ter o visto, tínhamos que estudar. E o que resolvemos fazer? Ah, se é pra voltar pra escola, vamos fazer logo um mestrado (aqui é metade do preço do Brasil).
Digo logo: é de deixar qualquer um maluco. O ritmo insano de agência de publicidade somado às milhares de páginas que precisam ser lidas (e escritas) pro mestrado. O resultado é que nestes 3 meses nem consegui curtir muito a cidade ainda. Mas vou passar aqui as primeiras impressões desta terra e deste povo tão semelhantes e tão diferentes da gente. Entender Portugal é entender um pouco melhor o Brasil.
Agora que estou de férias, vai dar tempo de contar bastante daqui. Nos falamos em breve, ó pá!
postado por Thata
7 comments Agosto 9, 2008













